Coronavírus

Alta eficácia em grávidas e lactantes

Um estudo de investigadores de instituições do Estado norte-americano de Massachusetts concluiu que as vacinas com a tecnologia RNA mensageiro (mRNA) são altamente eficazes na produção de anticorpos contra o vírus Sars-CoV-2 em mulheres grávidas e lactantes.

26/03/2021  Última atualização 19H59
Vacina, eficácia em grávidas © Fotografia por: DR
O estudo, publicado no boletim científico American Journal of Obstetrics and Gynecology, demonstra também que as vacinas mRNA, como a da Pfizer/BioNTech e a da Moderna, conferem imunidade protectora aos recém-nascidos através do leite materno e da placenta.

Da análise feita a 131 mulheres em idade reproductiva, 84 grávidas, 31 lactantes e 16 não grávidas, que receberam uma das vacinas com mRNA, foi possível concluir que os efeitos secundários após a vacinação foram raros e comparáveis entre as participantes no estudo. Os níveis de anticorpos induzidos pela vacina eram equivalentes nos três grupos observados.

"Esta notícia, da excelente eficácia da vacina, é muito encorajadora para mulheres grávidas e lactantes, que ficaram de fora dos ensaios iniciais da vacina contra a Covid-19", disse a coautora do estudo, Andrea Edlow, citada num comunicado sobre o estudo divulgado.
Para a especialista em Medicina Materno-fetal e directora do Edlow Lab no Centro Vincent de Biologia Reprodutiva, "preencher as lacunas de informação com dados reais é fundamental", frisa.
"Especialmente para as nossas pacientes grávidas, que estão em maior risco de complicações devido à Covid-19", acrescentou Andrea Edlow.

A equipa também comparou os níveis de anticorpos na gravidez induzidos pela vacinação com os induzidos pela infecção natural com Covid-19 e encontrou níveis significativamente mais elevados de anticorpos da vacinação. Na nota, divulgada quinta-feira, é acentuado que os anticorpos gerados pela vacinação também estiveram presentes em todas as amostras de sangue do cordão umbilical e de leite materno usadas no estudo, mostrando a transferência de anticorpos das mães para os recém-nascidos.

"Temos agora provas claras de que as vacinas contra a Covid-19 podem induzir imunidade que irá proteger os bebés", salienta outra das co-autoras do estudo e investigadora do Instituto Ragon, Galit Alter, também citada na nota de imprensa. A investigadora espera que a análise feita possa servir de incentivo para que as farmacêuticas incluam nos seus estudos clínicos as grávidas e mulheres a amamentar.

"Esperamos que este estudo possa ser um catalisador para os criadores de vacinas reconhecerem a importância da análise de grávidas e lactantes e as incluam em ensaios", enfatizou Galit Alter.
A investigadora adiantou que as farmacêuticas devem ter em consideração que "a gravidez é um estado imunológico distinto, onde duas vidas podem ser salvas simultaneamente com uma poderosa vacina".

Segundo o mesmo estudo, os níveis de anticorpos de mucosa (IgA) após a segunda dose são mais elevados com a vacina da Moderna, em comparação com o medicamento da Pfizer.
"Esta descoberta é importante para todos os indivíduos, uma vez que a Sars-CoV-2 é adquirida através de superfícies de mucosa como o nariz, boca e olhos", destaca a primeira autora do estudo e obstetra do Brigham and Women's Hospital, Kathryn Gray. Nas vacinas da Pfizer/BioNTech e da Moderna é introduzido no corpo um mensageiro de ácido ribonucleico (mRNA na sigla em inglês), que contém informação genética sobre o vírus que "dá instruções" ao organismo para a produção de anticorpos.

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