Política

Angola esperançada na estabilidade da Guiné

O embaixador de Angola na Guiné-Bissau, Daniel Rosa, renovou, em Bissau, esperanças da constituição, naquele país, de um Governo que possa, efectivamente, consolidar o processo de estabilidade política e de desenvolvimento económico e social.

16/03/2019  Última atualização 07H37
Embaixada Angola,Guiné-Bissau © Fotografia por: Embaixador de Angola na Guiné-Bissau, Daniel Rosa

Em entrevista à Angop, na quinta-feira, em Bissau, o embaixador Daniel Rosa disse esperar que seja formado um Governo que esteja pronto a cooperar com a comunidade internacional, em especial com Angola, com quem tem laços de amizade e solidariedade alicerçados ao longo da luta de libertação nacional contra o colonialismo português.

A Guiné-Bissau realiza eleições legislativas e presidenciais de forma regular desde 1994, mas nenhum Governo concluiu uma legislatura, assim como nenhum Presidente da República concluiu um mandato.Os actos de governação são sempre interrompidos por via de golpes de Estado ou por divergências de fundo no plano político entre o Primeiro-Ministro e o Presidente da República.

O diplomata angolano disse que, em função das sucessivas crises políticas na Guiné-Bissau, o Estado angolano suspendeu a implementação de projectos ambiciosos naquele país, avaliados em mais de 700 milhões de dólares.Trata-se do projecto de exploração mineira Bauxite-Angola, da construção do Porto de Águas profundas de Buba (zona sul de Bissau), bem como do caminho-de-ferro que facilitaria o escoamento de produtos mineiros para outros países. “Só nesta legislatura assistimos à nomeação de sete primeiros-ministros, o que significa que o país é muito instável, razão pela qual suspendemos a implementação destes projectos”, declarou.

Daniel Rosa disse estar convicto de que, depois da estabilização política na Guiné-Bissau, Angola vai solicitar a realização de uma reunião da Comissão Mista Bilateral, para que a Guiné-Bissau redefina as prioridades em que o Estado angolano possa dar a sua contribuição.

Eleições ordeiras

O diplomata elogiou a forma “ordeira e pacífica” como decorreram as eleições legislativas de domingo, ganhas pelo Partido da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), liderado por Domingos Simões Pereira, com 46, 1 por cento dos votos expressos.

O diplomata informou que Angola doou um milhão de dólares, com base no Acordo de Financiamento assinado entre o Governo angolano e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).“A comunidade internacional, em especial Angola (faz parte do Comité de Pilotagem do Processo Eleitoral), não vão abandonar a Guiné-Bissau, aliás basta ver pela contribuição que sempre demos no passado e voltamos a dar em 2018 para a estabilização política desse país membro da CPLP”, observou.

O embaixador disse que a comunidade internacional jogou um papel decisivo, quer na facilitação do diálogo, quer nas contribuições materiais e financeiras, o que permitiu a conclusão do recenseamento dos eleitores e de todas as fases conducentes ao processo eleitoral.A este propósito, Daniel Rosa destacou o papel da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que permitiu a assinatura do Roteiro de Bissau para a saída da crise-política institucional, o Acordo de Conakry e o Protocolo Adicional de Lomé, que viabilizou a nomeação do actual Governo, em Abril de 2018, liderado por Aristides Gomes.

Segundo Daniel Rosa, as relações entre os dois países são "boas", tendo sido reforçadas com a abertura de uma Missão Diplomática de Angola na Guiné-Bissau, em 2006. Em 2007 realizou-se, em Bissau, a 1ª Sessão da Comissão Mista Bilateral, que resultou na assinatura do Protocolo de Cooperação Económica entre os dois países.Mas a implementação de um Acordo Geral de Cooperação tem sido de difícil execução, devido às constantes alterações dos interlocutores guineenses, resultante da instabilidade política.

As dificuldades económicas e, sobretudo, a instabilidade política, disse, são factores que impediram o estabelecimento de um quadro propício à realização de acções e projectos de cooperação.

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