Desporto

Andebol: Angola conserva hegemonia feminina

Teresa Luís

Jornalista

Decorridos 48 anos, o andebol, cujo aniversário assinala-se hoje, é a jóia do desporto nacional, face à hegemonia cimentada no continente africano, com destaque para o sector feminino e o número de praticantes.

20/05/2022  Última atualização 08H45
Presença constante em eventos mundiais evidencia capacidade competitiva das Pérolas © Fotografia por: M.Machangongo | Edições Novembro

Angola lidera o "ranking” feminino em África, com 26 títulos ganhos a nível de selecções, sendo 14 em seniores, nove das juniores e três das cadetes. Em relação aos clubes, os emblemas nacionais Petro de Luanda, 1º de Agosto e Ferroviário acumularam 65 troféus.

Maturidade competitiva, aliada à agressividade defensiva permitiram às jogadoras regressarem ao país, por diversas vezes, de ouro ao peito. Face ao desempenho nas distintas provas, é nota de realce a presença de vários angolanos nas diferentes comissões da Confederação Africana de Andebol (CAHB).

Pedro Godinho (vice-presidente), Zeca Venâncio (Comissão de Organização de Competições), Francisco Nascimento (Comité de Arbitragem), Vivaldo Eduardo (Comissão de Métodos e Treinamento) e Nair Almeida (Comissão de Desenvolvimento).

A nível da Selecção Nacional sénior feminina, a odisseia dourada começou em 1989, na Argélia, onde as campeãs africanas conquistaram o primeiro título, com vitória (22-18) diante a Cotê d’Ivoire, sob orientação técnica de Beto Ferreira.

Palmira Barbosa "Mirita”, Ana Paula do Sacramento Neto "Paula Silva” (ministra da Juventude e Desportos), Eliza Peres, Fábia Rapouso "Mãe do Zongue”, Chinha Garrido e Eliza Webba "Lili” foram algumas das "estrelas” daquele feito inédito.

Dois anos depois, em Argel, o grupo falhou a revalidação e perdeu (21-23) na final com a Nigéria. No ano seguinte, na Cotê d’Ivoire, Beto Ferreira e comandadas ganharam a segunda taça, com triunfo (25-22), sobre o Congo. Luzia Bezerra "Prazeres”, Lídia João e Felisbela Teixeira estrearam na Selecção.

Em 1994, na Tunísia, Angola ganhou o terceiro troféu. Na final, as Pérolas suplantaram (24-18) as ivoirienses. Rosa Torres e Filomena Trindade "Filó” eram as novatas. Na 12ª edição, 1996, Cotonou, Benin, a Selecção foi destronada e terminou na terceira posição, após derrota (21-24) com o Congo.

Dois anos depois, em terras de Nelson Mandela, Beto Ferreira voltou a liderar as senhoras de ouro e promoveu as entradas de Teresa Joaquim e Anica Neto. As Pérolas venceram (31-23) frente ao Congo.

Em 2000, na Argélia, Jerónimo Neto assumiu o comando do "sete” nacional. Na final, Angola derrotou o Congo (30-21). Maura Faial, Chinha Ulundo, Maria Gonçalves, Odeth Tavares e São Cordeiro foram as estreantes.

Pavel Dhznev, de nacionalidade búlgara, orientou as Pérolas nas edições do CAN de 2002 e 2004, em Rabat e Casablanca (Marrocos) e no Cairo (Egipto), com triunfos  diante da Cotê d’Ivoire e dos Camarões (30-21) e (31-20), respectivamente, já com as integrações de Nair Almeida e das irmãs Kiala, Marcelina e Luísa.

Em 2006, Jerónimo Neto voltou a comandar a Selecção no campeonato de 2006, na Tunísia, vitória (32-30) frente às anfitriãs. Após dois anos, coube a Angola acolher a festa da modalidade, com recorde em termos de participação e organização.

Cinco cidades sede, Luanda, Benguela, Huíla, Cabinda e Huambo, com 16 selecções, em ambos os sexos. Sob olhar atento de cerca de 12 mil espectadores, as Pérolas brilharam e cilindraram (39-27) a Cotê d’Ivoire, no Pavilhão Principal da Cidadela.

No Egipto, às ordens do português Paulo Pereira, Angola voltou a ocupar a primeira posição do pódio, após triunfo (31-30) frente à Tunísia. Aznaide Carlos, Natália Bernardo, Wuta Dombaxi, Matilde André e outras eram as novidades no seio do "sete” nacional.

Em 2012, em Marrocos, coube a Vivaldo Eduardo orientar as campeãs africanas, (26-24) sobre a Tunísia. Dois anos depois, em Argel, as tunisinas quebraram a invencibilidade de Angola, na meia-final. As Pérolas terminaram na terceira posição da tabela. Albertina Kassoma e Juliana Machado eram as novatas.

