Opinião

A vida selvagem

A vida selvagem em Angola precisa de atenção, protecção e defesa contra iniciativas, grande parte delas ilegais, que se traduzem no abate indiscriminado de espécies, na destruição de Habitat natural da fauna, entre outros excessos que precisam de ser travados a todo o custo.

20/06/2020  Última atualização 00:00

Vários têm sido os alertas, lançado por instituições do Estado, pelas organizações especializadas e ambientalistas que, atendendo ao estado de degradação que conhece a flora e a fauna, precisam de medidas que revertam o actual quadro.
Há dias, a ministra da Cultura, Turismo e Ambiente lamentou que, este ano, tenham morrido, na costa angolana, cerca de 4.000 tartarugas marinhas, tendo alertado ainda que a densidade populacional deste animal regista um declínio.
“Estima-se que entre quatro a 12 milhões de toneladas de plástico são despejadas nos oceanos anualmente. E no mar, o plástico vira uma armadilha para as tartarugas marinhas, sendo confundido com alimento ou aprisionando espécies, a exemplo de pedaços de redes de pesca que se enroscam em seus corpos podendo levá-las à morte”, disse Adjany Costa.
Embora o quadro, relacionado com as ameaças humanas e não humanas enfrentados pela flora e fauna angolanas, não seja dos melhores, é encorajador o conjunto de iniciativas e medidas no sentido da reversão, controlo e melhor acompanhamento.
O lançamento do projecto de combate ao comércio ilegal da vida selvagem e ao conflito homem-vida selvagem, uma iniciativa do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente, a ser implementado em Cabinda e em Malanje, pode ser o pontapé de saída para a melhoria da gestão da vida selvagem.
Acreditamos que, com essa iniciativa, o Executivo pretende lançar uma mensagem firme e clara de que a vida selvagem e os conflitos entre o homem e o meio não estão entregues à sua sorte. A protecção da biodiversidade angolana é um assunto de Estado na medida em que impacta significativamente na continuidade da vida humana.
Acreditamos que, com o projecto de combate ao comércio ilegal da vida selvagem, pretende-se, sobretudo, inaugurar-se uma nova fase em que a bandeira do uso racional dos recursos da fauna, da preservação e da sustentabilidade sejam parte activa da vida das comunidades. Ao envolverem as comunidades, as entidades públicas que estarão à frente da implementação do projecto, vão ter a soberana oportunidade para não apenas as fazerem parte da iniciativa, mas também levá-las a interiorizar que o sucesso dependerá muito da acção humana. É sempre recomendável que a consciência de preservação, da racionalidade no uso dos recursos da vida selvagem partam das comunidades, das famílias e pessoas ali inseridas. Se o comércio da vida selvagem continuar ao ritmo em que se encontra, provavelmente poderá não haver mais recursos para a crescente demanda, razão mais do que suficiente para ponderar e tomar medidas enérgicas contra esse fenómeno.
A caça furtiva deve ser combatida por todos, a começar pela sensibilização, educação e consciencialização das comunidades para a melhor defesa da fauna e dos seus recursos, muitos deles não renováveis ao ritmo do abate indiscriminado. A ideia de desenvolvimento sustentável está intrinsecamente ligado, também, à preservação da vida selvagem sob todas as suas formas.

 

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