Sociedade

Angola regista 140 casos de tráfico de seres humanos

Valter gomes| Uíge

A secretária de Estado dos Direitos Humanos e Cidadania, Ana Januário, disse, Terça-feira, no Uíge, que foram registados no país 140 casos de tráfico de seres humanos, desde 2014.

10/08/2022  Última atualização 07H05
Ana Celeste apontou a capital do país e as províncias fronteiriças como as mais afectadas © Fotografia por: DR

A governante, que falava na abertura do seminário de capacitação sobre protecção e assistência às vítimas de tráfico de seres humanos, promovido pelo Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos, no âmbito do 30 de Julho, Dia Mundial Contra o Tráfico de Pessoas, disse que 22 por cento dos implicados nos casos registados já foram julgados.   

Segundo Ana Januário, as principais vítimas do tráfico de seres humanos são mulheres e crianças. "A exploração infantil, a venda de crianças, o trabalho forçado, a exploração para mendicidade e sexual são os tipos de casos mais frequentes em Angola".

A governante apontou a capital do país, Luanda, e as províncias fronteiriças, incluindo Uíge, como as zonas onde as autoridades angolanas notificaram os casos de tráfico de seres humanos. Acrescentou que os continentes europeu, asiático e americano têm sido o destino das vítimas.

"Os traficantes são bastante criativos, usam vários mecanismos, como as tecnologias de comunicação, através da Internet, WatsApp, Facebook, Instagram, Twiters e outras redes sociais, criando grupos e aliciando pessoas com promessas de que podem ajudar a realizar sonhos ou proporcionar viagens para outros países mais desenvolvidos”, disse a secretária de Estado.

Avançando que as tecnologias de informação e comunicação facilitam o tráfico de seres humanos, numa altura em que jovens, crianças e adultos estão envolvidos em redes sociais, trocando informações, sem antes conhecer com quem falam, de onde e quais são as suas intenções.

Ana Januário acrescentou que a formação visa reforçar os mecanismos de acção e resposta rápida aos possíveis casos de tráfico de seres humanos em Angola. "Queremos que cada cidadão seja um agente de denúncia e controlo do tráfico de seres humanos”. Acrescentou  que é urgente que se trabalhe na divulgação dos conhecimentos de como se processam os casos de tráfico, para que os cidadãos possam denunciar imediatamente aos Órgãos de Justiça.

A vice-governadora para o Sector Político, Social e Económico, Maria Cavungo, manifestou-se satisfeita pelo facto de o Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos promover um seminário de capacitação dos actores sociais sobre tráfico de seres humano, para que os cidadãos estejam alerta e possam denunciar os autores.   

O seminário tem a duração de quatro dias e está a ser orientado por especialistas dos Direitos Humanos. Os participantes estão a abordar, entre outros temas, "Os elementos constituintes e necessários para se identificar um caso de tráfico em adultos e crianças”, "Definições de contrabando migratório”, e "Indicadores de tráfico”. Participam da acção formativa representantes de Órgãos de Defesa e Segurança, entidades religiosas e tradicionais, sociedade civil e da Justiça e Direitos Humanos.

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