Opinião

A transição energética

Editorial

A transição energética, entendida como a substituição dos combustíveis fósseis, petróleo, gás natural, carvão, lenha, entre outros, “culpados” pelas emissões dos gases com efeito de estufa, para as chamadas energias limpas até a efectivação de zero emissão, está hoje na agenda de numerosos Estados.

11/09/2021  Última atualização 05H40
Curiosamente, as economias mais avançadas, por sinal as responsáveis pelo aquecimento global, estão melhor preparadas para o salto que pretendem e até já fixam datas para a referida passagem. Alguns países indicam, inclusive, uma data previsível em que as viaturas com motor a combustão deixarão de circular a favor dos carros eléctricos. São processos evolutivos que marcam os tempos modernos em que a adequação da economia aos pressupostos ligados à sustentabilidade, à preservação do ambiente e a melhoria da vida humana, fazem a agenda dos Estados.

As regiões menos desenvolvidas do planeta, curiosamente as mais afectadas pelas alterações climáticas, por força de emissões de gases venenosos lançados à atmosfera, serão "obrigadas” a fazer a mesma caminhada. Obviamente, a dependência das economias menos avançadas dos combustíveis fósseis, no actual contexto em que se estruturam os processos de produção e de criação de riqueza, coloca enormes desafios relativamente à preparação da pretendida transição.

Deverá levar algum tempo para que se efective o processo de preparação de países como Angola, cuja estrutura actual da economia torna impossível uma eventual e abrupta colocação de parte do papel que os combustíveis desempenham na economia angolana.
Como defendeu o ministro angolano dos Recursos Minerais,  Petróleos e Gás, há necessidade de transição  energética  sem imposições, independentemente de se reconhecer a importância da redução de emissões de carbono.

"É preciso ter em conta que o desenvolvimento económico, social e energético  de cada país, não está ao mesmo nível. Há países como o nosso, que estão mais dependentes dos combustíveis fósseis e que precisam de um tempo mais alargado e também, de outras condições para atingir o preconizado”, disse Diamantino Azevedo, o titular da pasta.

 Na sua locução à imprensa, à margem da conferência sobre os hidrocarbonetos,  promovida por Angola, denominada a 2ª Angola Oil & Gas (AOC 2021), evento que decorreu e reuniu governantes, representantes das multinacionais,  empresários e membros do Corpo Diplomático, ficou claro a necessidade do gradualismo.

Na visão do ministro de  Estado e da Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, exemplificando o caso de Angola, o país conta com o seu potencial petrolífero para financiar a transição para uma economia mais verde.
Em todo o caso e para que saibamos nos anteciparmos aos problemas, não há dúvidas de que precisamos nos preparar para os desafios impostos pela transição energética.

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