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Abertura da época balnear no Huambo: Serviço de Bombeiros quer maior responsabilidade dos banhistas

Domiana N'jila| Huambo

O comandante provincial-adjunto do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros pediu, este domingo, na abertura da época balnear 2022/2023, no Huambo, mais responsabilidade e consciencialização dos banhistas, de forma a prevenir os casos de afogamento.

03/10/2022  Última atualização 06H00
Bombeiros registaram um número crescente de afogamentos nos rios, de onde foram retirados 26 cadáveres este ano © Fotografia por: Marcelino Wambo | Edições Novembro | Huambo

Manuel Camalandua destacou, ainda, no acto de abertura, cuja cerimónia oficial foi realizada na albufeira do Cuando, a importância de os banhistas começarem a ter noção sob os riscos de frequentarem determinadas zonas de risco, sem supervisão

O superintendente e bombeiro-chefe, que falou em representação do delegado do Ministério do Interior e comandante da Polícia Nacional no Huambo, Francisco Monteiro da Silva, apelou, também, para a implementação da cultura de prevenção de afogamento, com a colaboração dos sectores envolvidos nessa área de actuação.

O Serviço de Protecção Civil e Bombeiros no Huambo, adiantou, tem como objectivo principal, nesta época balnear, chegar a zero afogamentos, sob o lema "Por uma época balnear segura, primemos pela responsabilidade e consciencialização na prevenção dos afogamentos”. "Os casos tendem a aumentar por negligência reiterada, por isso vemos na prevenção a solução”.

 

Quadro alarmante

O superintendente e bombeiro-chefe disse que o número de afogamentos registados na província é alarmante. No período de 15 de Agosto de 2021 a 15 de Agosto deste ano, contou, o comando, registou 67 afogamentos, mais 17 casos em comparação ao período anterior.

"Ao longo deste período registamos, como consequência das buscas e resgates dos cadáveres de vítimas em rios, 26 mortos. Nas cacimbas recolhemos 18 cadáveres, nas lagoas dez, charcos de água três, riacho e valas de drenagem um morto cada”, lamentou.

Manuel Camalandua referiu que, em relação ao género, foram registadas 53 mortes do sexo masculino e seis feminino. Os municípios mais afectados, disse, foram o Huambo, com 26 mortos, Caála, 15, Cachiungo, sete, e Bailundo, com seis.

"A negligência tem sido a principal causa dos afogamentos, com 44.1 por cento. Em segundo está a falta de atenção por parte dos pais, com 15.5 por cento. Por último estão os presumíveis casos de homicídio, por razões desconhecidas, num total de 13 por cento”, explicou.

Aos banhistas, o bombeiro-chefe aconselhou para evitarem o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e outras drogas ilícitas. O comando, acrescentou, realizou 295 trabalhos de sensibilização, 414 protecções em zonas balneares e em outras áreas aquáticas, 121 trabalhos de levantamento de 1.901 cacimbas, onde se constatou que 1.027 estão desprotegidas, um grande perigo para as famílias.

"O nível de displicência é ainda alto, mesmo com as sucessivas campanhas de sensibilização quer nas estações de rádio locais, nas escolas e igrejas, ainda temos tido um registo alto de mortes por afogamento. É preciso reverter o quadro”, lembrou.

 

Os limites

Domingos Sachilepa, soba do Cuando, disse que a abertura do ano balnear vai ajudar os jovens da localidade a se divertirem, mas espera destes respeito pelos limites impostos pelos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros. "O alerta é também para os turistas, muitos deles visitas dos moradores locais, que transpõem as barreiras que os próprios bombeiros delimitam”, disse.

João Constantino, um dos moradores do Cuando, destaca a atenção a ser dada ao quesito segurança, nesta época balnear, por causa do número elevado de afogamentos ocorridos o ano passado. "Precisamos que o trabalho de protecção seja permanente e se possível por equipas, de manhã e a tarde, para garantir maior segurança a todos”, solicitou.

O nadador-salvador Menezes Capitango, que é parte do efectivo destacado para policiar a praia fluvial do Cuando, disse ter recebido um treinamento especial de duas semanas, para estar à altura dos desafios que a época balnear apresenta.

"Fizemos a preparação aqui mesmo na barragem do Cuando. Além de salvamento corpo a corpo, também treinamos o resgate e remoção de cadáveres. Vamos ter nadadores-salvadores em vários pontos da província, em especial os mais frequentados pelos banhistas. Temos equipamento para mergulho e resgate”, disse.

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