Política

Angola confiante no alcance da paz na RCA

Adelina Inácio|

Jornalista

O Presidente em exercício da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL), João Lourenço, manifestou ontem confiança de, brevemente, se alcançar uma solução sustentável e duradoura para o conflito na República Centro Africana.

17/09/2021  Última atualização 09H45
Luanda acolheu, ontem, terceira Mini-Cimeira sobre a situação de paz e segurança na RCA © Fotografia por: kindala Manuel | Edições Novembro
João Lourenço, que discursava na terceira Mini-Cimeira da Região dos Grandes Lagos sobre a situação política e de segurança na República Centro Africana, reafirmou o apoio incondicional da organização sub-regional e espera por soluções que levem a paz e a estabilidade na República Centro-Africana.

 Salientou que a  CIRGL, enquanto mecanismo de coordenação da União Africana, intervém no processo centro-africano no quadro do princípio de subsidiariedade. 

João Lourenço considerou importante partilhar, com a União Africana, tudo quanto foi realizado e alcançado até ao momento e os passos a dar no quadro da implementação do Roteiro para a paz.

 O  Presidente da República falou das diligências  feitas pelos Presidentes da CIRGL e CEEAC(Comunidade Económica dos Estados da África Central) no Conselho de Segurança das Nações Unidas para estabilidade na RCA. Lembrou que a este órgão foi apresentado um conjunto de acções realizadas a nível regional no âmbito da resolução do conflito centro-africano. 


Apelo ao fim do embargo

O Presidente da CIRGL manifestou preocupação pela manutenção do embargo de armas, na medida em que a República Centro -Africana está a viver um contexto político interno diferente, caracterizado pela legitimidade das instituições do Estado.

Para João Lourenço, a prevalência desta situação impede as autoridade Centro-Africanas de usufruir das capacidades necessárias para garantir a sua própria segurança.

O Chefe de Estado angolano encorajou o homólogo da RCA, Faustin Archange Touadera, a continuar com a força de vontade e compromisso que tem demonstrado, assumindo e liderando o processo de paz, em particular a implementação eficaz do Roteiro Conjunto para a Paz, assim como assegurar o cumprimento por parte dos diferentes signatários, do Acordo Político para a Paz e Reconciliação na RCA, enquanto principal instrumento para a promoção da paz.


Aproveitar bons ofícios

João Lourenço apelou a República Centro Africana a não perder esta oportunidade que se lhe oferece de alcançar a paz, não apenas pela via da conjugação de esforços das forças militares nacionais e do contingente das Nações Unidas, mas também em capitalizar os avanços alcançados no campo da negociação quer com as forças políticas internas da oposição e da sociedade civil, assim como com as lideranças dos grupos rebeldes a partir do exterior, através dos bons ofícios de Angola, do Rwanda e do Tchad em nome das duas sub-regiões, a CIRGL e a CEEAC.

Destacou a importância do Roteiro Conjunto para a Paz na República Centro-Africana, tendo adiantado que o instrumento define os principais eixos e o conjunto de acções a implementar no âmbito do processo de pacificação, cuja participação de todas as forças vivas centro-africanas será indispensável para o sucesso.

Denis Sassou Nguesso, Presidente da República do Congo e da CEEAC, defende que a sub-região deve continuar no centro do processo de resolução da crise na  RCA.  Para o Presidente Congolês, o Roteiro da Paz confirma o engajamento e mobilização dos líderes da sub-região em benefício da RCA.

" Esperamos que outros autores  políticos e sociais implicados devem olhar na mesma direcção para retirar a RCA do separatismo. Não devemos deixar de insistir nesta condição para transformarmos o ódio, as incompreensões e a raiva em novo fôlego de patriotismo e aceitação de irmãos”, defendeu.

O Presidente da RCA, Faustin-Archange Touadera, agradeceu o empenho do Presidente João Lourenço e o seu compromisso na estabilidade e paz na RCA e na Região dos Grandes Lagos. Faustin-Archange Touadera agradeceu, igualmente, a intervenção do Presidente João Lourenço no Conselho de Segurança das Nações Unidas a favor da RCA e os esforços do Presidente Denis Sassou Nguesso para o levantamento do embargo de armas.

Estas acções, prossegui, são uma prova da solidariedade africana, do engajamento da CIRGL e da CEEAC na busca da paz e da segurança na RCA.
Moussa Faki Mahamat, presidente da Comissão da União Africana destacou os esforços de Angola, na qualidade de presidente da CIRGL, para a paz e reconciliação na RCA.

A terceira Mini-Cimeira de Luanda teve como objectivo principal analisar os resultados alcançados, no âmbito da implementação das recomendações das primeira e segunda Mini-Cimeiras de Luanda, de 29 de Janeiro e 20 de Abril de 2021, incluindo a apresentação do Roteiro Conjunto para a Paz na República Centro-Africana (RCP-RCA).


  Apelo para a libertação incondicional de Alpha Condé


O Presidente João Lourenço apelou ontem, em Luanda, à libertação imediata e incondicional do Presidente da República da Guiné, Alpha Condé. Ao discursar na abertura da terceira Mini-Cimeira sobre a situação de paz e segurança na RCA, João Lourenço disse que a organização junta-se aos apelos da CEDEAO, da União Africana e das Nações Unidas.

"Esta Mini-Cimeira de Luanda deve juntar a sua voz à da CEDEAO, da União Africana e das Nações Unidas, pela libertação imediata e incondicional do Professor Alpha Condé, Presidente da República da Guiné”, sublinhou.

No comunicado final da Cimeira, os Chefes de Estado e de Governo condenaram o golpe de Estado na República da Guiné e apoiaram a posição da CEDEAO, da União Africana e das Nações Unidas, que exige a libertação imediata e incondicional do Professor Alpha Condé, Presidente da República da Guiné.

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