Política

Angola propõe criação de Banco de Investimento

Fonseca Bengui

Jornalista

O Presidente João Lourenço propôs, ontem, a criação de um Banco de Investimentos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), no âmbito da busca de mecanismos de financiamento para a realização do novo pilar económico empresarial da comunidade.

18/07/2021  Última atualização 08H15
Chefe de Estado angolano assumiu, ontem, a presidência rotativa da comunidade lusófona © Fotografia por: Kindala Manuel | Edições Novembro
Ao discursar na qualidade de presidente em exercício da CPLP, que assumiu na XIII Conferência de Chefes de Estado e de Governo, realizada em Luanda, João Lourenço deixou aos representantes da comunidade o "desafio de se começar a pensar na pertinência e viabilidade, ainda que remota, da criação de um Banco de Investimentos da CPLP”.


"Acreditamos que, com a institucionalização do pilar económico como um dos objectivos gerais e estatutários da CPLP, daremos um novo e importante conteúdo aos objectivos da nossa organização”, sublinhou.


João Lourenço justificou a introdução do novo Pilar Económico Empresarial durante a presidência rotativa tendo em vista a necessidade da promoção do desenvolvimento sustentável e da expansão do mercado intra-comunitário, através de parcerias económicas e empresariais entre os Estados-membros. 


Reconheceu que o conjunto dos países da Comunidade tem um enorme potencial económico, industrial, agro-pecuário, pesqueiro e turístico, em muitos casos, ainda por explorar, e que devem ser alvo da atenção da organização, para transformar esse potencial em riqueza real.

"Somos uma força política e cultural a considerar, podemos ser, também, uma força económica relevante se trabalharmos para isso”, disse.

Além da actividade económica, o Presidente destacou haver "passos significativos em outras áreas de cooperação, em especial na promoção da língua portuguesa, na concertação política e na frente cultural”.


Um sinal evidente da importância da nossa organização, sublinhou, é o crescente número de pedidos de adesão de outros Estados e organizações internacionais, para membros efectivos ou observadores associados e consultivos, levando, assim, a um alargamento que permite reforçar a sua influência na arena internacional.


João Lourenço apontou a mobilidade e a livre circulação dos cidadãos pelos diversos países da comunidade como um dos grandes desafios da CPLP, não obstante a obrigação de cada um dos Estados-membros cumprir regras específicas das sub-regiões geopolíticas em que se integram. 


"Ela – a mobilidade - é decisiva para uma maior aproximação entre os nossos povos, para a cooperação económica, para o enriquecimento da língua portuguesa e para um maior intercâmbio cultural e turístico”, sublinhou.

Acrescentou que isso "permitirá que milhões de cidadãos dos nossos países beneficiem, de forma concreta, dos ganhos e vantagens da pertença a uma comunidade que se expande por países de quatro continentes, com formas próprias de vida e de expressão cultural e artística”.


"Temos ainda um caminho a percorrer, precisamos de trabalhar na definição das formas de tornar realidade a materialização faseada, mas efectiva, desta vontade aqui manifestada e que reflecte a vontade dos nossos povos”, disse. 


Convite para a Bienal da Paz

João Lourenço aproveitou a ocasião para convidar os Estados-membros da CPLP a participarem na 2ª Edição do Fórum Pan-africano para a Cultura da Paz, Bienal de Luanda, a ter lugar de 4 a 8 de Outubro de 2021, em parceria com a UNESCO e a União Africana.

O evento, que visa fortalecer o Movimento Pan-Africano para a Cultura da Paz e não Violência, vai assinalar o 40° aniversário do Dia Internacional da Paz.


 O presidente em exercício da CPLP manifestou, em nome da comunidade, a solidariedade ao povo de Moçambique pelo sofrimento provocado pelas acções de terrorismo que atingiram seriamente a província de Cabo Delgado. 


 "A nossa reunião de hoje reforça a consciência da necessidade de uma cooperação multilateral que concorra para uma resposta rápida aos desafios presentes e futuros, e para uma saída da grave crise sistémica em que nos encontramos”, salientou o Chefe de Estado. 


Nova dinâmica

João Lourenço informou que durante a Cimeira de Luanda, os líderes da CPLP tiveram a oportunidade de discutir questões relevantes para os povos da comunidade, tendo acordado na necessidade de darem uma nova dinâmica à organização e de fixarem um quadro de cooperação mais consentâneo com a actual conjuntura internacional. 


  Apelo ao desenvolvimento das economias, apesar da Covid-19
O Chefe de Estado reconheceu que a crise sanitária, provocada pela pandemia da Covid-19, obrigou todos os países à observância de rigorosas medidas de biossegurança e de distanciamento, de redução da actividade económica e da circulação de pessoas e mesmo de encerramento de fronteiras, alterando de forma radical a vida social e as formas de relacionamento entre as pessoas e as nações.

Essa situação inédita no cenário internacional, à qual os países não se puderam furtar, disse, não deve impedir os Estados-membros de diversificar e desenvolver as respectivas economias.
Para se fazer face a essa crise, considerou importante que todos comecem por encontrar formas mais dinâmicas e criativas de se adaptar à nova realidade, de conviver com uma pandemia que vai a caminho do segundo ano.


João Lourenço defendeu a valorização das potencialidades existentes nos mais diversos sectores económicos e sociais dos Estados-membros, através do fomento da produção nacional e das exportações, para que se possa satisfazer as expectativas de milhões de cidadãos do espaço comunitário.

 Para tal, disse, é indispensável tornar mais atractivas as nossas economias e explorar a sua complementaridade, aumentando as trocas comerciais e os investimentos cruzados, que gerem empregos e tragam benefícios mutuamente vantajosos. 


Ao assumir a presidência rotativa, João Lourenço agradeceu o contributo dado pelo homólogo de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, durante o seu mandato à frente da organização. "Ele transmitiu-nos um precioso legado a que procuraremos dar continuidade com o apoio de todos os Estados-membros, para que possamos pôr em prática todas as importantes decisões que mereceram a nossa aprovação consensual”, reconheceu.


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