Política

Académicos debatem na Huíla sobre a nova ordem Mundial

Domingos Calucipa | Lubango

Jornalista

“O mundo pós-ocidental: BRICS - potências emergentes e a nova ordem global” foi o tema de uma palestra que juntou, quinta-feira, na cidade do Lubango, capital da província da Huíla, académicos e diferentes actores da sociedade civil, numa iniciativa da Fundação Bornito de Sousa.

16/06/2024  Última atualização 08H04
Bornito de Sousa, patrono da Fundação, marca presença no evento © Fotografia por: Edições Novembro

Durante aproximadamente duas horas, docentes, estudantes universitários e membros da sociedade civil reflectiram o actual cenário geopolítico mundial, que tende para um mundo cada vez mais multipolar, com o surgimento de novas potências económicas.

Na perspectiva do brasileiro Oliver Stuenkel, especialista em relações internacionais e autor dos livros "BRICS e o futuro da ordem global” e "O mundo pós-ocidental: potências emergentes e a nova ordem global”, o panorama internacional actual dá indicações de que o Ocidente continuará a ser importante, mas não decisivo na política global.

Oliver Stuenkel aponta que se assiste a um declínio da economia ocidental e a ascensão da não-ocidental, como são os casos da China e da Índia, que juntos com a Rússia, Brasil, África do Sul e outros países formam os BRICS, um bloco económico recente que tende a mudar o cenário económico global.

"O que tem preocupado é de que forma nós podemos organizar o sistema internacional diante da chegada de um mundo multipolar, em que o Ocidente continua a ser importante, mas não mais decisivo”, observou o pesquisador internacional.

Segundo Oliver Stuenkel, observa-se um evidente curso para um mundo pós-ocidental, com o crescimento económico da China, da Índia e outras, como algo sem precedentes. "E acompanhando o debate académico e político nos Estados Unidos da América e na Europa existe um certo temor com a chegada do mundo pós-ocidental”, sublinhou.

O especialista em relações internacionais admitiu que, hoje, a influência ocidental está em declínio, em função da ascensão de outros países numa ordem natural. Destacou, por exemplo, a dificuldade de o Ocidente influenciar o mundo em isolar a Rússia, tendo citado o seu país, o Brasil, que não pode responder ao pedido por a sua agricultura depender de importação de fertilizantes russos.

"É uma clara indicação de que não convém ao Brasil romper relações económicas com a Rússia, por este país ser relevante, além de fazerem parte do mesmo bloco económico, BRICS. Resumindo, o Ocidente já não é capaz de influenciar qualquer país na tomada de decisão”, afirmou.

Disse que o mundo enfrenta actualmente uma situação de mudanças reais, em que se vê que não há como discutir o combate às alterações climáticas porque não se consegue juntar países europeus e a Rússia à mesma mesa. "E os países precisam dialogar sobre isso, precisam concordar sobre metas de combate à os s mudanças climáticas, enquanto estão engajados no conflito militar da Ucrânia.

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