Mundo

ANC acusado de permitir o saque nos cofres do Estado

O Congresso Nacional Africano (ANC) do ex-Presidente Jacob Zuma permitiu o saque dos cofres do Estado na África do Sul pela controversa família indiana Gupta, revela uma nova parte do relatório da comissão judicial de investigação divulgada sexta-feira pela agência de notícias Efe.

01/05/2022  Última atualização 08H05
Governo do ANC, liderado pelo ex-Presidente Zuma é acusado de facilitar negócios com os “Gupta” © Fotografia por: DR

Na quarta parte do relatório, entregue à Presidência da República sul-africana, o juiz Raymond Zondo questiona ainda o papel do ANC, o partido no poder desde 1994, na captura do Estado sul-africano.

Segundo o juiz e actual chefe da Justiça sul-africana, que liderou a comissão judicial de investigação à captura do Estado pela grande corrupção na Presidência de Jacob Zuma (2009-2018), o actual Presidente Cyril Ramaphosa e o dirigente nacional do partido Gwede Mantashe frisaram perante a comissão de inquérito que o ANC "tem o direito de dar o seu parecer” sobre quem é nomeado para gerir as entidades estatais.

Metade do relatório agora divulgado centra-se no desfalque da estatal de electricidade Eskom, que se encontra falida e tecnicamente incapacitada após 28 anos de governação do ANC. Entre os vários casos apontados, o relatório destaca um contrato de fornecimento de carvão de mais de 221 milhões de euros com uma entidade comercial da família indiana, entretanto fugida do país.

O juiz sul-africano questiona no relatório a actuação da direcção do ANC quando os Gupta assumiram alegadamente o controlo das principais empresas públicas sul-africanas como a Transnet (portos e ferrovia), Denel (Defesa e armamento) e Eskom, criticando também o "silêncio” do Parlamento e do Executivo perante as alegações de captura das instituições públicas pela grande corrupção.

Estima-se que a Eskom, que fornece mais de 90 por cento da electricidade na África do Sul, tem actualmente uma dívida de cerca de 400 mil milhões de rands (24 mil milhões de euros), segundo a imprensa local.

Nos últimos anos, a empresa tem sido incapaz de manter em funcionamento várias centrais de energia, mergulhando regularmente o país e empresas na escuridão com frequentes cortes de electricidade de mais de duas horas diariamente.

A quarta parte do relatório divulgado pela Presidência da República, em quatro volumes, aborda ainda a tentativa de captura do Tesouro Nacional pelo ANC, a corrupção na câmara de Joanesburgo, e as alegações de fraude nos contratos milionários de habitação social e operações de remoção de amianto na província de Free State, Centro do país, então governada por Ace Magashule, ex-secretário-geral do partido no poder. A parte final do relatório deverá ser entregue à Presidência da República até 15 de Junho, segundo a Presidência sul-africana.

O Presidente Ramaphosa, que na época em que ocorreram as alegadas transgressões ocupava o cargo de vice-Presidente de Jacob Zuma, tanto no partido do poder como na Presidência da República, terá de decidir o que fazer com as recomendações do juiz Zondo.

Depois de assumir o cargo de Zuma, que foi afastado pelo partido antes de terminar o mandato, Ramaphosa estimou em cerca de 500 mil milhões de rands (30 mil milhões de euros) o arrombo dado por elementos do seu partido nos cofres do Estado sul-africano, prometendo fazer do combate à corrupção o seu "cavalo de batalha”.


Alojamento para as vítimas das cheias

Pelo menos 8.400 pessoas foram alojadas temporariamente na província de KwaZulu-Natal, onde devastadoras cheias provocaram recentemente a morte a mais de 400 pessoas, anunciaram, ontem, as autoridades sul-africanas citadas pela Reuters.

"Conseguimos estabelecer 98 abrigos, onde estão alojadas mais de 8.400 pessoas, em salões comunitários, instalações religiosas, outras estruturas temporárias dentro da comunidade. A maioria das pessoas são mulheres, mais de quatro mil, além de mais de 1.700 crianças e mais de mil idosos”, referiu o ministro da Saúde Joe Phaahla.

Segundo o balanço das operações de assistência em curso "mais de três mil vítimas do desastre natural receberam até à data um subsídio social de socorro, no montante global de cerca de 5 milhões de rands (297 mil euros)”.

"Serviços de aconselhamento e alimentação, assim como outros requisitos básicos, como colchões e cobertores, foram também distribuídos”, frisou.

O governante referiu que "os assistentes sociais já alcançaram mais de 16 mil pessoas nesse sentido”. Phaahla estimou em 185 milhões de rands (10,9 milhões de euros) a reconstrução das infra-estruturas de Saúde pública danificadas pelas cheias em KwaZulu-Natal, na costa oriental da África do Sul.

"Os cuidados de saúde continuam a ser prestados às comunidades deslocadas que estão actualmente abrigadas em salões comunitários”, salientou o ministro da Saúde sul-africano, acrescentando que "algumas instalações têm água parcialmente restaurada, mas outras continuam a ser abastecidas por camiões-cisternas”.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Mundo