Perde-se na poeira do tempo a época gloriosa da cotonicultura angolana (cultivo de algodão). Os investimentos públicos feitos no sentido de revitalizar o sector “encalharam” no Sumbe, município sede da província do Cuanza-Sul, onde o Estado despendeu, em 2011, dezenas de milhões de dólares num projecto piloto, na expectativa de incluir o também chamado “ouro branco” na grelha de produtos geradores de divisas.
O Mercado da Mabunda, localizado no distrito urbano da Samba, é um dos maiores fornecedores de peixe fresco, senão mesmo o maior da capital do país. É o destino preferido de centenas de citadinos. Isso apesar de constrangimentos tais como a falta de higiene e a presença constante de larápios que, volta e meia, podem deixar o visitante aos prantos. Há ainda o desrespeito total às regras de distanciamento físico em tempo de Covid
A União Africana alerta que, embora as fatalidades associadas à pandemia da Covid 19 sejam baixas, uma elevada percentagem da população no continente pode estar infectada no próximo ano, resultando num grande número de mortes, sobretudo de pessoas idosas e doentes.
A organização continental elaborou uma Estratégia Africana Conjunta contra a Covid 19, divulgada no seu website, que, além de Informação sobre a doença, origem e sintomas, disponibilizou linhas telefónicas de emergência para ajudar as pessoas em cada região dos Estados-membro. O pico da pandemia no continente está previsto para o próximo ano.
Dados divulgados ontem à noite pelo Centro de Prevenção e Controlo de Doenças da União Africana indicam que 52 países estão oficialmente afetados pela doença e apenas as Comores e o Lesoto não relatam casos. A África do Sul tem 1.749 casos positivos e continua a ser o país mais afetado pela pandemia com 13 mortes confirmadas. A Argélia (1.468 casos e 193 mortes), o Egito (1.450 casos e 94 mortes) e o Marrocos (1.242 casos e 91 mortos) também superaram os 1.000 infectados.
A região Norte do continente africano, até ontem à noite, era a mais afectada, com 4.160 casos, 278 mortes e 332 pessoas curadas, enquanto Oeste regista menos casos, 1.330, 38 mortes e 176 pessoas curadas. Angola, com 17 casos e duas mortes, já tem dois casos de recuperação na região austral do continente africano. Eswatini, com uma pessoa curada em nove casos, e a Namíbia, com dois recuperados em 14 casos registados, também têm registo de pessoas curadas.
Botswana, com quatro casos e uma morte, Malawi, com três casos e sem morte, Moçambique, com dez casos e sem morte, Zâmbia, com 39 casos e uma morte, e o Zimbabwe, com 9 casos e uma morte associada à Covid 19 são os países ainda sem casos de pessoas curadas.
Metas
1 - Prevenir doenças graves e morte por infecção por COVID-19 nos Estados-membros.
2 - Minimizar as perturbações sociais e as consequências económicas dos surtos de COVID-19.
Objectivos
1 - Coordenar os esforços dos Estados-membros, agências da União Africana, Organização Mundial da Saúde e outros parceiros para garantir sinergia e minimizar a duplicação.
2 -Promover práticas de saúde pública baseadas em evidências para vigilância, prevenção, diagnóstico, tratamento e controle do COVID-19.
Envolvimento de organizações
União Africana: colaborar para garantir alto nível de comprometimento e liderança política em todos os sectores envolvidos na resposta ao COVID-19, particularmente Paz e Segurança, Comércio e Indústria, Assuntos Económicos e Economia Rural e Agricultura.
Multilateral: Assegurar a complementaridade e sinergia de orientação, advocacia e apoio dos Estados-membros com a Organização Mundial da Saúde, incluindo sedes e escritórios regionais da Região do Mediterrâneo Oriental e da África e outros parceiros multilaterais.
Comunidades Económicas Regionais: Associar as comunidades económicas regionais de África para promover a implementação das directrizes do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças (CDC) da União Africana, particularmente em relação às fronteiras e ao comércio.
Estados-membros: Fornecer assistência técnica e meios essenciais aos Estados-membros para apoiar uma abordagem diferente de todo o governo no combate à COVID-19, consistente com as orientações do CDC para África.
Coordenar os esforços dos Estados-membros, agências da União Africana, Organização Mundial da Saúde e outros parceiros, para garantir sinergia e minimizar a duplicação.
Sector Privado: apoiar companhias aéreas e aeroportos na triagem e gestão de casos da COVID-19 e colaborar para manter cadeias de suprimentos para recursos compartilhados, incluindo equipamentos de protecção individual, suprimentos e equipamentos de laboratório e, se disponível e necessário, contra-medidas médicas.
Doadores, fundações e outras partes interessadas: colaborar com doadores, fundações, instituições académicas e outras partes interessadas para fortalecer a capacidade de saúde pública para o controle do COVID-19.
Estratégia Africana Conjunta
Em África, a principal estratégia contra a COVID-19 é limitar a transmissão e minimizar os danos, dado que a transmissão em todo o continente é inevitável. “Atrasar e diminuir o pico de surtos, ajudar os sistemas de saúde a gerir melhor a onda de pacientes e comunidades a adaptarem-se melhor à interrupção das atividades sociais, culturais e económicas” contam-se entre as medidas, segundo a Estratégia Africana Conjunta aprovada pela organização continental.
As tácticas para conseguir concretizar este desafio incluem diagnóstico e isolamento rápidos de pessoas infectadas, quarentena de quem teve contacto próximo com um infectado e distanciamento social na população em geral. Práticas rigorosas de prevenção e controlo de infecções serão necessárias em unidades de saúde e outros ambientes de alto risco, incluindo escolas e prisões.
Os serviços de saúde precisarão restringir a admissão hospitalar a pessoas infectadas que necessitem absolutamente de um nível mais alto de atendimento, como antibióticos intravenosos, oxigénio, suporte ventilatório ou hemodinâmico. Limitar a transmissão e minimizar os danos do COVID-19 exigirá uma abordagem de todo o Governo, segundo a organização. A agitação social pode resultar de unidades de saúde com capacidade insuficiente, falta de alimentos essenciais, medicamentos ou outros suprimentos e resistência a políticas de distanciamento social que limitam o trabalho, a escola, os eventos culturais e/ou a prática religiosa, admite a União Africana.
Apesar das orientações da OMS para manter as fronteiras abertas a pessoas e mercadorias, as restrições de viagens e comércio espalharam-se desde meados de Janeiro. Encerramentos semelhantes de instituições podem ter impactos devastadores na saúde, nas economias e na estabilidade social em muitos países africanos, que dependem do comércio com vizinhos e países não africanos.
Todas as agências governamentais precisarão estar envolvidas na implementação das actividades de resposta ao COVID-19, incluindo, por exemplo, finanças, justiça, comércio, agricultura e educação, alerta a organização.
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