Cultura

“Ancestralidade e Tecnologia” são marcas do Pavilhão de Angola

“Ancestralidade e tecnologia – Trono Quântico” é o título da exposição da artista plástica luso-angolana Daniela Ribeiro patente desde domingo e durante um mês, na galaria do Pavilhão de Angola, na Expo Dubai 2020.

05/10/2021  Última atualização 11H23
Trabalho de Daniela Ribeiro abre o ciclo de exposições de artistas angolanos na galeria do espaço nacional © Fotografia por: Contreiras Pipa | Edições Novembro
Inspirada na tradição (ancestralidade) e no modernismo (tecnologia), a mostra abre o ciclo de exposições de artistas angolanos na galeria no pavilhão nacional na Expo Dubai, cada uma com a duração de um mês.


A artista disse que o tema, inicialmente, proposto pela curadoria era "Ancestralidade e tecnologia”, um assunto muito próximo de toda a obra exposta, resultante de anos de labuta em torno desta questão.


"Então, propôs um trono africano e um quântico, por este ser todo feito com peças de telemóveis montadas que representam a tecnologia e a inovação. Ao mesmo tempo descrevo a arte do poder africano e uso o trono para representar a ancestralidade. A origem da humanidade surge com um sistema de governação, que hoje em dia ainda é muito visível, mesmo dentro de um ambiente muito tecnológico”, disse.

A exposição, afirmou, destaca a importância que o poder local tem, também, sobre os recursos naturais, assim como a forma como estes são explorados, usados e repostos. "Gostava de agradecer a comissão e ao meu país pelo convite, assim como o esforço da comissária Albina Assis em trazer esta peça cá. É uma peça grande e muito valiosa”.

O lado humano e a interacção das pessoas com as máquinas, contou, tem sido parte da inspiração da artista, interessada em analisar como é usada hoje a tecnologia.


Para a artista, a exposição é uma forma de criticar e chamar atenção do público para todo o conceito por detrás dos demais trabalhos da Expo, já que muitos dos pavilhões estão a usar a realidade virtual. "Estamos na geração dos milénios, que nasceram afrente do computador. Se formos aos pavilhões vemos tudo virtual. Não sentimos o lado humano, porque os espectáculos são quase todos feitos por máquinas”, criticou.

A produção artística "Ancestralidade e tecnologia – Trono Quântico”, revelou, é uma peça de arte, cuja produção foi muito difícil, por reunir milhões de telemóveis. "Só o conceito levou dois anos para ser produzido”.

Daniel Ribeiro acredita que o artista deve ser o maior embaixador de Angola além-fronteiras, mesmo com os inúmeros problemas vividos pela classe. "A arte não deve ser limitada pelo dinheiro”, assegurou.


"O artista tem a natureza e a arte deve ser feita em qualquer circunstância. O artista não pode depender do bem-estar social. Agora, há uma crise internacional, provocada pela pandemia, que criou uma redução da expansão das artes plásticas no mundo, mas ainda vejo, em Luanda, várias exposições e novas galerias a surgirem, assim como pessoas interessadas em comprar obras”, disse.


Hoje, continuou, apesar da pandemia, surgem mais artistas, mesmo a carreira sendo muito difícil e sem apoios. "Os artistas têm se apoiado nas emoções, sensações e na observação da realidade para continuar a trabalhar”, afirmou.


Perfil da artista

Daniela Ribeiro nasceu em Angola, onde viveu até aos 20 anos. Formou-se em Design, Imagem e Criação por Computador em Portugal, onde se licenciou igualmente em Relações Internacionais, na Universidade Lusíada, em Lisboa.
Em 2000, frequentou o curso de Pintura da Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa e, em 2005, frequentou o Curso de Escultura na Escola Ar.Co.


Em 2006, especializou-se em Moldes de Resina e Silicone na Escola Pascal Rosier, em Paris, tendo sido convidada pelo Mestre Pascal Rosier para ministrar aulas em Lisboa, onde se assumiu, definitivamente, como artista.

Daniela Ribeiro conta actualmente com mais de 20 exposições, apresentadas em Luanda e em diversas capitais europeias, com destaque para "Multiverso I” (2004); "Multiverso II” (2005); "Multiverso III” (2005); "Nós Sempre os Mesmos” (2006) e "O Olho Biônico” (2010).


António Bequengue | Dubai

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