Economia

Angola sai da recessão e cresce 0,4%

O Banco Mundial (BM) prevê que a economia angolana registe este ano o primeiro crescimento económico desde 2016, com uma expansão de 0,4%, mas alerta que o país ainda enfrenta dificuldades na dívida e na produção petrolífera.

18/10/2021  Última atualização 13H54
© Fotografia por: DR

"Angola deverá crescer 0,4% em 2021 e 3,1% em 2022, depois de cinco anos consecutivos de recessão, mas o país ainda está a lutar para ganhar fôlego, com elevados níveis de dívida e um fraco desempenho da indústria petrolífera", lê-se no relatório "O Pulsar de África”, divulgado no âmbito dos Encontros Anuais do BM e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que decorrem até final desta semana em Washington.

No documento, o BM ao contrário do FMI, que prevê uma recessão de 0,7% para Angola diz que as maiores economias africanas vão sair da recessão este ano, embora crescendo a níveis diferentes, mas todas com muitas dificuldades para apoiar as empresas e as pessoas a superar a pandemia de Covid-19.

"Devido ao limitado espaço orçamental, os países africanos não foram capazes de injectar os níveis de recursos necessários para lançar uma vigorosa resposta política à covid-19", refere o banco no seu relatório anual sobre a África subsaariana, apontando que o apoio orçamental foi de 2,8%, em média, o que compara com os 17% desembolsados pelas autoridades financeiras nos países avançados.

Alguns países, entre os quais se conta Angola, "foram forçados a aplicar medidas de austeridade quando a dívida se tornou insustentável" e, no caso também de Moçambique, as finanças públicas deterioraram-se porque "já estavam vulneráveis mesmo antes da pandemia".

O petróleo, notam os economistas do Banco Mundial, "permitiu a Angola envolver-se em operações de empréstimos de larga escala, mas o rácio da dívida sobre o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu fortemente quando os preços do petróleo subiram e a moeda desvalorizou, registando um pico de 134% do PIB no ano passado", sublinham os analistas citados pela Lusa.

A dívida, alertam, "continua a ser uma preocupação a médio prazo, apesar de um reescalonamento parcial do serviço da dívida externa, incluindo através da Iniciativa para a Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI)", lançada em Abril de 2020 para ajudar os países mais vulneráveis.

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