Política

Angola pretende contribuir para tornar perene o legado de Kaunda

Pedro Ivo

Jornalista

O Estado angolano pretende contribuir para a preservação do legado do primeiro Presidente da República da Zâmbia, Kenneth Kaunda, recordando o seu comprometimento na defesa do Movimento dos Países da Linha da Frente, na luta de libertação nacional e contra o regime do Apartheid na África do Sul.

22/06/2024  Última atualização 13H05
Legado de Kenneth Kaunda juntou entidades políticas nacionais, diplomatas e investigadores © Fotografia por: DR

A pretensão foi avançada, quinta-feira, em Luanda, pela secretária de Estado para a Administração, Finanças e Património do Ministério das Relações Exteriores (MIREX), Maria Auxiliadora Ramiro, na abertura do Colóquio Internacional em alusão ao centenário natalício do fundador da nação zambiana, assinalado a 28 de Abril deste ano, em acto realizado na Academia Diplomática Venâncio de Moura.

A responsável lembrou que o líder político desempenhou activamente um papel crucial no apoio diplomático a Angola, tornando a Zâmbia um palco de deliberações e negociações, que culminou com a assinatura do Protocolo de Lusaka, a 20 de Novembro de 1994, durante o qual Kenneth Kaunda reafirmou a necessidade de uma convivência harmoniosa entre irmãos com ideologias diferentes.

Maria Auxiliadora citou, também, a mensagem do Presidente João Lourenço, aquando do falecimento de David Kenneth Kaunda, a 17 de Junho de 2021, na qual o estadista angolano referenciava que o Pai da Independência da Zâmbia dedicou a sua vida à libertação do seu povo, acção que se estendeu à Região Austral de África, em que mediou vários conflitos, integrando os Estados da Linha da Frente contra o regime do Aparheid na África do Sul.

"Estas palavras proferidas pelo Chefe de Estado, João Lourenço, traduzem o profundo reconhecimento do Estado angolano e a sua liderança à trajectória política do Presidente Kaunda nas suas múltiplas dimensões, nomeadamente como pai-fundador da República da Zâmbia, co-fundador do Movimento dos Países da Linha da Frente e da SADC, assim como no papel de Pan-Africanista e um dos grandes impulsionadores do Grupo dos Não-Alinhados, que levou a mensagem de África ao mundo, num quadro de rivalidades resultantes da Guerra Fria”, destacou.

Maria Auxiliadora destacou ainda o contributo político e diplomático de Kenneth Kaunda na consciencialização para a solidariedade africana, liberdade dos povos e coesão dos Estados da África Austral.

  Embaixada zambiana enaltece o contributo prestado por Angola

Em declarações à imprensa, a encarregada de Negócios da Embaixada da Zâmbia em Angola, Roster Kapaya, reconheceu o contributo de Angola para a preservação do legado de Kenneth Kaunda, e enalteceu, igualmente, os feitos do Presidente João Lourenço, enquanto Presidente em exercício da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), para o reconhecimento da grandiosidade desta figura.

"O facto da República de Angola reconhecer aqui a importância de Kenneth Kaunda, é um motivo de extrema alegria para os zambianos”, afirmou, acrescentando que a iniciativa reflecte as sólidas relações entre os dois países.

A educação, narrou Roster Kapaya, era fundamental para Kenneth Kaunda, em que um dos passos que tomou como Presidente foi declarar e anunciar a educação de graça para todos.

"Kenneth Kaunda jogou um papel preponderante para a reconciliação entre os movimentos de libertação de Angola, cumprindo com aquilo que era o seu papel como moderador nos conflitos que já se avistavam naquela altura”, enfatizou, lembrando a reunião que o primeiro estadista zambiano teve com António Agostinho Neto, quando este regressava de uma viagem da Tanzânia para encontrar consensos entre os movimentos de libertação.

Relativamente à cooperação entre a Zâmbia e Angola, a diplomata assegurou existir uma relação de amizade "bastante sólida e frutífera”, principalmente nos domínios da educação, energia e agricultura, bem como da constante interacção e comunicação entre os Presidentes João Lourenço e Hakainde Hichilema.

Filho de Kaunda agradece o gesto

Durante a cerimónia de homenagem, um dos filhos de Kenneth Kaunda, Kaweche Kaunda, apresentou os agradecimentos ao Governo angolano em nome da família, sublinhando ser um grande privilégio ver os feitos e legado do pai a serem reconhecidos na Pátria de Neto.

Como pai, recordou, Kenneth Kaunda foi um homem que sempre preservou a educação dos filhos, principalmente a religiosa, defendendo  a ideologia de amarem a Deus acima de todas as coisas, pois acreditava que o homem foi feito à sua imagem e semelhança.

Nacionalistas destacam figura de Kenneth Kaunda

A ex-guerrilheira e general do exército na reserva Luzia Inglês "Inga” contou que conheceu o antigo estadista zambiano em 1968, quando saía da 2.ª Região para reforçar a Frente Leste, na província do Moxico.

Luzia Inglês reconhece que Kaunda desempenhou um papel relevante e estava sempre disponível para ajudar os movimentos de libertação na África Austral.

Inga lembrou, ainda, que nessa altura Kenneth Kaunda instalou em Lusaka todos os movimentos de libertação da África Austral, onde conheceu os membros da FRELIMO, SWAPO e ANC, organizações que lutavam para a independência de Moçambique e da Namíbia e para o fim do Apartheid na África do Sul.

Por sua vez, o nacionalista Lucas Ngonda considerou Kaunda uma figura entre as grandes personalidades da História de África, pelo facto de fazer parte do grupo que criou as bases para a independência e libertação dos povos do continente, através da sua participação no Movimento Pan-africano.

Isaías Samakuva, que falou sobre o contributo do primeiro Presidente zambiano para a libertação de África, argumentou que Kenneth Kaunda se comprometeu de forma justa logo nos primórdios da luta de libertação para o estabelecimento das relações consistentes entre a Zâmbia e Angola.

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