Economia

Angola produz 6,5 mil toneladas de café por ano

Venâncio Victor|Malanje

Jornalista

Um total de 6.500 toneladas de café é produzido anualmente, a nível do país, revelou sábado, no município de Calandula, província de Malanje, o secretário de Estado da Agricultura e Florestas, Castro Camarada.

17/06/2024  Última atualização 08H27
Secretário de Estado Castro Camarada (segundo à direita) fez as primeiras colheitas © Fotografia por: Eduardo Cunha | Edições Novembro

Durante a abertura oficial da Campanha Nacional de Colheita de Café, que teve lugar no Bairro Tanque, onde estão cultivados oito hectares, o governante disse que 17 mil famílias produtoras estão envolvidas no cultivo do café, das quais 97 por cento são pequenas propriedades familiares, que cobrem cerca de 36 mil hectares de terras.

"O lançamento da Campanha Nacional da Colheita do Café traduz o empenho e a prioridade que o Executivo coloca na cultura do café, pois como sabemos a nossa história agrária também está ligada a este produto, que já foi  muito importante para o país, e com uma  grande dimensão a nível mundial, daí haver razões de voltar aos tempos áureos desta cultura no país,  dada a importância  socioeconómica que a mesma pode jogar na vida dos angolanos", apontou.

O secretário de Estado da Agricultura e Florestas sublinhou que a nível da cadeia de produção do café existem muitas oportunidades para intervir, desde os empresários às famílias.

Como exemplo, apontou a produção, processo de distribuição de insumos, equipamentos, comercialização, processamento e produção de mudas com rigor e com capacidade produtiva.

O governante disse existirem igualmente oportunidades na cadeia de valor, principalmente no segmento da moagem e torrefacção.

Castro Camarada frisou que a cadeia de valor do café oferece aos jovens várias oportunidades de negócio, daí que o sector tenha constituído um desafio a abraçar para a obtenção de um maior rendimento, criação de mais empregos e combater a fome e a pobreza no seio das famílias.

 
Investimentos assegurados

Segundo fez saber Castro Camarada, o Instituto Nacional do Café (INCA) distribuiu, no ano passado, um total de 5 milhões de mudas aos produtores.

O mercado tem, por outro lado, instrumentos financeiros através do fundo do INCA e do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA).

Aos bancos, o governante pede mais flexibilidade por se tratar de uma cultura perene, em que os períodos de carência devem ser maiores e dar possibilidades para aqueles que têm vontade de cultivar o café poderem beneficiar de algum apoio para elevar os seus níveis de produção.

"Ilustres cafeicultores, a escolha deste município para a abertura deste evento tem a ver com o papel da província de Malanje no aumento da produção de café”, disse.

Para Castro Camarada, a província de Malanje começa a ter destaque na produção e aumento das áreas de cultivo de café, a par do Uíge, incentivando os jovens a apostarem no cultivo do café, porquanto gera dinheiro e há toda a possibilidade de olhar para esta cultura como uma possibilidade de um bom negócio.

"Vamos trabalhar para que todo o café seja colhido e superar os níveis do café produzido no ano passado, tendo em conta a regularidade das chuvas e que haja melhores produções”, rematou.

 
Mais produção

O vice-governador provincial de Malanje para o Sector Político, Económico e Social, Franco Mufinda, informou que Malanje controla 530 produtores de café, dos quais 340 efectivos. Neste leque, um total de 267 são do município de Calandula.

Quanto à produção, frisou, estima-se uma colheita de 33 toneladas a nível da província, dos quais 21 produzidas em Calandula.

O governante reiterou ao Ministério de tutela a necessidade de apoio aos produtores,  com o fito de aumentar os factores de produção, a formação e sobretudo a assistência técnica.

O início do processo de colheita estimula o trabalho dos agricultores, defendendo que a economia doméstica deve ter o seu nascimento numa escala menor e com a criação de cooperativas melhor será a produção.

Franco Mufinda disse ser importante que se legalizem os campos de cultivo de café pelos produtores para facilitar o acesso ao financiamento bancário, uma tarefa que envolve o Governo Provincial e as administrações municipais no acompanhamento dos agricultores para a conclusão dos documentos em falta.

Sobre a formação, 130 produtores de café do município de Calandula terminaram uma acção formativa desenvolvida pelo Instituto Nacional do Café, tendo  os formandos beneficiado de diplomas de mérito e inputs agrícolas durante a cerimónia de abertura da campanha.

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