Especial

Angola regista mais de 310 mil casos de hipertensão arterial

Alexa Sonhi

Jornalista

Um total de 310.754 casos de hipertensão arterial foram diagnosticados, no ano passado, em todas as unidades sanitárias do país, de acordo com o último boletim epidemiológico da Direcção Nacional de Saúde Pública.

11/02/2022  Última atualização 06H45
© Fotografia por: Kindala Manuel | Edições Novembro
O coordenador do Programa Nacional das Doenças Crónicas não Transmissíveis, António Armado, em entrevista  exclusivo ao Jornal de Angola, em alusão ao Dia do Doente, disse que a hipertensão arterial continua a ser a principal causa de morte, no mundo, provocando, em média, 17,5 milhões de pessoas todos os anos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

António Armado explicou que a hipertensão arterial é uma doença crónica, em que a pressão sanguínea nas artérias se encontra constantemente elevada. Em regra , a patologia não causa sintomas, por isso, muitas vezes, é chamada de doença silenciosa e mortal.

 O coordenador do Programa de Doenças Crónicas salientou que, quando diagnosticada tardiamente, a hipertensão arterial pode causar a doença arterial coronária, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca, doença arterial periférica, cegueira,  doença renal crónica e demência.

No que diz respeito às doenças renais, causadas pela hipertensão arterial, António Armando explicou que houve o aumento de 1.800 casos de pessoas que estiveram, em 2021, a fazer hemodiálise, segundo dados da Sociedade Angolana de Nefrologia.

António Armando sublinhou que a hemodiálise tem sido feita para o prolongamento do tempo de vida dos pacientes, tendo em conta que, até ao momento, ainda não se começou a fazer o transplante de órgãos.
O responsável do Programa das Doenças Crónicas disse que todo o custo do processo das hemodiálises é suportado pelo Estado.


Outras patologias crónicas

António Armando frisou que a hipertensão arterial não é a única doença crónica, que preocupa as autoridades. A diabetes, que só, no ano passado, acometeu cerca de 16.751 pessoas é outra da lista.  Já em relação ao câncer,  outra doença crónica, houve o registo de 1.249 novos casos, durante o ano findo.  

 O funcionário da Direcção Nacional de Saúde Pública informou que, segundo dados do Instituto Nacional de Oncologia, os cancros com maior incidência foram os da mama, com 21 por cento, colo uterino, com 17%, da apóstata, com 6%, os Linfomas de Hodgkin, com  4%, sarcomas de Kaposi e o cancro do estômago, todos com igual percentagem.

"No entanto, estes dados não representam a realidade do país, havendo, assim, a necessidade da implantação do registo de cancro de base populacional, para se saber ao certo quantos doentes de cancro existem no país”, sublinhou o médico.


Anemia de células falciforme 

Sobre a anemia de células  falciformes , António Armando explicou que, de acordo com estudos desenvolvidos pela Iniciativa Angolana de Anemia de Células Falciforme (IACF), realizado em 2020, cerca de 18 por cento de crianças nascem com traços falciformes.

"Em Angola, as doenças crónicas não transmissíveis surgem, também, como um problema de saúde pública. Mas, vale dizer que a sua real  magnitude não é ainda conhecida, devido à falta do sistema de recolha, análise sistemática e divulgação de dados”, disse.

 
Redução de 50% de casos  


António Armando revelou que o Ministério de Saúde estabeleceu como objectivo, até final do corrente ano, a redução  em até 50 por cento do impacto das doenças crónicas não transmissíveis e os factores de risco da vida da população. 

De acordo com o médico, uma das estratégias para alcançar este desiderato tem a ver com o apetrechamento das unidades sanitárias com meios de diagnóstico ou para  o rastreio e tratamento da hipertensão e diabetes,  bem como elaborar o Plano Estratégico da Política Nacional Contra o Cancro e realizar um estudo epidemiológico que determine a magnitude do cancro em Angola.

A criação de novos serviços de hemodiálise e a isenção dos impostos na Pauta Aduaneira dos medicamentos para as doenças crónicas são outras acções da estratégia que o Ministério está a implementar, acentuou o coordenador.

António Armando disse, ainda, que o Ministério da Saúde pretende distribuir , de forma gratuita, insulinas às Unidade Sanitárias Gerais e Centrais, com vista a facilitar a vida dos doentes que precisam desta medicação.

O Ministério tem agendado, igualmente, a expansão a nível nacional de rastreio dos recém-nascidos com Drepanocitose e a negociação com algumas  farmácias para o fornecimento de Hidroxiurea nos hospitais  para baixar os custos para os doentes que utilizam esses serviços de forma frequente. 

Com vista a reduzir a morbi-mortalidade por doenças crónicas não transmissíveis,  a OMS elaborou, também, um Plano Estratégico para o período 2013-2025, tendo como principal meta a redução em 25% a mortalidade por doenças crónicas não transmissíveis.

As doenças crónicas não transmissíveis são causa de morte de aproximadamente 41 milhões de pessoas a cada ano a nível do mundo, o que  representa 71% de todas as mortes, sendo que cerca de 85% destas mortes ocorrem em países de baixa e média renda.

António Armando explicou que todas estas doenças crónicas comprometem a vida do indivíduo afectado, tendo em conta as várias limitações que causam, desde alimentação, estilo de vida e a toma diária de medicamentos que, muitas vezes, é influenciada pela sua própria condição social.

O Dia Mundial do Doente foi instituído a 11 de Fevereiro de 1992, pelo Papa João Paulo II. Sendo uma importante efémeride para a Igreja Católica, esta data é consagrada à reflexão e à oração em reconhecimento a Cristo, que sofreu,  morreu e ressuscitou para salvação da humanidade.

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