Política

Angola e EUA analisam investimentos recíprocos no sector de Energia

António Gaspar, e Elizandra Major

Jornalistas

O ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, disse, quarta-feira, em Luanda, ser necessário que os Governos de Angola e dos Estados Unidos da América (EUA) alinhem objectivos e acções para que a realização de investimentos no sector energético seja uma realidade.

14/06/2024  Última atualização 09H03
Encontro vai permitir avançar com o compromisso comum para um futuro energético seguro © Fotografia por: Edições Novembro

Ao intervir na abertura do IV Diálogo entre Angola e os EUA, que decorre sob o lema "A Segurança Energética em Angola”, Diamantino Azevedo referiu que se devem reforçar as relações de cooperação entre os dois países no domínio empresarial deste sector, para que ambos os Estados incrementem trocas comerciais.

Para isso, o ministro salientou que é necessário que o financiamento, assistência técnica, capacitação institucional e dos recursos humanos estão no centro da cooperação bilateral, sem deixar de lado a reflexão sobre os desafios da indústria de petróleo e gás face à actual transição energética, consubstanciada na passagem dos combustíveis fósseis para energias renováveis.

Neste particular, Diamantino Azevedo destacou alguns objectivos, nomeadamente a descarbonização, inscritos no Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2023-2027 do Governo de Angola, promoção da eficiência energética no upstream (fases iniciais de um processo) e no downstream (engloba as fases finais — como a produção e distribuição), que tem como propósito reduzir as emissões de dióxido de carbono e metano na natureza, que incluem a redução da queima de gás na tocha e a sua eliminação até 2030.

Ainda assim, o titular da pasta dos Recursos Minerais sublinhou que o plano de acção do sector da energia para o quinquénio 2023-2027 perspectiva melhorar significativamente a segurança energética do país, garantindo um fornecimento de energia eléctrica mais estável, sustentável e acessível aos cidadãos.

"O alinhamento está claro. Não queremos ficar de fora desta transição energética, mas tendo sempre em conta a nossa própria estratégia, agenda e não depender de agendas de terceiros. Continuaremos a explorar os nossos hidrocarbonetos, mas o que estamos a fazer é cada vez mais explorá-los de forma limpa, descarbonizando, diminuindo a emissão de gases de efeito estufa. Vamos continuar a promover as energias renováveis, promover energia hídrica e os biocombustíveis", explicou.

Diamantino Azevedo acrescentou, no entanto, que investir em energias renováveis, como a solar, eólica, biomassa e hídrica, para diminuir a dependência dos combustíveis fósseis representa uma meta que tem sido contemplada nos planos estratégicos do sector de energia e que "não é diferente no plano de acção 2023-2027".

Para o ministro, Angola tem também um potencial de biomassa de 3 gigawatts (GW), zonas onde a velocidade média anual permite a exploração de energia eólica, um grande potencial hídrico, com cerca de 18 GW e fortes níveis de irradiação anual que incentivam a produção de energia solar fotovoltaica em todo o seu território.

Angola considerada líder em energia renovável no continente

O embaixador dos Estados Unidos da América (EUA), Tulinabo Mushingi, afirmou que o investimento de Angola em energia limpa está a estabelecer rapidamente o país como líder em energia renovável em África.

"Os Estados Unidos da América, orgulhosos de fazer parte deste sucesso, demonstram o acordo celebrado com Angola no mês de Maio do presente ano em Dallas, Texas”, sublinhou.

Tulinabo Mushingi fez esta afirmação, ontem, quando discursava no IV Diálogo entre os Estados Unidos da América sobre "Segurança Energética em Angola”.

O diplomata americano disse que o referido encontro reflecte a profunda cooperação histórica entre os EUA e Angola em questões energéticas, reforçada por 900 milhões de dólares para o desenvolvimento da energia solar no país.

"Este diálogo, através do nosso compromisso combinado, fará avançar a nossa visão comum para um futuro seguro em termos energéticos”, frisou.

Segundo Tulibano Mushingi, a cooperação em questões energéticas tem estado no centro dos interesses comuns dos dois países.

O embaixador dos Estados Unidos da América lembrou que as relações de colaboração vêm de longa data, tendo referido que as mesmas têm permitido a criação de emprego e investimento de empresas americanas em Angola.

"A colaboração em matéria de energia remonta há décadas. Nos firmamos em Angola há 70 anos, isto em 1954, quando a Chevron iniciou o seu primeiro estudo geológico de campo, antes de perfurar o poço, quatro anos mais tarde, em 1958”, referiu.

Tulibano Mushingi considerou igualmente que a realização do IV Diálogo sobre a Segurança Energética em Angola é um sinal do crescimento contínuo e positivo da relação entre Angola e os Estados Unidos.

"A presença em Luanda de uma delegação americana tão vasta reflecte o lugar central que as questões energéticas ocupam na relação entre ambos os países”, destacou.

Compromisso do Governo dos Estados Unidos

Por seu turno, o sub-secretário para os Recursos Energéticos dos EUA, Geoffrey Pyatt, disse que o encontro reflecte o alcance do compromisso do Governo americano em apoiar Angola na parceria energética ao nível do Governo americano.

Geoffrey Pyatt destacou que existe um compromisso forte entre os EUA e Angola nas diversas áreas do sector da energia.

"Angola também é líder em questões de energias limpas e renováveis, e nós sabemos que cerca de 70 por cento das vossas fontes de energias são renováveis. isto é algo notável e está alinhado com a visão da Administração Biden para a África”.

O subsecretário para os Recursos Energéticos dos EUA, informou que dentro em breve será lançado um programa de cooperação técnica de desenvolvimento do quadro regulador e de políticas que contribuam para a atracção de investimento para Angola.

"Estamos satisfeitos de estar aqui em Angola a desempenhar este papel importante nesta área e também ajudar a desenvolver a nossa capacidade de processamento destes minerais”, garantiu.

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