Opinião

A solidariedade e o assistencialismo

As situações de emergência por que passam as populações de algumas regiões nas províncias do Cunene, Namibe e Huíla levaram à pronta mobilização do Executivo e, por arrasto, partes significativas da sociedade angolana, num conjunto de gestos que nos engrandecem a todos como nação.

25/06/2019  Última atualização 09H01

Os nossos irmãos, nas referidas regiões, passam por problemas que acabaram por se transformar também em nossos, razão pela qual importa que continuemos a partilhar das suas carências e necessidades. E assim, felizmente, tem sido um pouco por todo o país.
As várias sensibilidades da sociedade angolana não ficaram indiferentes às dificuldades que as populações enfrentam, no Sul do país, tendo-se associado de forma exemplar aos esforços do Executivo. Isto constitui um reflexo dos postulados em que assentam a construção do país que pretendemos bom para todos, baseados na solidariedade, entre outros valores e princípios.
Até hoje, foram já mobilizadas toneladas e toneladas de bens que, como sabemos, vão contribuir para minimizar largamente muitas das necessidades dos nossos irmãos e irmãs, nas regiões mais afectadas.
Pretendemos todos que, mais do que o quadro actual em que largas franjas da sociedade de Cabinda ao Cunene se associam aos esforços do Executivo, com gestos exemplares de solidariedade, seja ultrapassado por uma fase diferente. Acreditamos que este período, necessário e útil, deve dar lugar a procedimentos que levem a uma realidade diferente que não resulte continuamente na “oferta de peixe”, mas na “concessão do anzol”.
As populações que se encontram nas áreas afectadas pela seca e estiagem não podem ser levadas ao insustentável quadro em que o assistencialismo seja uma espécie de remédio contra o qual não se pode fazer algo melhor e diferente.
Criar as condições para que as populações saiam do actual quadro de “assistencialismo” para, de forma sustentada, gradual e devidamente planificada, sejam capazes de trabalhar para a sua própria subsistência, é das melhores e mais dignas soluções. Ajudar sim, solidarizar-se sim, mas é preciso que evoluamos deste ciclo para um outro em que as populações afectadas consigam ter meios à sua disposição para saírem da situação em que se encontram. Afinal de contas, não há povo que sobreviva só de ajudas permanentes, apenas de gestos de solidariedade ou, mais grave, conformando-se com “o peixe” em vez do “anzol”.
Ficaremos todos agradecidos se os gestos de solidariedade, se as acções que enaltecem o nosso lado fraterno e outros actos, direccionados para os nossos irmãos na parte Sul do país, incidirem, fundamentalmente, nos mecanismos de produtividade e auto-sustento, em detrimento da ênfase no assistencialismo.

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