Economia

Agência revela estratégia pública para o Okavango

Carlos Paulino | Menongue

Jornalista

O presidente do Conselho de Administração (PCA) da Agência Nacional para a Gestão da Região Angolana do Okavango (ANAGERO) afirmou que os parques nacionais de Luengue-Luiana e de Mavinga representam os principais santuários de vida selvagem para o desenvolvimento do ecoturismo no projecto Okavango/Zambeze (KAZA), integrado por Angola, Botswana, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe.

22/05/2024  Última atualização 13H00
Encontro entre o Governo do Cuando Cubango (à direita) e representantes dos investidores © Fotografia por: Carlos Paulino | edições novembro

Rui Lisboa defendeu que, neste momento. urge a necessidade de se pensar em criar condições favoráveis para que estes dois importantes parques sejam integrados entre os  destinos turísticos de iniciativa regional, mesmo à luz do impulso dado pelo Governo angolano ao prestar uma especial atenção a esses dois activos.

As acções nesse sentido encetadas sobre os parques nacionais de Luengue-Luiana e de Mavinga ocorrem na perspectiva da protecção da biodiversidade, que é o principal activo turístico, e da reabilitação de estradas, construção de postos fronteiriços e outros serviços básicos que permitem rapidamente integrar a componente angolana do projecto KAZA, que conta com uma área de cerca de 90 mil quilómetros quadrados.

Rui Lisboa disse que existem boas parcerias entre angolanos e namibianos, porque precisa-se, de facto, da experiência da Namíbia, dado que Angola pode ser considerada uma economia incipiente na questão do investimento no turismo, necessitando de criar um roteiro turístico que abarque o país e os seus parceiros no projecto Okavango/Zambeze.

Considerou, ainda, que é necessário que se façam os planos de gestão dos referidos parques e o loteamento das áreas de interesse turístico, para se atrair investidores, muitos dos quais ávidos em operar para lá do Okavango, em áreas das províncias do Bié, Cuando Cubango, Cunene, Huambo, Huíla e Moxico, ao longo de 367.986 quilómetros quadrados.

De acordo com o PCA da ANAGERO, sete empresas nacionais e estrangeiras assinaram, no 1º Fórum de Investidores da Região Angolana de Okavango, em Janeiro, memorandos de entendimento, à luz dos quais estão a solicitar espaços para a concretização de projectos nas áreas do turismo e agronegócio nos municípios do Calai, Dirico, Mavinga e Rivungo, no Cuando Cubango.

Grupo internacional projecta implantação de Jóia do Turismo

O representante da empresa Wild Walters Group, Simone Micheletti, disse que a firma pretende transformar o parque nacional do Luengue-Luiana numa jóia do turismo em Angola, tendo em vista que existem condições favoráveis em termos de fauna e recursos florestais.

Adiantou que o Wild Walters Group já trabalha há mais de 15 anos no sector do turismo na Namíbia e tem 30 anos de experiência no Delta do Okavango, no Botswana, sendo  pioneiro na região.

"Trabalhamos com muitas instituições, assim como no projecto KAZA e um dos nossos objectivos é de estabelecer um produto turístico de alto rendimento no parque nacional de Luengue-Luiana, para criar um destino e uma marca naquela região”, disse.

Simone Micheletti insistiu em que existe potencial, o que vai da beleza paisagística e à vida selvagem que pode ser restabelecida com um novo repovoamento vindos da Namíbia, para o que é necessário trabalhar com instituições locais e o Governo.

Companhia nacional prevê construção de quatro lodges

O representante das Organizações Coutada do Luiana, general reformado Adriano Mackenzie, disse que a grande prioridade da instituição recai, numa primeira fase, sobre a construção de quatro lodges, instalação de dois acampamentos de pesca desportiva e duas áreas de reprodução e conservação de animais no município do Dirico e ao longo dos parques nacionais do Luengue-Luiana e de Mavinga.

Salientou que as Organizações Coutada do Luiana encetaram contactos oficiais com o Ministério da Defesa Nacional e o Estado-Maior General, no sentido de ser atribuída a gestão do quartel das FAA da localidade do Licua, dada a sua inutilidade.

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