Cultura

Acácio vence Concurso de Trova “Cantar Neto”

Analtino Santos

Jornalista

O músico Acácio, representante da província de Luanda, com o poema musicado “Nas Curtas Horas”, venceu o Concurso Nacional de Trova -“Cantar Neto”, organizado pela União Nacional dos Artistas e Compositores - Sociedade de Autores (UNAC-SA), cujo gala final realizou-se na noite de quinta-feira, no Palácio de Ferro, em Luanda.

24/09/2022  Última atualização 07H05
Representante de Luanda conquista primeira edição do prémio © Fotografia por: Paulo Mulaza | Edições Novembro

Na segunda posição ficou o representante do Cuando Cubando, Abias, com "Adeus à Hora da Largada” e concluiu o pódio, o defensor de Cabinda, Agnelo, com o  "Poeta de Todos os Tempos”.

O evento, testemunhado pelo anfitrião, Zeca Moreno, presidente da UNAC-SA, Manuel Homem, governador de Luanda, Filipe Zau, ministro da Cultura e Turismo, Maria da Piedade de Jesus, secretária de Estado da Cultura e outras individualidades, teve como voz revelação Supe Muteca proveniente do Namibe com "Choros de África” .

A vitória de Acácio, um nome consagrado na cena musical, levantou alguma polémica no meio da classe artística presente. O corpo de júri e a direcção da UNAC-SA apresentaram o regulamento  do concurso que não colocava impedidos na participação. O evento, apesar desta imprecisão, foi considerado positivo pela assistência.

O programa reservou três blocos de apresentação para os dezasseis concorrentes provinciais, em função das ausências do Uíge e Cuanza-Norte. Na abertura, António e Nelson, pelo Bengo, cantaram "Sinto na Minha Voz”, enquanto "Desterro” foi a proposta da dupla Gervásio e Zeferino, provenientes de Benguela. José Diotela veio do Bié para dar o seu toque em "Havemos de Voltar”. Ainda passaram Agnelo (Cabinda), Chilumbo (Cuanza-Sul) e Abias (Cuando Cubango), que soltaram a voz em "Poeta de Todos os Tempos”, "Civilização Ocidental” e "Adeus  à Hora da Largada”, respectivamente.

No segundo bloco desfilaram os seguintes concorrentes: António (Cunene), com "Criar”, Duo Ndossi (Huambo) em "Crueldade”, Lizandra (Huíla) em "Sinto a Minha Voz”, Acácio (Luanda) em "Nas Curtas Horas”, Gradi na Sol (Lunda-Norte) em "Comboio Africano” e encerrou o bloco o Dueto Afro Tchokwe, integrado por Madalex e Man Ipa, em representação da Lunda-Sul, com "Choros de África”.

No terceiro e último bloco destinado aos concorrentes desfilaram Bruno Gabriel (Malanje) em "Desterro”, a dupla Pedro e Telma (Moxico) em "Afirmação”, Supe Muteca (Namibe) em "Choros de África” e  Paulo e PCA (Zaire) em "Desterro”. Todos os concorrentes foram avaliados nos seguintes itens: composição, harmonia, enquadramento vocal, estética de execução e arranjo melódico e indumentária. O presidente do júri foi o músico e professor Emanuel Mendes.

Homenagem

O evento ficou marcado pela outorga de Diploma de Mérito ao Duo Canhoto, pela resiliência e todo o percurso artístico e como um pilar na Trova de Angola, e a título póstumo aos Irmãos Kafala, a título póstumo, representados por Deolinda Costa (viúva de José Kafala) e Nadilson Kafala (filho de Moisés Kafala) que agradeceram o gesto da organização. 

A exibição de um vídeo onde foi contada parte da história do movimento da trova no país, que realça os nomes de Beto Gourgel, Waldemar Bastos, Trio Vikeia, Zé Fixe, Armando Rosa, Manuel Curado, Trio Melodial, Duo Missosso, Quarteto Akapana, Dom Caetano e Zeca Sá, Gabriel Tchiema e Mito Gaspar. 

Foram vários os momentos que marcaram a gala final do Concurso Nacional de Trova "Cantar Neto” como a intervenção musical de Carlos Lamartine e do Duo Canhoto em "Partida Para o Contrato”. Interessante foi a curta exibição do grupo Julu, com a peça de teatro "Ainda o Meu Sonho” e do grupo coral Celebrate, que interpretou "Adeus à Hora da Largada”. E na parte final a exibição do grupo de dança Ballet Njinga Mbande.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Cultura