Economia

Agricultores apelam à recuperação de mini-hídricas

Sampaio Júnior | Benguela

Jornalista

O empresário Cristóvão Warschke “Tofo” disse à reportagem do Jornal de Angola que é importante a recuperação das mini-hídricas para manter a produção agrícola sempre que se registar o fenómeno de estiagem nesta região.

05/02/2021  Última atualização 11H10
© Fotografia por: DR
Com este tipo de infra-estruturas, os agricultores deixam de "gritar",  para a salvação das suas culturas. "Muitas mini-hídricas ainda estão lá no meio do mato  e nem todas foram destruídas pelo conflito armado e podemos recuperá-las ou construir novas, pois, elas sempre tiveram a sua relevância para o processo de produção agrícola com custos mínimos”, afirmou Cristóvão Warschke, para que se houver políticas públicas que visam incentivar a recuperação das mini-hídricas, o desempenho da produção agrícola poderá prosperar. 

"Eu tenho experiência disto lá onde instalei os equipamentos para irrigar os campos agrícolas, pois, os proprietários não se queixam pela falta de água para o campo de produção ”, disse. O resultado do trabalho que fez é bem visível na comuna do Maka Mombolo, no município do Balombo e da Ganda onde fazendas agropecuárias, com a extensão acima de 21 mil hectares, beneficiam da mini-hídrica e do sistema de irrigação bombeada (trabalho feito por via da pressão de uma corrente de água). "Instalei uma mini-hídrica que produz 62 KVA, com possibilidade de aumento de potência, em caso de necessidade. Esta energia é suficiente para alimentar os empreendimentos agropecuários existentes. Além disso, podemos estender a linha até à povoação e suprir as suas necessidades”, revelou.

Cristóvão Warschke garantiu que os equipamentos montados foram fabricados no quadro da habilidade criativa que possui, tendo como únicos recursos a matéria-prima adquirida no mercado local. Para a montagem do sistema (trabalho com mão-de-obra da própria comunidade), proporcionou o aumento da renda de muitas famílias. "Palanca Negra é a marca dos equipamentos que o empresário produz e garante  que têm um tempo de vida duradouro. "Nunca recebi queixas sobre eventual mau funcionamento e garanto que a qualidade não fica a dever aos materiais importados”, asseverou.Os aproveitamentos hidro-eléctricos podem funcionar como fios de água, isto é, aproveitar a energia dos caudais fluviais em regime natural e poder-se  armazenar na albufeira, para a utilização em condições mais vantajosas, durante os períodos mais secos. 

O investimento estruturante no sector agrícola passa pela recuperação das pequenas barragens.Para a fonte, o caminho para o desenvolvimento sustentável deve combinar o aproveitamento dos recursos naturais com o processamento dos produtos do campo, de modo a aproveitar as potencialidades do mercado.Afirmou ainda que devia haver maior empenho do Executivo na construção de mini-hídricas como base para se alcançar o desenvolvimento sustentável no meio rural e frisou a importância da comparticipação do sector privado nesse esforço, para que se possa aproveitar "todo o manancial” de terras aráveis e recursos hídricos da província de Benguela.

O empresário referiu-se às mini-hídricas que se encontram inoperantes e que foram construídas no passado na qual podem ser recuperadas e fazer frente ao momento crítico de falta  de água da chuva."É uma empreitada que vai criar melhorias na qualidade de vida das populações na aldeia e noutros locais recônditos do  país”, reiterou Cristóvão Warschke.
Componente social
A recuperação das mini-hídricas podem ser extensiva à componente social, como o fornecimento de energia às populações e a criação de postos de trabalho, que trazem rendimentos às famílias, funcionam como atractivo para as populações, estimulam o consumo e convertem-se em estímulos para a economia dessas regiões.

O engenheiro diz terem condições para electrificar muitas zonas rurais e beneficiar assim milhares de angolanos. "Em qualquer parte do país, este produto não pode ser visto como um luxo, mas como uma necessidade para o desenvolvimento económico e social”, reiterou.Garantiu ser importante olhar para o meio rural como ponto de partida para a estabilidade socioeconómica do país, sendo a energia eléctrica um bem fundamental para a melhoria das condições de vida e cidadania."Uma vez garantido o abastecimento de energia eléctrica e com a venda dos produtos agrícolas , as populações conseguem adquirir aparelhos de televisão e de rádio. Podem até instalar receptores de sinais de satélite de qualquer uma das operadoras. Isto representa desenvolvimento”, assegura.

O propósito do Executivo angolano de fazer dos municípios centro do desenvolvimento nacional não lhe passa despercebido. O "engenheiro do Povo” diz que concentrou intencionalmente os seus negócios nas comunas e aldeias onde existem boas terras aráveis e muita água, acreditando que aí haverá boas condições de sucesso do projecto e de realização pessoal dos populares que aderirem, tendo em conta os apoios previstos."Devemos começar a dar outra vida às nossas comunidades que residem em áreas recônditas do interior da província, com fornecimento de corrente eléctrica e água”,  garantiu.

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