Opinião

Água nossa de cada dia…!

De acordo com as Nações Unidas, a água potável e saneamento enquadram-se dentro dos direitos humanos, sendo portanto obrigação dos Estados, assegurar esse mesmo bem para todos os cidadãos, sem a discriminação, pois, dele depende a sobrevivência de todos os seres vivos, em especial o homem.

21/10/2022  Última atualização 05H55

Angola, por generosidade da mãe natureza, foi abençoada com rios caudalosos em toda a sua extensão, constituindo-se assim em recurso estratégico, que num futuro de médio e longo prazo, poderá transformar-se em  factor diferencial, face à escassez de água doce que a cada ano se acentua, por força de factores climáticos - aquecimento global (global warming), um desafio nas mãos das grandes potências mais poluentes do planeta.

Se no corno de África, paira a ameaça de extinção da vida humana, pela ferocidade da seca, em Angola o cenário é bem diferente: temos água em abundância, o desafio coloca-se em sede da captação, tratamento e distribuição do precioso líquido às populações de um modo geral, particularmente aos centros urbanos com maior concentração populacional, destaque para Luanda, que com mais de 10 milhões de habitantes, pouco mais de 30%, beneficiam de água potável canalizada.

Ponderado esse factor, que terá pesado sobremaneira no conjunto das inquietações sociais das populações, o Executivo aprovou um considerável pacote financeiro, que conta com o suporte do Banco Mundial e Banco Africano de Desenvolvimento, para atender e atenuar este grave problema que grassa em  todas as províncias do país, cujas populações clamam legitimamente há décadas, por este precioso e insubstituível líquido.

Se a construção de novas captações, estações de tratamento e a expansão de redes para que mais consumidores beneficiem de água canalizada, merecem aplauso como um passo dado na direcção certa, o círculo só poderá fecha-se, se outras medidas essenciais forem tomadas, com realce para duas delas: i) a reavaliação dos fundamentos que sustentaram a eliminação (precipitada e inoportuna) dos subsídios à água; ii) a necessidade imperiosa de se potenciarem as Empresas Públicas de Águas e Saneamento das dezoito províncias, que correm risco de falência se não forem apoiadas, perpetuando-se assim, o ciclo vicioso de insatisfação das populações, pois, faltarão os técnicos para o atendimento permanente de toda a cadeia, desde a captação, tratamento, distribuição e manutenção das redes, da água nossa de cada dia.

É importante referir que, por cada um dólar que se investe no tratamento da água, poupam-se 9 dólares em medicamentos, descongestionando também a rede hospitalar do primeiro e segundo níveis, que se vê a braços para o atendimento de pacientes com doenças originárias por consumo de água não tratada.

Entre comprar medicamentos para tratar doenças resultantes do consumo de água não tratada ou tratar a água, para prevenir doenças, a escolha é óbvia do Ministério de Água e Energia.


Carlos Gomes

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Opinião