Sociedade

Angola regista redução na transmissão de VIH

Edna Mussalo

Jornalista

Angola regista uma redução de 26 para 15 por cento na taxa de transmissão de VIH de mãe para filho, de 2018 a 2021, um ganho causado pelo comprometimento do Estado, profissionais de saúde, sociedade civil e parceiros, avançou, esta terça feira, em Luanda, a infectologista e assessora técnica do Instituto Nacional da Luta contra a Sida.

16/11/2022  Última atualização 09H59
Instituto Nacional da Luta contra a Sida © Fotografia por: DR

Cláudia Barros, que falava durante a cerimónia de abertura das actividades alusivas ao Dia Mundial de Luta contra o VIH/Sida, que se assinala no próximo dia 1, acrescentou que a campanha "Nascer livre para brilhar”, liderada pela Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço, está a contribuir significativamente para a redução da taxa de transmissão do vírus de gestantes para os bebés.

Deu a conhecer que a seroprevalência do VIH no país é de dois por cento, entre pessoas dos 25 aos 49 anos, de acordo com estudos realizados entre 2015 e 2016, sendo as mulheres o grupo com o maior índice de seroprevalência, com 2,6% e os homens 1,2%.

As províncias que fazem fronteira com a Zâmbia e a Namíbia são as que têm índices de seroprevalências mais altas.

O director-geral adjunto do Instituto Nacional de Luta Contra a SIDA para os assuntos executivos, José Carlos Van-Dúnem, disse que estão programadas várias actividades de sensibilização, com o apoio de parceiros, no âmbito da prevenção, bem como  campanhas de testagem.

Para o director, a discriminação é um factor que contribui para a desistência e a não adesão de muitos pacientes ao tratamento, o que faz com que haja maior proliferação do vírus. 

"Para nós, o estigma e a discriminação são combates de todos os dias, de forma que que as pessoas assumam o seu estado serológico, devendo evitar  transmitir a doença”, destacou.

O responsável avançou que o instituto controla 320 mil pacientes, salientando não haver falta de retrovirais.

José Carlos Van-Dúnem explicou que os retrovirais têm tempo de expiração, cerca de três a seis meses, devendo a sua importação ser feita dentro de um tempo limite, tendo em conta o número de pacientes.

"Pode haver um certo atraso, por questões de transporte e a nossa logística ficar reduzida”, disse.

Sobre a efeméride, realçou que o mundo está longe de alcançar o compromisso de acabar com a Sida até 2030, não por falta de conhecimentos ou ferramentas, mas por causa das desigualdades económicas, sociais, culturais e jurídicas, que limitam as soluções comprovadas para a prevenção e tratamento do VIH.

"Esta situação atinge as comunidades mais pobres e mais vulneráveis de forma dura, intensificando os desafios enfrentados pelas pessoas que vivem com o VIH e grupos marginalizados”.

Segundo José Carlos Van-Dúnem, o lema para as comemorações alusivas ao Dia Mundial da Sida, para este ano, proposto pela ONUSIDA e adaptado por outros países, reitera a necessidade de se acabar com as desigualdades na luta contra a doença. Defendeu a necessidade de se unir esforços para acabar com as desigualdades, trabalhar mais para garantir que a saúde seja fortalecida, o acesso à saúde seja garantido, os direitos das mulheres e meninas e a igualdade de género estejam no centro das atenções e os direitos humanos sejam respeitados.

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