Política

Angola e ONU avaliam soluções da crise na RCA

Ismael Botelho

Jornalista

As vias para a solução do conflito na República Centro-Africana (RCA) foram analisadas, ontem, em Luanda, durante a audiência que o Presidente João Lourenço concedeu aos representantes especiais do Secretário-Geral da ONU na África Central, François Fall e na RCA, Mankeur Mankeur, ambos secretários-gerais adjuntos da Organização das Nações Unidas (ONU).

07/10/2021  Última atualização 09H25
Altos funcionários das Nações Unidas destacaram o engajamento do Presidente João Lourenço © Fotografia por: Santos Pedro | Edições Novembro
Em declarações à imprensa, François Fall e Mankeur Mankeur enalteceram o empenho do Estadista angolano na busca da paz para aquele país.

François Fall afirmou que o encontro serviu para exaltar os esforços do Presidente João Lourenço para a paz na RCA e na Região dos Grandes Lagos.

Disse ter sido avaliada a situação local e as formas para implementar o roteiro para paz e reconciliação nacional definitiva na RCA.

Mankeur Mankeur explicou que o roteiro para o cessar-fogo deverá passar pelo acantonamento das forças rebeldes, a recolha de armas e busca de financiamento, com acompanhamento da ONU e dos representantes regionais.

O Presidente da República tem defendido, em fóruns regionais e internacionais, incluindo na ONU, o levantamento do embargo de armas imposto à República Centro Africana.
Encontro no Mirex

Antes, os dois altos funcionários das Nações Unidas  estiveram reunidos com o ministro das Relações Exteriores, Téte António.

O encontro serviu para abordar os passos que estão a ser dados depois da realização da Mini-Cimeira de Luanda, que juntou os Estadistas dos países membros da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos(CIRGL) , cuja presidência rotativa é assumida por Angola, que está fortemente engajada no alcance da paz e estabilidade política na RCA. 

O ministro Téte António destacou o empenho de Angola e do presidente da CIRGL, João Lourenço, em continuar com os esforços para o alcance da construção da paz e estabilidade político-militar na RCA, que engaja todas as partes consideradas importantes no processo, via roteiro conjunto, que espera dos grupos armados a consolidação de um ambiente pacífico. 

O representante especial na África Central, François Fall, referiu que a deslocação a Luanda foi de "extrema importância para a ONU” e serviu para avaliar a crise na RCA, os aspectos ligados à reconciliação, o embargo de armas e a situação humanitária. Analisou, igualmente, o envolvimento do Governo daquele país na consolidação do processo de desarmamento dos grupos rebeldes.

François Fall informou, ainda, que foram apreciadas as vias para a saída definitiva da crise através da Conferência Internacional dos Grandes Lagos e o roteiro a seguir, que vai, também, permitir o cumprimento do acordo político para a paz na RCA.  
Embargo de armas

Sobre o levantamento do embargo de armas, disse, existem conversações avançadas com a Missão das Nações Unidas para a República Centro Africana (MINUSCA), onde foi solicitada a anulação e resolução desta questão, mas, para isso, afirmou, será necessária a formação do pessoal, das forças envolvidas e a garantia de segurança interna. "Esperamos continuar este trabalho a nível das Nações Unidas”, garantiu. 
Crise humanitária

Considerou que um dos impactos imediatos do conflito é a crise humanitária visível na região. Para o efeito, afirmou, estão a ser mobilizados os parceiros para garantir segurança perante os entraves actuais, nomeadamente as questões de segurança e acesso às populações locais e só depois será possível atender os deslocados e refugiados da RCA. Neste momento, referiu, estão a decorrer negociações entre o Governo e os grupos rebeldes, mediante o acordo de cessar fogo conseguido em Setembro último, em Luanda, para que esta situação se resolva. "Penso que este diálogo deve-se manter para que as hostilidades cessem”, disse.   
Avanços registados 

Segundo o representante especial do Secretário-Geral da ONU na RCA, Mankeur Mankeur, que considerou o encontro frutífero, o roteiro definido na Mini-Cimeira de Luanda é viável e deve ser tido em conta, para o alcance de um cessar fogo duradouro. "É por esta razão que viemos reforçar o nosso pedido de apoio ao Governo angolano”, reiterou. O objectivo que norteou a reunião conjunta, disse, é saber que passos mais foram dados até ao momento e que outros aspectos estão reservados para ajudar a RCA a sair deste impasse em que se encontra actualmente.

"Mais do que agradecer o empenho de Angola pelo apoio que tem prestado aos esforços da paz e estabilidade política na região, passamos em revista o roteiro que vai ser aplicado nos próximos tempos. Notamos que as coisas estão no bom caminho”, reconheceu.*Com Angop

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