Opinião

A vacinação contra a Covid-19

A quarta fase da campanha de vacinação contra a Covid-19 arrancou oficialmente ontem, em todo o país, numa altura em que existem ainda pessoas que nem a primeira tomaram e aquelas que ficaram pela segunda.

23/11/2022  Última atualização 05H55

Tal como aconteceu com a poliomielite, cujas sucessivas rondas de vacinação para erradicá-la pecaram também por força de alguma resistência de franja da população que entende que, por razões religiosas ou culturais, não tenham de aderir aos procedimentos sanitários, sucedeu mais ou menos o mesmo com a Covid-19.

Como declararam as autoridades do sector persiste, um grande número de pessoas que não tomou  qualquer uma das três doses e, em muitos casos, as razões não se deveram à eventual escassez de vacina, mas por mera decisão pessoal. A desinformação, o medo infundado, além de outros motivos, contribuíram para o estado de coisas caracterizado pelo elevado número de pessoas não vacinadas até agora.

Obviamente, que se tivéssemos um número elevado de pessoas vacinadas, segura e provavelmente esta vaga da enfermidade que nos obriga, agora, a enveredar pela quarta fase da campanha de vacinação contra a Covid-19 não se colocaria com o senso de emergência que notamos.

Embora não tenhamos dados que, com maior precisão, nos indicariam as razões da actual vaga da doença, a circulação comunitária, também derivada da baixa de vacinação no país, terá contribuído para o actual quadro. Isto além do fraco cumprimento das medidas de biossegurança que, como sabemos, em muitas localidades e com numerosas pessoas, continua como um desafio permanente.

É verdade que não precisamos de nos autoflagelar  com a presente situação da Covid-19, que nos leva agora à quarta dose de vacinação porque se trata, afinal, de uma conjuntura mundial. "O mundo vem registando um aumento significativo da doença, devido à circulação comunitária e o fraco cumprimento das medidas de protecção individual e colectiva, bem como da baixa cobertura vacinal em algumas latitudes”, disse a ministra da Saúde, no momento que marcou o anúncio e arranque da quarta dose em Angola.

O desafio para a efectivação com êxito, da presente campanha, passa por uma extensa campanha de educação e sensibilização junto das populações para que a consciencialização seja o nosso principal aliado nesta campanha. Mais do que preparar as doses, aprontar os hospitais e unidades sanitárias, desdobrar as equipas móveis e colocar todo o aparato material e humano à disposição do público alvo, é preciso que aquele último segmento mencionado esteja também preparado e mobilizado a aderir.

Todos quantos não apanharam a primeira, segunda e terceira dose poderão ter a oportunidade de receber para encerrarem com a quarta, tida, por enquanto, como a última dose indicada aqui para o nosso contexto. Como ficou claro no pronunciamento da ministra Sílvia Lutukuta, a prioridade incide sobre os cidadãos que não tomaram nenhuma dose da vacina, num universo de mais de 4.1 milhões de pessoas, um segmento vasto que preocupa e que importa cobrir com as vacinas.

Auguramos que todos os compatriotas se sintam mobilizados para a campanha que começou ontem para sermos capazes de fechar o cerco às possibilidades de a Covid-19 ressurgir, volta e meia, como sucede desta vez.     

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