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Alfabetizadores recebem subsídios

Pelo menos, 554 dos 614 alfabetizadores e facilitadores da província do Cuando Cubango, enquadrados nos Programas de Alfabetização e Aceleração Escolar (PAAE) e Sim eu Posso, já receberam os seus subsídios em atraso.

08/09/2022  Última atualização 10H32
© Fotografia por: Edições Novembro
O coordenador da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Gabinete Provincial da Educação, Francisco Cambinda, disse, ao Jornal de Angola, disse que o Governo disponibilizou 92 milhões e 70 mil kwanzas, que corresponde ao valor total da dívida contraída de 2017 a 2019, mas apenas foram pagos 85 milhões e 770 mil kwanzas a 554 alfabetizadores e facilitadores.

  Francisco Cambinda explicou que os subsídios começaram a ser pagos em Outubro do ano passado e até ao mês de Junho do ano em curso 554 alfabetizadores e facilitadores já tinham recebido, faltando apenas 60, por ausência de Bilhete de Identidade actualizado e conta bancária domiciliada no Banco de Poupança e Crédito (BPC), num valor estimado em mais de seis milhões e 300 mil kwanzas. 

"Estamos perto de liquidar a dívida que o Governo contraiu com os alfabetizadores e facilitadores dos Programas de Alfabetização e Aceleração Escolar e Sim eu Posso. Auguramos que, em curto espaço de tempo, os que se encontram na condição de pendente possam concluir os processos, para que possamos encaminhar ao Ministério das Finanças, para a liquidação dos encargos financeiros”, disse.

  Segundo Francisco Cambinda, desde que o Ministério da Educação (MED) rescindiu os contratos com os alfabetizadores e facilitadores, o processo de alfabetização de jovens e adultos ficou comprometido a nível do Cuando Cubango, tendo em conta que a moral dos mesmos é bastante baixa e ninguém quer trabalhar por amor à camisola.

  "Devido à dívida com os alfabetizadores e facilitadores tivemos que paralisar, em 2019, o processo de alfabetização em regime contratual, optando apenas pelo voluntariado, situação que reduziu consideravelmente o número de turmas e alunos”, lamentou.

 

Alfabetizadores voluntários 

Francisco Cambinda disse que, por falta de alfabetizadores e facilitadores voluntários, muitos cidadãos desistam das aulas, situação que tem que ser resolvida urgentemente, para que o número de analfabetos diminua.

  Apontou como parceiros a Organização da Mulher Angolana (OMA), através da sua brigada denominada Deolinda Rodrigues, as igrejas Pentecostal, IECA, UEIA e Católica, bem como associações filantrópicas como a ADPP e a Operação Mobilização (OM), está última vocacionada, apenas, a ensinar a comunidade Khoisan a ler e escrever.

Acrescentou que, no presente ano lectivo, foram matriculados no Programa de Alfabetização e Aceleração Escolar 400 pessoas, nos municípios de Menongue, Cuchi e Cuito Cuanavale, tendo em conta que em outras regiões da província ainda não foram feitas as matrículas, por falta de alfabetizadores e facilitadores.

  Explicou que estão disponíveis apenas oito salas de aula de alfabetização, em igrejas, escolas e em algumas residências de pessoas singulares. Francisco Cambinda revelou que os alfabetizandos aprendem a ler e escrever em três módulos, sendo o primeiro para a 1ª e 2ª classes, segundo para a 3ª e 4ª e o terceiro para a 5ª e 6ª.

Disse que, no passado, com o número de alfabetizadores e facilitadores voluntários, a cifra de novos alfabetizados, anualmente, rondava entre os oito e dez mil cidadãos.

Apelou a todos os parceiros sociais e à população no sentido de reforçarem a participação nas acções que visam a erradicação do analfabetismo no Cuando Cubango.

Sublinhou que um cidadão educado e instruído é mais livre, toma melhores iniciativas a favor do seu bem-estar e da sua família, assim como de toda a sociedade, participando, com empenho e dedicação, na resolução dos problemas, ao mesmo tempo que assume com dignidade a sua cidadania.

 

Dificuldades 

Francisco Cambinda deu a conhecer que o sector que dirige debate-se com a falta de material didáctico dos módulos I, II e III, para que as aulas de alfabetização abranjam  todos os interessados em aprender a ler e escrever.

Explicou que o sector da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Gabinete Provincial da Educação carece, também, de meios de transporte, para facilitar a supervisão das actividades da alfabetização em todo o território da província.  "Nos deparamos com muitas dificuldades para o alcance de números satisfatórios no processo de alfabetização, sobretudo a falta de material didáctico e meios de transporte, o que faz com que o maior número de interessados no programa seja dos munícipes de Menongue, Cuchi e Cuito Cuanavale”.

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