Cultura

Ana Maria de Oliveira aborda actuação de Angola na UNESCO

A entrevista à embaixadora Ana Maria de Oliveira é o destaque da edição 233 do Jornal Angolano de Artes e Letras “Cultura”, quinzenário afecto a Edições Novembro, que chega às bancas amanhã.

27/09/2022  Última atualização 06H10
Embaixadora Ana de Oliveira © Fotografia por: DR

Conduzida pelo jornalista e crítico de arte Adriano Mixinge a partir de Boulevard Garibaldi, em Paris, Ana Maria de Oliveira, Embaixadora e Delegada Permanente de Angola Junto da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), aborda, entre outros assuntos, as decisões de ordem estratégica que visam posicionar melhor Angola na UNESCO, a possibilidade de que um Património Cultural Mundial, como o é caso de Mbanza Kongo, ser desclassificado, bem como criar as condições para que jovens possam fazer estágios nos escritórios daquela instituição mundial.

Quanto ao risco de uma eventual desqualificação da cidade de Mbanza Kongo, elevada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) à categoria de Património Cultural da Humanidade em 2017, Ana Maria de Oliveira afirma ser possível, apesar de indicar ser necessário procedimentos a serem respeitados.  

"A partir do momento que um sítio é classificado há engajamentos ao nível dos governos para preservar esse estatuto e ter capacidade de submeter outros sítios (ou outro património) para classificação. Porque se nós temos um sítio classificado e não somos capazes de cumprir com as recomendações do comité, isto põe em causa a idoneidade dos compromissos que foram assumidos. Então, há todo o interesse em que os países-membros cumpram as recomendações que foram engajadas na assinatura da classificação do património específico”, justifica a embaixadora.

No caso concreto de Angola, a embaixadora não deixa de responder a um assunto que tem dominado a actualidade do sector da diplomacia cultural, especificamente o caso da restituição do patrimó-nio cultural africano levado pelos europeus durante o período colonial.  

"Em Angola, concretamente a partir de 2016, ocorreram experiências de restituição de artefactos, numa iniciativa privada, da Fundação Sindika Do-kolo. Mas, no entanto, que nós saibamos Angola como Estado nunca fez nenhuma tentativa de restituição do património”, afirma nesta entrevista que pode ser lida na íntegra na edição do Cultura que sai à rua amanhã.

Ana Maria de Oliveira é educadora social e antropóloga. Natural de Luanda, licenciou-se na Universidade Nova de Lisboa, dedicando a maior parte da sua investigação a temas ligados aos costumes e práticas das comunidades culturais angolanas. É autora de: Angola e a Expressão da sua Cultura Material (1991/1994), e Elementos Simbólicos do Kimbanguismo (1994). Foi ministra da Cultura, de 1993 a 1999. Foi ainda deputada a Assembleia Nacional e como mulher de cultura dirige a sua atenção para uma nova área, a literatura infantil, onde já publicou três obras do seu projecto denominado Kauyka, uma colecção de histórias infantis. No início de 2020, foi nomeada pelo Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, embaixadora na Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, em inglês), substituindo o embaixador Diekumpuna Sita José.

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