Economia

Alienações reflectem confiança na economia

O secretário de Estado para as Finanças e Tesouro e coordenador do Grupo Técnico Permanente do Programa de Privatizações (PROPRIV), Osvaldo João, considerou que a assinatura de contratos de alienação do capital de sete empresas agro-pecuárias, na terça-feira, em Luanda, reflecte a confiança dos investidores na economia nacional.

08/04/2020  Última atualização 19H04
Santos Pedro| Edições Novembro © Fotografia por: Secretário de Estado considera privatizações adequadas à vitalizção da economia não petrolífera

“Esta confiança está patente no facto de nenhum dos activos ter sido alienado abaixo de 80 por cento do preço de referência e, um deles, ter superado a base de licitação”, acrescentou Osvaldo João no acto da assinatura dos contratos, o que acontece numa conjuntura marcada pela redução dos preços do petróleo, com efeitos sobre as receitas públicas do país. A estratégia do Governo para enfrentar essa situação, causada pela retracção dos preços do petróleo em consequência da pandemia de Convid-19, apontou o secretário de Estado, reside na dinamização do sector económico no seu todo, no que estão enquadradas as privatizações concluídas na terça-feira. 

Osvaldo João reconhece que há grandes constrangimentos económicos causados pela pandemia de Covid-19 em Angola e em mais de 200 países e territórios. No caso de Angola, segundo o secretário de Estado, “a diversificação da economia torna-se mais urgente”, devendo o sector não petrolífero ser “o motor deste processo”.

Recuperação de investimento

Empresários contactados pelo Jornal de Angola no fim da assinatura dos contratos coincidiram em que a privatização de activos do Estado vai permitir que o país tenha menos empreendimentos paralisados e recuperar investimentos públicos realizados no passado.  A administradora da Fazenda Pérola do Kikuxi, Elisabeth Dias dos Santos, defende como aposta o investimento na actividade da transformação da produção agro-pecuária, com base na criação de sinergias para aumentar a segurança alimentar e promover o mercado de emprego no país.
A aquisição de activos do Estado foi uma decisão “bem pensada pelo Executivo” E “vem no momento certo”, considerou a empresária, prometendo “continuar a dar contributos para o crescimento do sector alimentar e a geração de emprego”.
Elisabeth Dias dos Santos indicou que, para aumentar a dinâmica do sector económico, a Fazenda Pérola do Kikuxi investiu no Matadouro Modelar de Luanda, com uma capacidade de abate de 40 bovinos e 120 suínos e igual número de suínos por dia, bem como no Complexo de Silos de Catete, com uma capacidade de armazenagem de oito mil toneladas de milho.
O administrador da Telegest, José da Silva, que assinou como adjudicatário do Matadouro Modelar do Porto Amboim, acrescentou que, para o desenvolvimento da economia nacional, deve-se cumprir com os objectivos plasmados nos programas do Executivo e traçar estratégias de curto prazo.
Numa primeira fase, segundo José da Silva, o Matadouro Modelar do Porto Amboim vai aumentar a produção de carne e fazer com que chegue à população com qualidade. O matadouro encontra-se já em funcionamento, com uma capacidade instalada de abate de 150 bovinos e cerca de 400 suínos por dia, reforçou
Já o novo gestor do Matadouro de Camabatela e representante da Agropecuária do Bailundo, Jaime Pereira, reconhece que recuperar os activos do Estado é um grande desafio para o empresariado privado.  O Estado encaixou 19 mil milhões de kwanzas com a passagem da titularidade de sete empresas agro-pecuárias para cinco companhias nacionais de capitais privados, depois de os contratos que formalizam este processo terem sido assinados na terça-feira.
Os contratos de alienação foram subscritos pelo presidente do Conselho de Administração do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), Patrício Vilar, e representantes das empresas adjudicatárias, nomeadamente, a Pérola do Kikuxi, Telegest, Sociedade Agro-pecuária do Bailundo, bem como os grupos Edson Droves e FF Empreendimentos.

 

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