Política

“Agostinho Neto olhou sempre para Cabo Verde como um parceiro para todas as horas”

O Chefe de Estado de Cabo Verde, José Maria Neves, disse que “o primeiro Presidente de Angola, Dr. António Agostinho Neto, olhou sempre para Cabo Verde como um país amigo e parceiro para todas as horas”.

29/09/2022  Última atualização 07H28
Agostinho Neto © Fotografia por: DR

O Presidente cabo-verdiano, que falava terça-feira, no acto comemorativo do Centenário do Nascimento de Agostinho Neto, realizado na Cidade da Praia, pela Embaixada de Angola no arquipélago, lembrou que o antigo Presidente angolano "passou por várias privações, provações, prisões e deportações, com a marcante passagem por Cabo Verde, onde também plantou as suas ideias e deixou saudosas lembranças”.

"Agostinho Neto ajudou a erguer a Nação angolana, enfrentando heroicamente as invasões estrangeiras e a guerra civil fomentadas pelos interesses bem localizados da Guerra Fria”, disse.

Convidado pela representação diplomática angolana em Cabo Verde para presidir à cerimónia, José Maria Neves recordou que Agostinho Neto "foi um sujeito activo da Geração da Utopia”.

”Com Amílcar Cabral, Mário Pinto de Andrade, Alda do Espírito Santo, Francisco José Tenreiro e Marcelino dos Santos, Agostinho Neto fundou o Centro de Estudos Africanos e promoveu tertúlias imprescindíveis na Casa dos Estudantes do Império, enquanto universitário em Portugal”, disse.

José Maria Neves reiterou o respeito e a admiração pela pessoa e pela obra do Dr. António Agostinho Neto e, na qualidade de Presidente da República de Cabo Verde, prestigiou "tudo o que possa significar esta grata figura para os cabo-verdianos, de várias gerações”,

O Presidente de Cabo Verde finalizou a intervenção reiterando os agradecimentos de Cabo Verde a Agostinho Neto pelos esforços em prol do seu país: "Quero reiterar o reconhecimento do povo cabo-verdiano, por tudo quanto Neto fez pela nossa soberania e pela reconstrução nacional, feito inolvidável, que permite que o Estado angolano e o Estado cabo-verdiano abordem, hoje, como dado adquirido a concretização de uma Parceria Estratégica, advinda do aturado trabalho desta tão insigne figura”.

O evento de homenagem ficou, igualmente, marcado por uma aula magna sobre a vida e obra de Agostinho Neto, ministrada pelo escritor e professor angolano Cornélio Caley. Na intervenção, numa audiência composta por governantes, políticos, estudantes universitários, entre outras individualidades,  disse que  os escritos de Neto "tocam o âmago da vida do negro sofredor”.

"Neto transformou-se em libertador dos povos. E, por isso, foi preso pela antiga Polícia Política Portuguesa (PIDE) e deportado para Tarrafal, Cabo Verde. Contudo, conseguiu evadir-se da prisão e juntou-se aos seus camaradas em Leopoldville, actual RDC, onde foi aclamado Presidente do MPLA, numa Conferência de Militantes, pois já era Presidente Honorário”, explicou.

Cornélio Caley considerou difícil interpretar, apresentar ou falar de Neto em qualquer ângulo que seja, pois requer a contribuição de várias áreas do saber: "A obra remete-nos para estudos complexos do ser, ou não ser, e o quase ser que resumem a sua poética política”, disse.

  JÚLIA MACHADO
Embaixadora realça bons exemplos de africanos

A embaixadora angolana em Cabo Verde, Júlia Machado, disse que se deve reconhecer as pessoas que, no percurso da vida, tiveram um bom exemplo, apontando como referência Agostinho Neto. "Uma figura não só de Angola, como aqui já foi dito, mas também uma figura de África”, enfatizou.

