Política

Angola “altamente comprometida” com as energias renováveis

Fonseca Bengui

Jornalista

Angola está altamente comprometida com a promoção de uma agenda nacional no sector das energias renováveis, apesar de figurar como um dos maiores produtores de petróleo de África, afirmou segunda-feira, em Washington, o Presidente João Lourenço.

22/09/2021  Última atualização 07H45
João Lourenço reafirmou que o país está, de forma inequívoca, empenhado na reforma e diversificação da economia © Fotografia por: Dombele Bernardo | washington
O Chefe de Estado recebeu o Prémio da Fundação Internacional de Conservação do Ambiente (ICCF), pelo seu engajamento nas acções ambientais. A ICCF é uma fundação educativa que reúne congressistas americanos, ONG e homens de negócios para a promoção de legislação e acções a favor da conservação do ambiente.
Ao discursar na gala anual da ICCF, numa das unidades hoteleiras de Washington, João Lourenço, que foi aplaudido de pé pelos presentes, ao ser apresentado, reafirmou que o país está, de forma inequívoca, empenhado na reforma, diversificação e modernização da sua economia. Na nossa agenda de reforma e diversificação económica, disse, o turismo e o ecoturismo têm um papel crucial na criação de emprego sustentável com projectos amigos do ambiente.
Na presença do Presidente da Colômbia, Ivan Duque, que também foi homenageado, e de congressistas republicanos e democratas, João Lourenço destacou as negociações com a fundação African Parks, para uma parceria público-privada para a co-gestão de longo prazo e desenvolvimento dos parques naturais de Luengue-Luiana e Mavinga, no Sudoeste do país.Ambos, disse o estadista, formam um corredor de ligação a outras zonas protegidas da região transfronteiriça protegida do Okavango-Zambeze.
O Presidente da República sublinhou o facto de a região do Okavango-Zambeze ser a última fronteira selvagem no Sul de África que compreende rios e lagos que abastecem o Delta do Okavango, no Botswana, e habitats naturais críticos para a migração das maiores populações de elefantes restantes em África e que começam a regressar para Angola vindos da Namíbia, Botswana e Zâmbia.
"A African Parks trará o financiamento e a experiência técnica necessária para conservar e administrar essas vastas áreas que estão sob crescente ameaça de desmatamento, fogo e caça furtiva”, informou.Acrescentou que a African Parks funcionará como guarda-chuva, debaixo da qual actuarão alguns dos actuais parceiros internacionais e locais de Angola, como a Panthera, a Acadir e a DBDS, organizações que prestam apoio na preservação dos felinos e das comunidades que ali se encontram.
Durante o evento, foi assinado um acordo entre o Governo de Angola e a Fundação African Parks para a gestão do Parque Nacional do Iona, no Namibe, para colocá-lo ao serviço do ecoturismo internacional.João Lourenco acredita, também, que a Fundação dos Parques da Paz, de que Angola é membro, continuará a apoiar o Secretariado Executivo do Projecto Okavango-Zambeze e de implementar, no futuro, acções em parceria, no formato pretendido por Angola.
Protocolo contra o tráfico ilícito de espécies
O Presidente João Lourenço anunciou que Angola será o terceiro signatário do Protocolo contra o Tráfico Ilícito de Espécies da Fauna e Flora Selvagens, ao abrigo da Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional.
O referido Protocolo, esclareceu, vai permitir maior diálogo entre as forças de protecção da vida selvagem a nível transnacional. Angola e outros Estados signatários, prosseguiu, comprometem-se a adoptar a legislação adequada que tipifica como crime o tráfico ilícito de vida selvagem e partes de animais selvagens.
"Ao assinar este Protocolo, a República de Angola continuará empenhada no combate aos crimes ilegais contra a vida selvagem”, declarou João Lourenço.

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  Importância do investimento  privado norte-americano

Perante uma plateia diversificada, constituída por legisladores, empresários e representantes de várias ONG, o Presidente João Lourenço voltou a destacar a vontade de Angola contar com o investimento privado americano para alcançar o sonho da construção de um país próspero, industrializado e economicamente desenvolvido.

"Para conseguirmos alcançar esse nível de desenvolvimento, contamos com o investimento privado americano, com o reforço das relações político-diplomáticas, com o reforço da cooperação económica entre Angola e os Estados Unidos da América”, disse.

João Lourenço destacou o encontro com a família americana da Virgínia, descendente dos primeiros escravos angolanos a chegar aos Estados Unidos, e a visita que efectuou ao Museu de História e Cultura Afro-Americana, no mesmo dia.

"As nossas nações partilham uma história comum cujos destinos se cruzaram para sempre, cabendo-nos a responsabilidade de identificar, explorar e capitalizar esta realidade positiva, em benefício recíproco de Angola e dos Estados Unidos da América”, apelou.

O Chefe de Estado destacou o contributo dos EUA para a desminagem em Angola, que considerou "essencial”, o investimento de empresas norte-americanas nas telecomunicações e nas energias renováveis. Deu ênfase ao quarto operador de telecomunicações, de capital norte-americano, a Africell, que se tornou no primeiro investidor privado estrangeiro a deter uma licença de telefonia móvel.

Informou, igualmente, que o maior projecto de investimento público de energia solar em Angola está a ser desenvolvido por uma empresa privada norte-americana, em parceria com uma outra.

Com financiamento ou cobertura de seguro do EximBank americano e com empresas americanas do sector, disse, estamos abertos e interessados em levar este tipo de projectos a muitos outros pontos do país, identificados pelo Executivo angolano como prioritários, no âmbito do Plano Nacional de Electrificação do país.

No sector dos Petróleos, para além da presença, há décadas, de multinacionais americanas na exploração no offshore angolano, o Presidente da República destacou a construção de uma refinaria no Soyo (Zaire), por uma empresa americana, para o processamento de 100 mil barris de petróleo bruto por dia.

"Angola tem os Estados Unidos da América como um verdadeiro parceiro estratégico de quem, para além do investimento privado, tem beneficiado de ajudas no combate à corrupção e branqueamento de capitais, no combate ao HIV-Sida, malária e à Covid-19, com a oferta de um hospital de campanha e de mais de um milhão de vacinas da Pfizer e da Johnson & Johnson”, reconheceu.




Fonseca Bengui / Washington  

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