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Angola quer aumentar produção de energias renováveis até 2025

Angola pretende produzir, até 2025, cerca de 800 megawatts de energias renováveis, correspondendo a cerca de 7,5 por cento da electricidade gerada em Angola, anunciou, ontem, em Luanda, a directora nacional dos Recursos Renováveis do Ministério da Energia e Águas.

06/09/2018  Última atualização 08H00
Agostinho Narciso|Edições Novembro © Fotografia por: Engenheira Sandra Cristóvão defendeu que o Estado deve estimular a criação de centros de investigação em energias renováveis

A engenheira Sandra Cristóvão avançou que, para isso, o Estado deve apostar na melhoria do acesso aos serviços de energias renováveis nas zonas rurais, promover soluções de mercado, focar nas zonas mais dispersas e com menos poder de compra, estimular a criação de centros de investigação em energias renováveis e fomentar a instalação de unidades fabris no país.
A par disso, Sandra Cristóvão afirmou que outras medidas têm a ver com a necessidade da criação de legislação específica para as energias renováveis, estabelecimento de um regime de tarifas adequadas e desenvolvimento de campanhas de informação e ofertas formativas.A engenheira química disse, igualmente, que o Estado precisa de implementar mecanismos de incentivo e financiamento para atrair parcerias.
Neste caso, defendeu a criação de subsídios, créditos ao investimento e benefícios fiscais, incentivos à produção com tarifas bonificadas e acordos de compra e venda, além de créditos de redução de gases de efeito estufa.
A directora nacional de Energias Renováveis disse acreditar que se pode promover o investimento privado nos projectos do sector, acelerar a electrificação das  zonas rurais, melhorar a viabilidade dos projectos e reduzir o impacto ambiental dos combustíveis fósseis.
Sandra Cristóvão disse que o país tem condições para, com algum esforço, levar energia com qualidade a mais cidadãos, aproveitando as novas tecnologias e o potencial existente localmente. A responsável considerou que as energias renováveis têm um papel preponderante neste sentido. Ao falar durante o programa mensal “Café com Ciência e Tecnologia”, promovido pelo Centro Tecnológico Nacional, sob o tema “Os desafios tecnológicos na utilização e expansão das fontes de energias renováveis em Angola”, lembrou que a instalação desse tipo de sistema é cara, mas a sua manutenção é muito mais económica que a energia hídrica.

Energia eléctrica
Actualmente, mais de 50 por cento da energia eléctrica fornecida no país é de origem hídrica e apenas 40 por cento da população angolana está ligada à rede nacional de corrente eléctrica, apontou a responsável.
      No quadro do Plano Nacional de Electrificação, constam acções que visam, até 2015, o aumento para 60 por cento do número da população beneficiária de energia eléctrica, quer a partir de produção hídrica, quer de energias renováveis, sendo que estas últimas vão priorizar as zonas rurais. A engenheira Sandra Cristóvão declarou que Angola já tem dado passos significativos em matéria de energias renováveis, tendo instalado sistemas solares fotovoltaicos autónomos em 175 postos de iluminação no Bié, Cunene, Huíla, Cuando Cubango, Lunda-Norte, Malanje, Moxico e Zaire.
Naquelas províncias, o sistema abrangeu também 34 escolas, 39 postos médicos e dez da Polícia Nacional, 40 moradias administrativas e sete jangos comunitários.
No quadro da energia solar, a directora anunciou que está em curso a instalação de 686 kits, de 4.785 postes de iluminação pública e 116 “baixadas” de ligação à rede pública.
Sandra Cristóvão avançou que há programas para a instalação de sete centrais híbridas, sendo dois megawatts de energia solar e três de produção diesel. Essas infra-estruturas estão a reforçar a electrificação no Tômbwa (Namibe), Belize e Dinge (Cabinda), Xangongo (Cunene), Longonjo e Londuimbale (Huambo), Sanza Pombo (Uíge) e Bocoio (Benguela).

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