Opinião

A situação económica mundial e o crédito aos produtores nacionais

Dois factos têm marcado a vida política económica e social de muitos países do mundo e têm levado já governos a fazerem reavaliações das suas políticas públicas, de modo a ajustá-las à nova conjuntura.

16/03/2020  Última atualização 08H30

Trata-se da pandemia do novo coronavírus nas economias dos Estados e da queda considerável do preço do petróleo, que vai naturalmente afectar negativamente países que dependem excessivamente das exportaçõe do crude.
Como se vive hoje num mundo de muitas incertezas, provocadas pela pandemia do coronavírus e pela queda do preço do petróleo, os Estados apressam-se a avaliar o impacto nas suas economias destes dois factores, que podem provocar o abrandamento do seu crescimento económico, sobretudo naqueles países que não têm produção diversificada, para fazer face às suas necessidades internas.
O Estado angolano está atento ao que está a acontecer no mundo e que nos vai inevitavelmente afectar, pelo que não surpreendeu o facto de o Presidente da República, João Lourenço, ter admitido a revisão e o ajustamento das previsões económicas, para se enfrentarem os desafios decorrentes do actual momento da economia mundial.
Nas condições actuais da economia mundial, em que, como afirmou o Presidente João Lourenço, “cresce a incerteza no futuro mais próximo”, importa que façamos o nosso trabalho de casa. E fazer o nosso trabalho de casa significa criar com celeridade mecanismos eficientes de concessão de crédito aos produtores nacionais, para que estes possam alavancar os seus negócios, com vista a que tenhamos produção interna suficiente para, como é intenção do Governo, mitigar o impacto da pandemia do coronavírus na oferta de mercadorias.
A boa notícia é a de que há dinheiro para se conceder crédito a empresários nacionais, havendo entretanto informações de que falta afinar a máquina que vai permitir que o financiamento da actividade produtiva seja feito de modo a atender a empresas que possam gerar retornos que sejam benéficos para a economia.
O ministro da Economia e do Planeamento, Sérgio Santos, foi claro: “O nosso problema não é disponibilidade de fundos. Os fundos existem, mas precisamos de afinar a organização da estrutura de facilitação de crédito, fazer a organização dos promotores e facilitar ao máximo o acesso a essa componente financeira, bem como apoiar na elaboração de projectos.”
Vale a pena reter as palavras do economista angolano Carlos Rosado de Carvalho , que comentou recentemente a situação actual da economia mundial. Disse este economista que “dependemos muito do petróleo, mas isso não é o nosso problema. O nosso problema é não sermos capazes de produzir outras coisas que não o petróleo e não é o Estado que vai produzir bens e serviços. Quem vai produzir são os privados”.

 

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