Economia

Alterações climáticas podem custar 900 mil milhões de euros

As alterações climáticas representam riscos financeiros de quase 900 mil milhões de euros, uma estimativa feita por algumas das maiores empresas do mundo que consta num relatório divulgado pela organização internacional Carbon Disclosure Project (CDP).

09/06/2019  Última atualização 09H32
DR © Fotografia por: Oportunidades estão nos bens que resultam das mudanças nas preferências dos consumidores

Muitos dos impactos negativos resultantes dos riscos climáticos poderão ocorrer nos próximos cinco anos, alerta o documento durante a semana pela CDP.
O cálculo foi feito tendo em conta três quartos (366) das 500 maiores empresas do mundo, que no conjunto estão avaliadas em 15 biliões de euros.
Do valor de perdas estimado, cerca de 446 mil milhões de euros são classificados como altamente prováveis ou quase certos, principalmente devido a custos operacionais mais elevados, relacionados com mudanças na legislação e nas políticas.
As empresas relatam uma expectativa de perdas potenciais de 223 mil milhões de euros devido aos activos relacionados com combustíveis fósseis e mudanças no mercado para economias de baixo carbono e energias alternativas. Neste número estão incluídas as empresas muito expostas aos impactos físicos das alterações climáticas.

Novas oportunidades
De acordo com o relatório, as empresas admitem também ganhos acumulados nas oportunidades de negócios relacionadas com as alterações climáticas, que podem ser mais do dobro das perdas (mais de dois biliões).
As oportunidades estão, por exemplo, nos veículos eléctricos, mas também na produção e fornecimento de bens que resultam das mudanças nas preferências dos consumidores.
No documento salienta-se que o valor potencial das oportunidades relacionadas com o clima é quase sete vezes superior ao custo de as alcançar, pelo que se esperam mudanças significativas nos produtos e serviços “amigos do clima”, por parte das maiores empresas do mundo.
Nicolette Bartlett, directora para as Alterações Climáticas do CDP, salientou, citada no documento, o facto de haver “uma infinidade de riscos” que resultam das mudanças no clima e de as respostas serem “mais urgentes do que nunca”. A responsável considera ainda “extremamente encorajador” o facto de as empresas indicarem que o potencial das “oportunidades climáticas supera em muito os custos de investir nessa transição”.
No relatório as empresas de produção de energia são dos poucos sectores onde os custos de transição superam os das novas oportunidades. O estudo para a produção do relatório envolveu 6 937 empresas de todo o mundo que enviaram dados ao CDP no ano passado. Das 500 maiores empresas mundiais, considerando o valor em bolsa, 366 enviaram informação ao CDP.
O CDP tem o maior sistema global de divulgação ambiental, com dados de milhares de empresas e de mais de 150 cidades só na Europa. O objectivo do CDP é motivar empresas e cidades para medirem os impactos sobre o ambiente e recursos naturais e assim procurarem reduzi-los.
O estudo agora divulgado foi o primeiro do CDP a calcular o impacto financeiro das alterações climáticas nas empresas.

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