Reportagem

Angola pretende integrar principais destinos de África

Isaque Lourenço

Jornalista

Ministério abre hoje semana comemorativa alusiva ao “Dia Mundial do Turismo” e pretende promover até na próxima sexta-feira os locais de atracção existentes no país inteiro, através de eventos com a perspectiva de captar recursos e investidores

27/09/2021  Última atualização 07H55
Quedas de Kalandula na província de Malanje assumem-se como um dos maiores pontos de atracção ao nível do país © Fotografia por: DR
A estratégia angolana está definida e o objectivo é integrar a lista dos principais destinos de África até 2025, num cenário que a conhecida "indústria da paz” se mostra resistente aos ventos contrários gerados pela Covid-19 e outros factores internos já identificados pelas autoridades e que deverão, por isso mesmo, ser superados por via dos programas aprovados.

Nesta opção do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente, um rosto foi chamado a dar ver o belo e o natural de Angola aos investidores e demais turistas.
Maria Borges, a modelo internacional angolana, é a quem foi incumbida a promoção da plataforma de investimento internacional na área do turismo, seja para os nacionais, seja para os estrangeiros.
"Vou visitar algumas províncias que sempre sonhei visitar. O momento é excelente, e depois o meu foco é trazer investidores com potencial tanto nacional, como internacional”, disse a nova embaixadora do turismo angolano numa entrevista citada pela Euronews África.

Dados da indústria referenciados no Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI) dão conta que o turismo tem crescido de forma sustentada a nível internacional quer em termos do número de turistas quer em termos de receitas geradas. Todavia, Angola não tem acompanhado esta tendência não sendo pois estranho que o peso do turismo no PIB do país seja reduzido (menos de 1,0 por cento em 2018). Esta situação é tanto mais grave quanto os países da região apresentam todos uma contribuição do turismo no PIB bastante superior a de Angola.

Estima-se que as restrições impostas pela pandemia provocaram o encerramento de mais de 50 por cento das empresas ligadas ao turismo. Um sector que, até ao momento, não beneficiou das políticas de alívio financeiro.

Em termos de atracção de turistas, cita a fonte, Angola tem baseado esta actividade nos turistas domésticos (representam cerca de 70 por cento do mercado). Esta situação tem compensado de certa forma a ausência do turismo internacional e representa um enorme potencial para o país.

Os gastos que estavam a diminuir, viram uma alteração nos últimos anos. Ainda assim, registou-se uma diminuição dos gastos de 2017 para 2018. O peso do turismo nas exportações é totalmente residual, havendo um enorme potencial de crescimento neste sector.

Dos cerca de 217,7 milhares de turistas que visitaram Angola em 2019 cerca de 27 por cento vieram de Portugal, aumentando assim o peso deste país no turismo em Angola. Por outro lado verificou-se um aumento de turistas provenientes de França e uma redução da África do Sul.

A capacidade de alojamento do turismo em Angola, em 2018, esteve concentrada em três províncias (Luanda, Benguela e Huíla). Apesar do alojamento dominante ser constituído por hospedarias, os hotéis têm maior peso no que toca ao número de quartos e camas oferecidas e empregam também mais funcionários do que os outros alojamentos pelo país.

A União Africana estima que o sector do turismo em África terá perdido perto de 50 mil milhões euros desde o início da pandemia provocada pela Covid-19.


 Dia Mundial

Nas comemorações do "Dia Mundial do Turismo”, que se celebra todos anos a 27 de Setembro, o Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente realiza de hoje até sexta-feira, um ciclo de conferências. As actividades incluem visitas, mesas redondas e um fórum, agendado para amanhã, no Arquivo Nacional de Angola, em Camama, onde vai discutir-se "Os desafios do turismo na era da pandemia da Covid-19”.

A jornada encerra com uma visita fluvial à foz do Rio Cuanza, na sexta, sendo que antes na quarta vai-se ao miradouro da Lua e na quinta acontece outro fórum sobre "Infraestruturação dos Pólos de Desenvolvimento Turístico”.

Na Europa, por exemplo a Espanha previu receber, só este ano, cerca de 45 milhões de turistas estrangeiros, mais da metade do volume que era registado antes da pandemia, de acordo com dados que citam a ministra do Turismo daquele país, prevendo o impacto da reabertura das fronteiras. O turismo internacional em Espanha – o segundo país mais visitado do mundo – caiu 80 por cento no ano passado, ante 83,5 milhões de visitantes em 2019.

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