Política

“Alemanha quer ser parceiro tecnológico”

Fonseca Bengui

Jornalista

A Alemanha quer ser parceiro tecnológico de Angola, com o fornecimento de tecnologia e formação de quadros, afirmou, ontem, em Luanda, o embaixador alemão em fim de missão, Dirk Lolke.

23/07/2021  Última atualização 08H30
Dirk Lolke apresentou cumprimentos de despedida ao Presidente © Fotografia por: Dombele Bernardo | Edições Novembro
O diplomata foi, ontem, ao Palácio Presidencial, apresentar cumprimentos de despedida ao Presidente da República, João Lourenço.
Durante a audiência, o diplomata alemão falou sobre os três anos do seu mandato no país.

Reconheceu ter sido numa fase que coincidiu com a aceleração das relações bilaterais, com as visitas do Presidente João Lourenço, a Berlim, em Agosto de 2018, e da Chanceler alemã Angela Merkel, a Luanda, em Fevereiro do ano passado.

O diplomata apontou, como exemplo da parceria tecnológica com Angola, as turbinas hidroeléctricas instaladas em algumas das barragens no rio Kwanza, que são de produção alemã.

"Isso juntamente com uma formação”, esclareceu, acrescentando que a parceria técnica da Siemens para a construção do Metro de Superfície de Luanda vai trazer uma componente de formação dos quadros angolanos.
Durante a deslocação à Alemanha, em 2018, o Presidente João Lourenço visitou uma fábrica de tecnologia de alta tensão, da multinacional Siemens.

Na ocasião, o ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, referiu que grande parte dos equipamentos utilizados para as barragens de Angola é fornecida por empresas alemãs e que a Siemens pode desempenhar um papel importante na modernização do sistema eléctrico do país.

"Temos vários projectos em curso e a tecnologia alemã é de qualidade indiscutível”, disse o ministro. Dirk Lolke reconheceu que os grandes projectos económicos em que a Alemanha está envolvida, como a barragem de Caculo Cabaça (Cuanza-Norte), o Metro de Superfície de Luanda e outros, foram travados pela Covid-19. Manifestou esperança que aqueles projectos sejam acelerados, com o sucessor.


Hidrogénio verde                                                                                                 
De acordo com o diplomata, o projecto mais recente é o diálogo entre os Governos angolano e alemão sobre uma eventual produção de hidrogénio verde.
A Alemanha, disse, poderá importar grandes quantidades deste produto. "Começamos a dialogar sobre este projecto”, sublinhou Dirk Lolke.

Hidrogénio verde é um termo utilizado para referir o hidrogénio obtido a partir de fontes renováveis, através de um processo químico conhecido como electrólise, sem haver a emissão de carbono, ao contrário da gasolina.

O embaixador destacou, igualmente, a área da formação, convidando os angolanos a estudarem nas universidades alemãs.
Por exemplo, disse, o Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás concedeu 30 bolsas para estudantes de Geologia e Mineralogia, na Alemanha.

Em relação às trocas comerciais entre Angola e Alemanha, adiantou que, no ano passado, situaram-se em 120 milhões de euros, valor mais reduzido do que o esperado, devido à crise da Covid-19.

Sobre a disponibilidade do seu país cooperar com Angola em matéria de combate à corrupção e repatriamento de capitais, o embaixador esclareceu que "a cooperação neste domínio é feita através da União Europeia”, da qual a Alemanha é membro.

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