Coronavírus

Alguns países africanos perto da terceira vaga da pandemia

A pandemia Covid-19 está a agravar-se em África, com o número de infecções a crescer e países perto de uma terceira vaga, adiantou o director do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC).

06/06/2021  Última atualização 09H07
© Fotografia por: DR
Durante uma intervenção, quinta-feira, no primeiro dia do Ibrahim Governance Weekend 2021, promovido pela Fundação Mo Ibrahim, John Nkengasong disse que, entre a semana passada e esta semana, houve um aumento médio de cerca de 14% de casos em todo o continente.
Segundo o virologista, existem dois grupos de países, um dos que "estão a avançar lentamente em direcção à terceira onda” e outro dos que "têm estado a lutar para diminuir a segunda onda”.


O responsável acrescentou que algumas medidas adoptadas permitiram evitar que o continente fosse "devastado na dimensão inicialmente prevista” e que muitos africanos desenvolveram imunidade, evitando uma taxa elevada de mortalidade.
"Sabemos, com certeza, que muito mais pessoas do que 4,8 milhões (de casos) relatados foram expostas ao vírus”, afirmou o director do África CDC. Actualmente, estima-se que 130.000 africanos tenham morrido de SARS-CoV-2, embora muitos países não tenham um sistema fiável de registo de óbitos.


"Mesmo se subestimarmos a taxa de mortalidade, que agora é cerca de 130 mil, multiplicando por quatro, na verdade, não reflecte uma pandemia devastadora em termos de mortalidade no continente”, argumentou Nkengasong.



Independência

África deve deixar de depender da importação de vacinas contra a Covid-19 e desenvolver capacidade de produção de vacinas e outros produtos médicos, defendeu o Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
"Até agora, África administrou pouco mais de 31 milhões de doses da vacina COVID-19, ou seja, 2% do total global. Isto está longe de ser suficiente”, lamentou o responsável.


Segundo o biólogo etíope, "é claro que a África não pode contar apenas com a importação de vacinas do resto do mundo, deve construir essa capacidade, não só para as vacinas COVID-19, mas para outras vacinas e produtos médicos”.
Ghebreyesus falava, sexta-feira, no primeiro painel, intitulado "Lições da pandemia: um apelo urgente para fortalecer as capacidades de saúde de África”, do Ibrahim Governance Weekend 2021, promovido pela Fundação Mo Ibrahim, que decorreu num formato digital até ontem.
Na abertura do evento, o empresário sudanês Mo Ibrahim, presidente da Fundação com o seu nome, acusou os países ricos de "açambarcarem” as vacinas contra a Covid-19, violando a ideia de que "ninguém está seguro até todos estarem seguros”.

Ibrahim lamentou também que os países mais desenvolvidos tenham sido capazes de se endividar "enormemente a baixo custo em trilhões de dólares para apoiar as suas populações e economias”, enquanto para os países africanos "quando é possível, é proibitivamente caro”.
Mesmo assim, o filantropo disse estar "optimista” sobre o futuro e manifestou esperança no desenvolvimento de planos de recuperação da pandemia Covid-19 e na redefinição dos modelos de crescimento em África.


"Precisamos de um novo modelo (…) que crie emprego, (que seja) equitativo, sustentável e verde”, defendeu.
O Ibrahim Governance Weekend reuniu políticos, especialistas e activistas da sociedade civil, para debater o impacto da pandemia Covid-19 em África e o caminho para a recuperação.

Entre os oradores, estiveram, entre outros, o Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o Presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat, o director do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC), John Nkengasong, e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

Casos em Kinshasa

O número de infectados por Covid-19 aumentou "exponencialmente” no final de Maio, em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo (RDC), alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS).
"Há um aumento exponencial da circulação do vírus Sars-Cov-2 em Kinshasa, acentuando uma clara deterioração dos indicadores epidemiológicos”, lê-se no último boletim semanal da OMS na RDC.

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