Política

Alemanha quer criar em Angola gabinete para energia de hidrogénio

Bernardino Manje

Jornalista

A Alemanha pretende abrir, em Angola, um gabinete para que empresas alemãs co-operem com o Governo angolano na área da energia de hidrogénio, anunciou, esta quinta-fera(18), em Luanda, o novo embaixador daquele país europeu.

19/11/2021  Última atualização 08H50
Diplomatas apresentaram as cartas credencias ao Presidente da República João Lourenço © Fotografia por: Kindala Manuel | Edições Novembro
Stefan Traumann, que falava à imprensa, momentos depois de ter apresentado as cartas credenciais ao Presidente João Lourenço, apontou a parceria nas energias renováveis, entre as quais a solar e eólica, como uma das prioridades da sua missão em Angola.

O diplomata sublinhou que a Alemanha tem um novo projecto na área das energias renováveis, nomeadamente, o da produção de energia de hidrogénio. Disse ser neste âmbito que o país pretende abrir, em Angola, um gabinete para que empresas alemãs cooperem com o Governo angolano. "Estou muito optimista que possamos fazer muita coisa nesta área", assegurou.

Traumann disse existirem muitos projectos, no âmbito da cooperação económica entre Angola e a Alemanha, considerando que há um grande potencial para desenvolvê-los em diferentes áreas.

Entre as acções já desenvolvidas, apontou a participação de empresas germânicas em projectos de infra-estruturas, construção e reabilitação de mais de 800 quilómetros de estradas.

Das empreitadas em curso, referiu-se à construção de hospitais e da Barragem de Caculo Cabaça, no município de Cambambe, na província do Cuanza-Norte, cuja obra principal está a cargo de uma empresa chinesa.

A Barragem de Caculo Cabaça foi identificada pelo Governo angolano como uma das obras estruturantes nesta área e incluída no Programa de Investimentos Públicos. Terá capacidade instalada de 2100 megawatts, um aumento de mais 30 megawatts em relação a Laúca, com 2.070 MW. A primeira pedra do projecto foi lançada em Agosto de 2017 pelo então Presidente Eduardo dos Santos, mas as obras estiveram estagnadas, por dificuldades financeiras.

Em Setembro do ano em curso, o Presidente João Lourenço anunciou, no fim da visita ao Cuanza-Norte, que o Governo fez, dias antes da sua deslocação, pagamento com vista a impedir a paralisação das obras da barragem.

O embaixador da Alemanha referiu-se, igualmente, ao facto de a empresa alemã Siemens ter sido a escolhida para construir o Metro de Superfície de Luanda, numa parceria público-privada.
Situação na Alemanha longe de afectar relações

A formação de um novo Governo alemão, provavelmente, já no início de Dezembro, não vai afectar as relações entre Angola e a Alemanha, afirmou Stefan Traumann.

O diplomata apontou que os dois países têm uma "parceria ampla", que vai continuar a ser desenvolvida, independentemente de um novo Governo na Alemanha.

Do ponto de vista político e diplomático, disse que o Governo alemão vai continuar a apoiar os esforços do Executivo angolano na paz e estabilidade na região, especialmente, nos Grandes Lagos.

Traumann informou que o secretário executivo da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos, o angolano João Caholo, tem agendado uma visita de trabalho à Alemanha, onde vai discutir com as autoridades locais uma eventual cooperação com vista à pacificação naquela região.

De 60 anos, Stefan Traumann é doutorado em Filosofia e exerceu, entre outras funções, a de vice-cônsul da Alemanha em Miami, Estados Unidos, e cônsul-geral em Porto Alegre, Brasil, e Lagos, na Nigéria.

Ainda ontem, além das credenciais de Traumann, o Chefe de Estado angolano recebeu as dos novos embaixadores da Côte d'Ivoire, Somet Santiero Jean-Marie, da Guiné-Bissau, Apolinário Mendes de Carvalho, e da Grécia, Calliope Penny Douti. A diplomata grega é a única com o estatuto de não residente.

Para hoje, está, igualmente, prevista a entrega das cartas credenciais de mais quatro embaixadores, todos com o estatuto de não residentes.
 

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