Cultura

Agnela Barros defende maior expansão das artes entre os países africanos

Manuel Albano

Jornalista

A importância do alargamento das relações interculturais e artísticas entre os países africanos da lusofonia, com os anglófonos e francófonos, é o tema de uma proposta a ser apresentada pela especialista angolana em Estudos Teatrais Agnela Barros, durante o Festival Internacional Teatro do Inverno (FITI), que decorre até 12 de Junho, nas cidades de Maputo e Beira, em Moçambique.

06/06/2022  Última atualização 19H15
Especialista vai aproveitar a estadia em Maputo para criar mais espaços de debates entre angolanos e moçambicanos © Fotografia por: DR

Agnela Barros é uma das convidadas da conferência "Papo Cultura”, na qual vai propor um diálogo amplo e aberto sobre o assunto e procurar transmitir a sua experiência ao público, enquanto PhD em Performance Tradicionais.

Na actual "Aldeia Global”, a especialista angolana acredita ser fundamental ampliar mais os conhecimentos dos participantes do festival, que começou sexta-feira passada, sobre as artes desenvolvidas nas outras realidades africanas.

O produto cultural nacional, disse, "poderia ser mais enriquecido caso usasse as experiências dos demais países africanos, até mesmo os de expressão anglófona e francófona”. O facto de muitos dos criadores nacionais estarem limitados ao português, como forma de comunicação, tem sido um impasse na troca de experiência.

Pela abrangência do inglês, adiantou, é importante que os actores da lusofonia passem a ter maior domínio desta. "Um dos maiores entraves ao desenvolvimento das artes também tem sido a língua, pois limita muito a participação dos grupos e companhias de teatro em fóruns realizados em países africanos falantes de inglês, ou francês”, adiantou.

Como membro de direcção da Associação Africana de Teatro (AAT), Agnela Barros incentiva a classe artística nacional a apostar, igualmente, no aprendizado das línguas nacionais locais, em particular, e estrangeiras, de uma forma geral, para facilitar a inserção e interacção no contexto das nações.

O domínio de outras línguas já se justifica, explicou, por permitir manter alguma regularidade na participação dos grupos angolanos em festivais internacionais e concorrerem para a obtenção de bolsas de estudos da União Europeia. "Estamos a perder muitas oportunidades de formação no estrangeiro, que nos permitiriam evoluir no domínio das artes”, lamentou. 

Ao longo do debate, Agnela Barros prometeu ainda falar um pouco sobre a própria dinâmica das artes cénicas moçambicanas, com base na interacção entre o público e os actores, assim como da importância das escolas de artes ao desenvolvimento do potencial criativo dos jovens. 

 

Histórico

Natural do Huambo, Agnela Barros é directora executiva da revista "Austral”, da TAAG. Mestre em Estudos de Teatro, pela Faculdade de Letras, da Universidade de Lisboa, foi professora assistente da Universidade Agostinho Neto e directora do Instituto Nacional de Formação Artística (INFA).

Co-fundadora da Associação Angolana de Teatro para a Infância e a Juventude (Assatij) e também antiga presidente da Associação Angolana de Teatro (AAT), fundou, em 2017, e preside até hoje a Casa de Cultura e Artes Ubuntu.

Em 2019, recebeu a Medalha de Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras, atribuída pelo Ministério da Cultura da França, condecoração justificada com "os inúmeros serviços notáveis prestados à francofonia”.

Hoje, Agnela Barros é uma das figuras ímpares do teatro angolano, quer pelos diversos cursos de técnicas obtidos ao longo dos anos, quer pelo extenso e diversificado leque de actividades feitas para a promoção e valorização dos actores e da dramaturgia nacional.

Actriz e produtora, já venceu vários prémios no Festival Internacional do Teatro do Cazenga e no Circuito Internacional de Teatro (CIT). Ao longo da carreira, fez investigações na área de Teatro Africano e sobre o Tchiloli, de São Tomé.

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