Opinião

Angola e Guiné Conacri

Editorial

O Presidente da República, João Lourenço, inicia hoje na República da Guiné Conacri, país que desde cedo se solidarizou com os angolanos durante a luta pela Independência Nacional, uma visita de trabalho a convite do Chefe de Estado, Alpha Condé.

29/07/2021  Última atualização 05H00
Os dois países, com a presença do Mais Alto Magistrado da nação angolana e a delegação que o acompanha, vão aproveitar para fortalecer os laços políticos e diplomáticos, reforçar a cooperação económica, comercial e, não menos importante, revisitar a História.
Afinal, uma das coisas de que os angolanos se lembrarão sempre é, precisamente, o apoio que o povo e o Estado da Guiné Conacri, sob a presidência do Pai da Independência daquele país, Ahmed Sekou Touré, prestou à causa da emancipação de Angola contra a colonização portuguesa.

A liberdade dos povos africanos e o direito à autodeterminação dos territórios colonizados eram pressupostos vitais para o Pai da Independência da Guiné Conacri ao ponto de defender, numa das várias intervenções públicas,  que "seria preferível viver na pobreza com liberdade, em detrimento da riqueza sob a escravatura”.

Felizmente, o sonho das independências efectivou-se em África, de uma maneira geral, e hoje os Estados debatem-se  com outros desafios, tais como o da cooperação Sul-Sul, enquanto plataforma através da qual os países do hemisfério sul, com economias complementares e maior propensão para as vantagens verdadeiramente recíprocas, devem trilhar.

Embora os laços económicos e comerciais sejam residuais, quando olhamos para os números, mas, na verdade, existem  áreas de interesse comum em que os dois países, as respectivas redes empresariais e de homens de negócios, entre outros, poderão explorar. A ligação aérea entre os dois países pode também ajudar no encurtamento da distância, na aproximação entre os empresários para o estabelecimento de parcerias e o reforço da ligação entre os povos. 

Estes esforços devem também ser encarados fundamentalmente numa espécie de preparação e antecipação à efectivação da Zona de Livre Comércio Continental Africana (ZLCCA), que os africanos pretendem implementar no continente. Quanto mais próximos e conectados estiverem os países africanos, por via dos acordos bilaterais ou multilaterais, promovendo a livre circulação de pessoas e bens entre si, mais facilmente se materializará a ZLCCA.

Neste sentido, Angola e Guiné Conacri dão agora um pequeno passo, ao estreitarem os laços bilaterais, com esta visita de trabalho do Presidente João Lourenço.

Com um potencial inegável na indústria mineira, ao lado das vantagens comparativas no campo agrícola, bem como os actuais esforços que a actual governação faz para atrair investimentos, não há dúvidas de que a Guiné pode ser o destino dos investimentos da classe empresarial angolana.  A realidade angolana, caracterizada pela melhoria contínua do ambiente de negócios, da abertura das autoridades angolanas para os acordos de protecção de investimentos, entre outros, assemelha-se ao da Guiné Conacri, razão pela qual ambos os países se complementam.

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