Opinião

A sinistralidade rodoviária

A sinistralidade rodoviária continua como uma verdadeira praga nas nossas estradas, sobretudo nas interprovinciais, ao ponto de chegarmos a uma situação em que a interrogação simples e directa é: não se está a fazer nada para reverter o quadro de mortes, ferimentos e destruições nas estradas?

18/10/2022  Última atualização 06H10

Ontem, de acordo com o noticiário das treze horas da Rádio Nacional de Angola, fazendo referência aos acidentes mortais ocorridos em Malanje e Huíla, houve um somatório de "dezoito pessoas mortas em apenas 24 horas”, a partir de ontem.  Ao lado das causas e efeitos, sobre uma coisa devemos parar para pensar e tomar medidas: as mortes nas estradas não se justificam, numa altura em que pode levar a um generalizado temor pelas vias de comunicação onde passa o desenvolvimento e o bem-estar das famílias.

É verdade que as nossas estradas não estão todas em muito boas condições e disto todos sabemos, sendo razão acrescida para se inverter a imprudência e desatenção com que muitos conduzem. É verdade que quase não há iluminação ao longo da maioria do percurso das estradas nacionais, outra razão suficiente para se evitar o excesso de velocidade em determinadas horas e faixas.

A falta ou a reduzida sinalização horizontal na maioria das estradas é também uma realidade, facto que, associados aos demais mencionados acima, devia dar lugar em todas as circunstâncias à chamada condução defensiva. 

Independentemente do estado em que se encontram as nossas vias principais, secundárias e até terciárias, o erro humano na condução continua a evidenciar-se como das razões primárias dos acidentes mortais.

É ainda verdade que parte significativa das viaturas envolvidas em sinistralidade rodoviária são deficitárias em termos de regularidade na assistência técnica, muitas vezes sem pneus em condições, sem  travões fiáveis, sem boa iluminação, mas ainda assim os seus utentes usam-nas como se tratassem de carros zero quilómetro. 

Em Malanje, no acidente que vitimou nove pessoas, de acordo com o noticiário de ontem,  envolvendo uma carrinha em movimento e motorizadas paradas ao lado da estrada, deveu-se mais ao descontrolo do automobilista que seguia no primeiro meio citado.

Logo e, embora não tenhamos estatísticas com descrições apuradas sobre as causas dos acidentes mortais, não estaremos a exagerar se dissermos que grande parte da  sinistralidade rodoviária, geralmente fatal, além de envolverem situações completamente evitáveis, nem são por conta das variáveis descritas acima.

Daquelas todas, a condição das estradas, da iluminação, da sinalização, do relevo e factores atmosféricos, todos os que se fazem às estradas, normalmente, já sabem, sendo lógico perguntar: o que fazem para descompensar?

Se há consciência das variáveis que inviabilizam uma condução normal nas nossas estradas, com maior particularidade para as interprovinciais, por serem as mais letais, não se justifica que, ainda assim, se conduza excedendo a velocidade e manobras.

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