Sociedade

A vida é, apenas, um suspiro

Guilhermino Alberto

A morte inesperada de José Figueira Cola, um amigo verdadeiro, daqueles que se olha olho nos olhos, sem falsidade, mostra que a vida é, apenas, um suspiro, que às vezes toma caminhos que não esperávamos e nos tocam profundamente. José Cola, um cristão convicto e meu confidente de todas as horas, dos bons e dos maus momentos, já não está fisicamente entre nós.

13/09/2021  Última atualização 10H45
José Cola deixa um grande legado no fotojornalismo © Fotografia por: Edições Novembro
A trágica notícia chegou-me, ontem, via Watsapp. Hospitalizado na Clínica Multiperfil, em Luanda, depois do acidente, ainda conversámos durante alguns minutos e nada fazia entender que o desfecho seria este. Faltam-me palavras para descrever o que me vai na alma e o meu eu se nega a aceitar que o Cola já não está entre nós.

À família não basta transmitir a minha solidariedade e dizer que o Cola era um bom homem e que junto de Deus vai interceder por nós.

O Cola não merecia partir tão cedo. O Cola tinha um profundo sentimento de amor pela família e tinha muitos projectos pela frente.

Segredou-me, faz algum tempo, que depois da reforma pretendia passar a velhice na segura cidade de Moçâmedes , onde há pouco mais de dois anos a família se tinha mudado, depois de sucessivos assaltos à mão armado na grande casa que tinha construído em Luanda.

Por ironia do destino, o amigo Cola, que tinha na segurança da família a prioridade das prioridades, teve o fatídico acidente no Cuanza-Sul quando aproveitou a folga do fim-de-semana para passar uns dias com os seus no Namibe.

Nestes momentos, de profunda dor e consternação, faltam-nos, sempre, palavras para descrever a figura dos amigos que nos deixam antes do tempo e sabíamos estar a recuperar bem no hospital. Depois do primeiro e último telefonema, a partir do hospital, não tivemos outro contacto.


O telefone do Cola dava sempre desligado e fora de área de cobertura, mas o Machangongo nos fazia chegar, diariamente, o estado clínico do grande Cola. Dizia que o pior já tinha passado, que as coisas estavam a evoluir bem, apesar de o Cola ter sido submetido à diálise. Fiquei, claramente, preocupado, mas sempre pensei que o homem ia sair deste momento menos bom e voltar para casa são e salvo.

Em Lisboa, onde me encontro há uma semana, o senhor Coelho, um amigo comum, depois dos cumprimentos de boas vindas, a primeira pergunta que me dirigiu, à chegada, foi, literalmente, a seguinte: como é que está o amigo Cola? Pensei que já soubesse do acidente e respondi que estava a recuperar bem. Ao homem, com ar de espanto, perguntou se estava a recuperar de que?

Contei-lhe do acidente e depois disse que tudo ia dar certo, porque o Cola era um jovem alegre cheio de vida, que ia superar mais este momento menos bom.


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