Referindo-se às acções de Agostinho Neto a nível do continente africano, Júlia Machado sublinhou que "Nelson Mandela não teria sido libertado, se, efectivamente, Angola não acolhesse, no seu território, os combatentes do ANC”.

"Temos a obrigação de dar a conhecer às novas gerações, aos estudantes aqui presentes,  as figuras que combateram  pela  liberdade do seu país, como é o caso de Agostinho Neto,  que também lutou pela liberdade de outros países,  como, por exemplo,  para a abolição do Apartheid na África do Sul”, disse a diplomata. Júlia Machado realçou que se não fossem os apoios de Angola e de Agostinho Neto a Namíbia não teria, tão depressa, alcançado a independência.

"Foi Angola que recebeu, nos tempos mais difíceis, os combatentes da SWAPO, que lutaram pela Independência da Namíbia. Portanto, o nosso objectivo é divulgar, promover e fazer com que a sociedade reconheça o exemplo deste líder e de tantos outros, que lutaram, não só para a liberdade de Angola, mas também para a de África”, destacou.

  ENCONTRO INTER-GERACIONAL
Jovens defendem preservação dos ideais de Agostinho Neto

Yara Simão

A preservação moral, cívica e patriótica do legado do Presidente Neto, assente nos ideais que nortearam a sua luta, deve constituir uma base obrigatória para a contínua construção de um futuro melhor, para as populações e para os jovens, em particular, defendeu, ontem, em Luanda, o representante do Instituto Angolano da Juventude (IAJ).

Discursando na 9ª Edição do Encontro Inter-Geracional sob o lema "O legado de Neto para os Jovens”, José Mateus considerou que a trajectória e obra evidenciam, claramente, que o Presidente amou o seu povo, como humanista, médico, poeta e político comprometido com o desenvolvimento do país.

"Seria motivo de orgulho para o Herói Nacional, se todos juntos pudessem construir, em harmonia e com empenho, o país”, realçou, referindo a Independência conquistada há 47 anos como prova inequívoca do engajamento de Neto, juntamente com outros filhos de Angola, que deram o melhor para que se tornasse livre do jugo colonial português.

Disse que o primeiro Presidente de Angola foi um homem de cultura e artes, comprometido com o bem-estar dos angolanos, por isso, o Ministério da Juventude e Desportos, através do IAJ, realizou o evento com o objectivo de reflectir, com a maior franja da população sobre o legado de Neto, enquanto jovem na prossecução dos ideais e na conquista dos mais altos interesses da nação.

Realizado também, no âmbito do Centenário, José Mateus disse que António Agostinho Neto é, na verdade, um dos maiores símbolos do nacionalismo angolano e os feitos estão presentes dentro e fora do país, tendo contribuído, de forma significativa, para a libertação de alguns países da África Austral.

Lembrou aos jovens que o 17 de Setembro é a data de nascimento do primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, também, considerado como o Dia do Herói Nacional, devido ao contributo dado na luta armada contra o colonialismo português, pela conquista da Independência da nação angolana.

Para José Mateus, o dia foi instituído feriado nacional em 1980 pela Assembleia do Povo, um ano após o falecimento, em 10 de Setembro de 1979, como forma de manter presentes os princípios, os ideais e os ensinamentos de Neto, responsável pelas bases da construção diária do país.

O encontro contou com a participação de mais de cinquenta pessoas, entre adolescentes e jovens, e teve como objectivo mobilizar a juventude à volta das comemorações alusivas ao Centenário Natalício de António Agostinho Neto, enaltecer a sua figura e obra, reverenciar a contribuição na libertação de Angola e de África.

Reconhecer os esforços de Neto na conquista da paz em todo o território nacional, bem como despertar o sentido patriótico nos jovens na preservação da paz, da unidade e reconciliação nacional, foram outros objectivos do evento realizado ontem.

A IAJ espera, com o encontro, fazer com que os jovens, organizações juvenis e a sociedade, em geral, enalteçam a figura e a obra de António Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola e Fundador da Nação.

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