Cultura

Adeus ao compositor e poeta Lutumba Ndomanueno Simão

Morreu em Paris, no sábado, um dos últimos gigantes da rumba congolesa, Lutumba Ndomanueno Simão, de nome artístico Simarro Masiya, de origem angolana, vítima de doença.

31/03/2019  Última atualização 16H34
DR © Fotografia por: Ndomanueno (ao centro) ladeado pelo mestre Franco (à direita)

A informação foi confirmada pelo filho, Salomon Lutumba. O artista, de 81 anos, era “herdeiro” de Luambo Makiadi “Franco”, de quem foi discípulo durante décadas. Com a morte do Franco em 1989, Lutumba Simão assumiu o comando do lendário agrupamento OK Jazz.
Lutumba Simão nasceu no município do Zombo, província do Uíge, no dia 11 de Abril de 1938. Alguns anos depois, acompanhou os pais até ao Congo Belga, actualmente Congo Democrático, onde encontraram refúgio, em consequência do regime colonial instalado em Angola, que os obrigou a trabalhos forçados nas fazendas.
Simarro Masiya cresceu em Leopoldville, hoje Kinshasa, onde frequentou o ensino primário e secundário. Iniciou a carreira em meados da década de 50, nos conjuntos musicais dos bairros periféricos da capital congolesa, como guitarrista rítmico.
Teve uma passagem em 1958 pelo famoso African Jazz do Kabasele Tshamala-Grand Kallé, antes de ser contratado pelo Gerard Ma-diata para ingressar no Congo Jazz, no mesmo ano.
Em 1962, Franco, que já era um músico bem conhecido em África, sofre a primeira dissidência no seu agrupamento, em que a maior parte dos artistas, originários do Congo Brazzaville, decidem criar o Bantou de la Capital. Recruta novos artistas que resulta no surgimento de Simarro como guitarrista ritmo. Passa alguns anos na sombra do mestre, compondo algumas canções, embora sem sucesso. Em 1969, o seu talento vai eclodir, ao gravar canções de antologia, como Fifi nazali inoncent e Gerôme.
Com a entrada de Sam Magwana no OK Jazz em 1971, Lutumba Simão revela-se poeta, para além de compositor, inspirando-se, so-
bretudo, no rio Zaire, criando um estilo próprio no OK Jazz, designado de Lolaka (verbo) com textos longos, recheados de poesia e provérbios africanos.
Já com Sam Mangwana nos microfones, compõe canções consideradas hoje como monumentos da rumba: Ebale ya Zaire, Mabele, Inoussa, Minuit Eleki Lezi, Cedou, Faute ya commerçant, entre outros clássicos. Com a partida de Sam Mangwana para Paris, Lutumba Simão contrata Djo Mpoyi, o mesmo que galvanizou a ex-Torrada em Luanda, em 1980.
Nos anos 80, continuou a surpreender, desta vez, acompanhado de outro artista de origem angolana, Carlos Ndombasi Lassa “Carlitos”. Ambos compõem a célebre canção “Maya”, retomada meses depois com a participação de Pepe Kallé e Papa Noël, na guitarra solo, sem esquecer Verre Cassé e Afaire Kitikwala.Lutumba Simão deixou centenas de canções interpretadas por Sam Mangwana, Franco, Papa Wemba, Pepe Kallé, e outros “colossos” da música africana.

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