Política

Angola com mais vagas na UA

Depois da 38ª sessão do Conselho Executivo da União Africana (UA) ter aprovado o novo sistema de quotas, Angola passou de 39 para 74 vagas, embora possua só 5 funcionários efectivos da Comissão, o que representa 7% e nenhum ocupa posição de chefia, soube-se de fonte oficial.

07/10/2021  Última atualização 14H00
Presença incipiente de angolanos contrasta com importância estratégica do país © Fotografia por: DR

Para o representante permanente de Angola junto da UA e embaixador na Etiópia, Francisco da Cruz, que falava terça-feira em video-conferência organizada pela Associação dos Tradutores e Intérpretes de Angola (ATIA) e do Clube de Tradutores (CLUTRAD), a presença é incipiente e desalinhada com a importância estratégica do país no continente.

Angola pretende corrigir isso com uma estratégia de inserção de cidadãos nacionais na organização e disse que, no âmbito da operacionalização da fase inicial do plano de transição para a nova estrutura da União Africana, se prevê o preenchimento de 78 vagas de directores e chefes de divisão, cujo recrutamento decorre de Maio deste ano a Setembro de 2022.

Anunciou que a segunda etapa contemplará 421 vagas para os cargos de nível táctico ou profissional intermédio e júnior para responder, na prática, à decisão da assembleia dos Chefes de Estado e de Governo da UA quanto à admissão de 35% de jovens na força de trabalho da instituição até 2025.

"As fases I e II vão oferecer oportunidades para categorias profissionais, incluindo funções como revisores, supervisores, tradutores e intérpretes”, referiu o diplomata, citando que os serviços de tradução e interpretação em português estão sob domínio de moçambicanos, pois o país tem só três funcionários regulares (efectivos).

Disse ser necessário implementar as orientações presidenciais e de iniciativas diplomáticas para inserção de quadros nacionais nas estruturas da UA ligadas à criação de base de dados de potenciais candidatos de reconhecida capacidade profissional susceptíveis de concorrerem a cargos estratégicos e de nível táctico para melhor defesa dos interesses de Angola.

Aos candidatos chamou atenção para apresentação curricular com os requisitos do programa informático pré-avaliativo do sistema baseado no mérito e na preparação para entrevistas assentes em competência com vista a facilitar a estruturação das respostas no processo de avaliação e na capacidade de elaboração da visão a transmitir nos painéis de selecção.

Defendeu a submissão atempada das candidaturas, para se evitar a eliminação precoce, a melhoria dos mecanismos de divulgação de oportunidades e a mobilização de quadros angolanos no sentido de estarem mais atentos e interessados em participar nos concursos, na perspectiva de fazerem carreira profissional regional, continental ou internacional.

Louvou a ATIA e o CLUTRAD que têm "a missão de congregar e capacitar profissionais especializados em serviços de tradução e interpretação, a fim de transmitir a credibilidade necessária a estas funções cada vez mais importantes para tornar a comunicação facilitada e melhorar o entendimento entre as partes num diálogo ou negociação em línguas diferentes”.

Francisco da Cruz disse que o tema da video-conferência é importante, pois, no contexto da covid-19 que está a criar mais oportunidades para reuniões virtuais, os serviços de tradução, interpretação e legendagem desempenham papel fundamental na comunicação em diferentes idiomas.

Neste momento, a União Africana possui o português, inglês, francês, árabe e espanhol como línguas de trabalho. Angola é um dos seis maiores contribuintes do orçamento estatutário da organização continental, a par da África do Sul, Argélia, Egipto, Marrocos e Nigéria.

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