No Multiusos do Kilamba, 2016, Filipe Cruz e pupilas resgataram o título, ao baterem na final (36-17) as tunisinas. Dalva Peres, Janeth Santos, Vilma Neganga e Liliana Venâncio eram as estreantes.

Em Brazzaville, 2018, às ordens de Morten Soubak, Angola venceu o CAN, com as estreias de Claudeth José, Joana Costa e Helena de Sousa. Nos Camarões, em 2021, Filipe Cruz conduziu as Pérolas na conquista do 14º título. Cruz promoveu as estreias de Stélvia Pascoal, Marília Quizelete e Natália Kamalandua.

Percurso histórico invejável


A história da modalidade mais titulada do país está ligada à Independência nacional. A 20 de Maio de 1974, um grupo de nacionalistas inscreveu Angola como nação independente na Federação Internacional da modalidade (IHF), embora  naquela fase o país ainda estivesse sob domínio colonial.

A Federação Angolana de Andebol (FAAND), a mais antiga do país, entrou em funcionamento oficial dois anos depois. Benguela foi, durante vários anos, o principal viveiro da modalidade, mas actualmente Luanda assume essa função, apesar de a província do litoral sul continuar a ser uma grande forjadora de talentos.

Francisco Almeida foi o primeiro presidente da Federação, seguido por Hélder Moura, Marcelino Lima, Sardinha Castro, Juca Figueiredo, Cardoso de Lima, Hilário de Sousa, Archer Mangueira e Pedro Godinho. José do Amaral "Maninho” é o actual número um da FAAND.

Com presença regular nas competições internacionais, Angola conta com sete presenças consecutivas nos Jogos Olímpicos: Atlanta (1996), Sidney (2000), Atenas (2004), Pequim (2008), Londres (2012), Rio (2016) e Tóquio (2020).

Nos Campeonatos do Mundo, a melhor prestação de Angola foi o sétimo lugar em França’2007. As campeãs africanas venceram (33-22), Áustria, (41-20), República Dominicana, (29-27), França, (34-28), Croácia, (33-25), Macedónia e (37-36) Hungria. A segunda melhor prestação foi o oitavo lugar no Brasil’2011.

 
Festividades em Benguela

Hoje, o aniversário coincide com a disputa no nacional sénior masculino, que Benguela acolhe até amanhã. Segundo a nota divulgada pela Federação " a celebração do dia do andebol é também uma forma de reconhecimento inegável do contributo da província de Benguela no desenvolvimento da modalidade”.

O programa reserva, ainda, no cemitério da Camunda, às 8h45, uma homenagem aos andebolistas falecidos. Às 10h00, o presidente da FAAND, José do Amaral "Maninho”, dirige breves palavras aos aficionados da modalidade no auditório da Rádio Benguela.

Quinze minutos depois, realiza-se no mesmo recinto a palestra com o tema: "Passos que levaram ao desenvolvimento do andebol benguelense e o seu reflexo no andebol do país” a ser proferida pelo professor Norberto Baptista, primeiro seleccionador nacional sénior feminino.

Amanhã, às 9h00, maratona de andebol bambis, no Pavilhão Matrindindi, e às 15h00, jogo feminino das ex - praticantes nas Acácias Rubras.

Outros escalões consolidam prestígio alcançado

Em juniores, Angola marca, igualmente, passos firmes para a manutenção da hegemonia no sector feminino, pois já soma nove troféus. Em cadetes, a Selecção Nacional conta com três títulos. A nível de clubes, em 1987, Angola conquistou o primeiro ceptro, por via do Ferroviário, na Taça dos Clubes Campeões.

Cinco anos depois, o Petro de Luanda venceu a mesma prova. Em 1994, as petrolíferas falharam a revalidação do título, mas no ano seguinte voltaram a ocupar a primeira posição do pódio. Em 1996, as tricolores foram incapazes de vencer a maior competição de clubes da CAHB, porém, de 1997 a 2013, dominaram completamente a prova ao ganhar 17 Taças dos Clubes Campeões. Em 2014, o 1º de Agosto conquistou o primeiro título. No total, as "militares” venceram em seis edições.

Na Supertaça Babakar Fall, os feitos também saltam à vista. A equipa do Eixo Viário conta com 19 canudos e a do Rio Seco com seis. Na Taça dos Vencedores das Taças, as tricolores somaram ,na quarta-feira, a décima taça, e as rubro e negras contam com quatro.

Em masculinos, Angola ainda tem um longo caminho a percorrer. Em 2019, os "Guerreiros” conquistaram a medalha de ouro nos Jogos Africanos de Rabat. A Selecção foi medalha de bronze em quatro edições do Campeonato Africano das Nações e, em consequência, disputou igual número de Campeonatos do Mundo.

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