Economia

Afreximbank coloca à disposição de Angola mil milhões de dólares

O Banco Africano de Importação e Exportação (Afreximbank) está disponível a abrir uma linha de crédito no valor de mil milhões de dólares para financiar projectos de pequenas e médias empresas angolanas que operam nos sectores da indústria  e energia, declarou ontem, na cidade do Cairo, Egipto, o consultor da instituição continental Paulo Gomes.

13/12/2018  Última atualização 09H11
DR © Fotografia por: Consultor garantiu que o financiamento será feito através dos bancos nacionais

Em declarações a jornalistas angolanos, no final de uma visita  ao pavilhão de Angola na Feira Comercial Intra-Africana (IATF) 2018, que entra hoje no terceiro dia, o consultor do Afreximbank disse que o financiamento vai ser feito por via de bancos que operam no mercado angolano.
Promotor da feira, o Afreximbank pretende subscrever acordos comerciais com empresários do continente africano num montante situado acima de 25 mil milhões de dólares norte-americanos, com uma moratória de amortização de três anos.
Angola, de acordo com o consultor do Afreximbank, foi um dos primeiros países a posicionar-se para essa linha de crédito. “Tão logo sejam cumpridos os procedimentos administrativos, os empresários do país podem habilitar-se a ela”, referiu.
A grande prioridade do Afreximbank, disse, é dar oportunidades de financiamento a pequenas e médias empresas dos Estados-membros, de modo a garantir o crescimento  económico e o acesso dos jovens ao emprego.
Agenda 2063 da União Africana, lembrou, estabelece acções específicas para cada  decénio, tendo em vista o desenvolvimento económico do continente.
A implementação da Zona de Livre Comércio Continental (ZLCC)  está inserida nesse plano,  cujo objectivo é aumentar o comércio entre os países africanos, uma empreitada na qual, de acordo com declarações do consultor do Afreximbank, Angola tem um papel fundamental.
 Análises do Afreximbank mostram que uma das principais razões por que o comércio intra-africano é baixo, por volta de 15 por cento, em comparação com a Europa (59 por cento) e América do Norte (37 por cento), está no facto da fraca ou falta de informação sobre o que cada um dos países produz.
A África movimenta, anualmente 70 mil milhões de dólares, cifra considerada moderada pelo Afreximbank, tendo em conta as potencialidades do continente. Entre os factores que inibem o comércio intercontinental,  o consultor daquela instituição bancária apontou a falta de infra-estruturas e a burocracia.
Angola, afirmou, é um  dos países de África que mais investiu  em infra-estruturas, sobretudo em estradas e caminhos-de-ferro, com ligações a países vizinhos. “ Temos algumas barreiras fronteiriças criadas artificialmente  pelos colonos e a única forma de acabar com elas é incrementar o comércio entre os países do continente, declarou, antes de encorajar os demais Estados-membros da União Africana a seguirem o exemplo de Angola, investindo em sectores estruturantes para dinamizar a economia.

  Contactos de negócios animam empresas angolanas   

Ontem, segundo dia da Feira Comercial Intra-Africana, o movimento no pavilhão de Angola foi intenso. Além das bailarinas do grupo tradicional Ballet de Luanda mostrarem os seus dotes de exímias dançarinas, ao som do marimba, os visitantes ficaram encantados com os produtos nacionais expostos no certame.
 Na opinião do presidente do conselho de administração do grupo OPAIA, Agostinho Capaia, o dia de ontem foi “bastante produtivo” para a delegação angolana que participa no evento.
Interessado em instalar no país um parque industrial para transformação de produtos alimentares e farmacêuticos, o grupo OPAIA manteve ontem encontros com  representantes  dos bancos de importação e exportação da China e Coreia do Sul, na perspectiva de obter financiamentos para o projecto.
Segundo Agostinho Capaia, o projecto está em fase de conclusão e, neste momento, a empresa  trabalha com o Ministério da Indústria para definição da região onde será instalado.
O também  presidente da  Comunidade de Empresas Exportadoras e Internacionalizas de Angola (CEEIA) e embaixador de Angola na Feira do Cairo, disse que o evento está a ser proveitoso, tendo em conta o número de empresas que tem vindo a manifestar interesse no mercado angolano.
Fundado em 2002, o grupo OPAIA tem negócios nas áreas da água, energia, construção civil, agricultura, turismo,  bem como  tecnologias de informação e comunicação.
Com um volume de receitas estimadas em 200 milhões de dólares em 2017, o grupo emprega, a nível do país,  mais de 500 funcionários.
A administradora da Agência de Promoção das Exportações (AIPEX) Sandra Dias dos Santos  considerou que a feira está a ser proveitosa, pelo número de empresários egípcios que querem investir na indústria farmacêutica em Angola.
O Egipto, lembrou, é forte na produção de fármacos, uma área em que Angola deve abrir-se mais ao investimento estrangeiro.
Além da indústria farmacêutica, disse, do Egipto Angola pretende colher, também,  experiência no domínio do agro-negócio  e captar investidores para esta área \"Queremos mostrar que Angola está a melhorar o ambiente de negócio e que somos um destino viável para o investimento\", salientou.
Apesar de algumas marcas da Refriango chegarem a mercados da região da SADC, como a Namíbia, a empresa pretende expandir-se para outros mercados  africanos. Ontem, o grupo  lançou, na feira, um dos mais recentes produtos, o Super Malte, uma bebida alimentar feita a partir de cereais e enriquecida com mel, cálcio e vitaminas.
As bebidas de malte já constituem um grande sucesso de vendas em África e noutras geografias como a América do Sul e o Médio Oriente, devido às suas características nutritivas, bem como aos benefícios inerentes ao seu consumo diário.
O sector mineiro está representado pelas empresas Sodiam e a Sociedade Mineira de Catoca. O chefe do Departamento  de Mercado Externo da Sodiam, Flávio Bartolomeu,  disse que  os empresários que visitam os stand estão a manifestar interesse, principalmente,  na produção do ouro.
Flávio Bartolomeu revelou que empresários egípcios manifestaram interesse em comprar o minério em Angola para transformá-lo. O responsável pela Comunicação da Sociedade Mineira de Catoca, Franscisco Bayla, anunciou um contacto com um fornecedor de produtos como bombas de sucção de água,   importante para a indústria diamantífera. “Acredito que, até domingo, vamos conseguir fazer negócios proveitosos no Cairo”, disse.
 Os bancos de Desenvolvimento de Angola (BDA) e  o Angolano de Investimentos (BAI) representam os operadores da banca nacional no certame.
A directora de Crédito do BDA, Patrícia Almeida, afirmou que apesar das visitas  ainda tímidas ao stand, as empresas que procuraram o banco manifestaram o interesse em  saber mais sobre a oferta de produtos, para poderem investir em Angola.

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