Opinião

Angola Oil & Gás 2019 - Oportunidades que o mundo quer e que nós precisamos aproveitar

A diversificação da economia tem sido uma importante bandeira da actual governação angolana. Isso, no entanto, nunca significou ignorar o facto de que Angola seja um dos mais importantes produtores de petróleo do continente africano e que se houve ou há equívocos na gestão deste importante sector, “matar o carrapato é válido, mas a vaca deverá ser preservada”. Atento aos movimentos recentes da indústria de petróleo e gás, o Presidente João Lourenço chamou para si a responsabilidade de participar activamente na realização da Conferência e Exposição “Angola Oil & Gas 2019”, organizada pela AOP – Africa Oil & Power, de 4 a 6 de Junho no Centro de Convenções de Talatona, em Luanda.

03/06/2019  Última atualização 07H58

O interesse em torno deste evento está reflectido de diferentes maneiras, mas chamam a atenção pelo interesse de participar no evento manifestado por diferentes países. Desde os mais de cem órgãos de comunicação social já credenciados, com especial destaque para a presença em Luanda de órgãos de media internacionais de referência como a CNN, Financial Times, Bloomberg ou Energy Intelligence. Mas é ainda mais sintomático da importância do evento a participação das maiores companhias energéticas do planeta que estarão representadas pelos seus executivos do topo. Entre as empresas estão confirmadas a Total, Chevron, ExxonMobil, BP, ENI e Equinor.
Sabemos que o sector de petróleo e gás é marcado por histórias de demissões, falências, euforia e estagnação. Como tudo na economia, se o preço do barril de petróleo está baixo ou se está a ser negociado por um bom valor, tudo isso faz parte do ciclo natural do negócio e influencia directamente na economia dos países que dependem do famoso “ouro negro” para assegurar o equilíbrio das contas públicas e bem-estar social. Por isso, este evento ganha importância ainda maior. Nele - entre outras coisas - serão tratadas as novas modalidades e regras angolanas consideradas como o início de uma nova era no sector do petróleo e gás da República de Angola, com o Pré-anúncio do Concurso de Licitação de Blocos Petrolíferos, liderado pela nova concessionária, a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis.
Angola também ingressa na importante actividade da refinação. A assinatura dos contratos de adjudicação e empreitada para a construção da Refinaria de Cabinda e para a construção da Unidade de Produção de Gasolina na Refinaria de Luanda, por exemplo, constituem um marco na história da economia do nosso país. Se é verdade que o petróleo no nosso país é a principal fonte de receitas e deve servir como uma fonte de recursos para as áreas de educação, ciência e tecnologia, e defesa nacional, também é verdadeira a afirmação de que é uma importante fonte de matérias-primas para a refinação em solo angolano.
Nesse contexto, devemos resgatar a importância estratégica da SONANGOL, não somente na área de exploração e produção, pois isso tem sido feito há décadas, mas aqui devemos registar também a refinação e, posteriormente, a distribuição como importantes incrementos económicos que se farão reflectir na economia do país como um todo. É importante que todo esse potencial que é revelado a partir da combinação de petróleo, gás e refinação seja visto como uma oportunidade que exige uma política estratégica, pois diante do potencial de crescimento económico que o conjunto de actividades “do poço ao posto” apresenta, pode existir, como vimos no Iraque e na Líbia, uma maldição.
O que seria esta maldição? Em vez de reforçar a visão histórica e estratégica do sector petrolífero no nosso país, onde a SONANGOL passa a ser uma empresa integrada de energia, podemos ver forças internacionais a trabalharem para levar esta empresa angolana à desintegração. Isso representaria graves consequências não apenas para a nossa economia, mas também até mesmo para a segurança nacional, pois como vimos a acontecer em outros países, motivos podem ser forjados para que esta importante riqueza seja explorada longe do nosso controlo.
Apesar do momento difícil que a indústria de óleo e gás passa em todo o planeta, este é ainda um dos sectores mais estáveis da economia em todo o mundo, nos quais os projectos tendem a ser extensos, com valores elevados em dólares, e que - por isso - tem enorme potencial para a geração de postos de trabalho, especialmente naquilo que se refere à mão-de-obra qualificada. Por isso, realizar este evento neste momento em Luanda é de importância sem precedentes para a economia do nosso país e o surgimento robusto de uma indústria nacional capaz de reduzir o excesso de valorização do próprio petróleo na nossa economia e no nosso futuro.

* Director Nacional de Comunicação Institucional. A sua opinião não engaja o MCS

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