Economia

Agricultores em Malanje incentivados a produzir

Os agricultores de Malanje elogiaram a iniciativa do Governo angolano em disponibilizar uma linha de crédito no valor de 1.120 mil milhões de dólares, com vista a assegurar os projectos de empresários dos sectores da Agricultura, das Pescas e da Indústria.

12/06/2020  Última atualização 12H16
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O programa é direccionado aos que pretendam realizar investimentos que tenham mais de 50% de incorporação de factores de produção nacionais e que promovam as exportações.

As operações são realizadas por via de linhas de crédito obtidas com financiamento externo garantido pelo Estado, nomeadamente, 1000 milhões de dólares do Deustch Bank cedido ao Banco de Desenvolvimento (BDA) e 120 milhões de dólares do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) cedidas ao Banco de Poupança e Crédito (BPC).

Contactado pelo Jornal de Angola, o agricultor José Semedo Augusto aconselha a equipa do Ministério da Economia e Planeamento a deslocar-se às províncias, sobretudo aos municípios e comunas, a fim de identificar os homens do campo seleccionáveis para obter o respectivo apoio financeiro.
José Augusto pede, além da desburocratização do processo de crédito a nível nacional, a autonomia e proactividade da banca em reunir-se com os produtores para viabilizar outros projectos.

Soluções

Já o empresário José João Rafael considerou louvável a iniciativa de o Governo fazer a importação de insumos para fornecer ao sector produtivo e ajudar os agricultores.
“Eu sempre tenho dito que, por vezes, o falar não é fazer, o que nós esperamos é o concreto, pois as coisas são faladas e depois o que dificulta é a sua implementação”, desabafa.

José João Rafael referiu que, apesar disso, é preciso não depender apenas das importações e realça a capacidade de produção a nível local, uma vez que a província possui terras férteis propícias para o desenvolvimento da agricultura.
No entanto, o empresário enalteceu a boa vontade demonstrada pelo Governo e disse esperar que as acções sejam materializadas na prática para impulsionar a produção interna.

A empresa JJR está vocacionada ao ramo agro-pecuário. Além da criação de gado, tem dedicado uma atenção especial à agricultura, concretamente ao cultivo da mandioca, batata-doce e batata rena. O agente económico de Malanje avançou que está igualmente em curso a implementação da cultura de citrinos, suínos e caprinos.

A capital do país é o grande mercado abastecedor, tendo sido recentemente despachados para Luanda mais de 200 sacos de bombô para fins comerciais.
“Com o fim da época das chuvas, os trabalhos vão incidir, fundamentalmente, na colheita da mandioca para a sua transformação e ser enviada a Luanda para a sua comercialização”, avançou.

Repovoamento animal

O empresário José João Rafael saudou a iniciativa do Governo em potenciar os criadores de gado com mais unidades, uma vez que naquela província, os ex-criadores viram-se desfalcados devido aos vários factores sociais, com realce para o conflito armado.

Aquele agente económico acrescentou que devem ser contemplados igualmente os antigos criadores, pois, como disse, “ vai ser uma melhor via para a província voltar aos tempos áureos no que toca à criação de gado”. José João Rafael conta que, por experiência própria, tentou desenvolver um pouco a actividade de criação de gado junto de alguns sobas nas comunidades, mas o número de espécies que possuía era insuficiente para entregar a comunidade.

Não obstante a isso, frisou, as cabeças de cabo ofertadas ajudaram bastante e contribuíram para que algumas pessoas nas comunidades pudessem ostentar entre três a cinco cabeças de gado.

“Se o Governo criou esse plano, agradecia que contemplasse os sobas e outras pessoas de boa vontade para potenciá-las e não faltar a carne para o consumo, quer sejam de bovinos, quer sejam de caprinos”.
Com acções na comuna de Cambaxe e no sector Cambondo, a empresa que dirige não dispensou nenhum trabalhador nesse período, augurando que as coisas melhorem para se continuar a manter a mão-de –obra intacta.

O empresário João Rafael admitiu que, caso a situação da pandemia se alastre, não terá outra saída senão diminuir a força de trabalho, por causa das despesas em salário para os mais de 80 colaboradores, num montante calculado em 2 milhões de kwanzas/mês.
Dentre a mão-de-obra destaca-se, os tractoristas, camionistas, ajudantes, agricultores, pastores de gado e lojistas.

Abertura ao crédito

José Rafael diz acreditar na abertura dos bancos comerciais, mas considera que a informação deve ser bem passada para que os potenciais interessados possam aderir aos pacotes financeiros criados com a chancela do Governo.

O interlocutor do Jornal de Angola declarou que, por vezes, em caso de desejar por exemplo 100 milhões de Kwanzas, o candidato ao crédito é obrigado a entrar com 30 por cento, o que torna difícil gerir a situação, já que não terá por onde buscar o dinheiro.

José João Rafael exemplificou ainda que, uma contrapartida no valor de 30 por cento, se for para um empréstimo avaliado em 100 milhões de kwanzas equivale a 30 milhões de dólares, o que não é justo, já que em sua opinião, com o dinheiro 30 milhões de kwanzas, não haveria a necessidade de se recorrer ao banco.

O empresário considera que fazer recurso ao banco é já uma necessidade, daí que o Governo devia colaborar com a banca zelar nesse sentido, pois tratando-se de crédito, tinha mesmo que dar empréstimo de forma directa e estipular os prazos de pagamento e quem não cumprisse com os prazos fosse responsabilizado à luz dos instrumentos jurídicos que vigoram no país, “porque nós sabemos de antemão que as instituições financeiras não são casas de misericórdia” , rematou José João Rafael.

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