Opinião

A segurança pública

As acções de vandalismo ocorridas na manhã de segunda-feira, dia 10 de Janeiro, devem servir para as melhores reflexões, quer por parte das populações para a mudança de atitude e comportamento, quer por parte das forças de Defesa e Segurança, bem como de

14/01/2022  Última atualização 07H50
demais actores da nossa sociedade. Sob nenhuma circunstância devemos encarar com naturalidade e normalidade os acontecimentos de segunda-feira, já inteiramente condenados por todos os sectores da sociedade. Numa altura em que o que se passou já não se pode alterar, atendendo ser já parte do passado, obviamente que as atenções viram-se, agora, para o presente e futuro. O que aprendemos com o que se passou na segunda-feira, dia 10 de Janeiro? Como devemos evitar que situações semelhantes, a começar pelas razões, directas e indirectas que as provocam? Se soubermos responder a estas e outras interrogações ligadas aos excessos que são cometidos em circunstâncias como as daquele famigerado dia, mais facilmente seremos capazes de evitar o pior com a integridade física das pessoas, com os bens públicos nas ruas, nas instituições públicas e privadas.

Precisamos de reflectir seriamente sobre o tipo de sociedade que estamos a construir,  que valores e princípios almejamos erguer o país que pretendemos que seja bom para todos.

Devemos sempre procurar retirar as melhores lições de situações lamentáveis e condenáveis para que as pessoas dispensem sempre e sempre o recurso à violência para atingir os objectivos de natureza política, económica ou financeira.

A narrativa avançada por alguns sectores, entre analistas e entidades políticas e religiosas, segundo a qual a não intervenção da Polícia Nacional visou proteger o bem vida ou que assim procedeu para evitar um banho de sangue, não pode servir como precedente.

Nos actos de vandalismo e arruaça, a Polícia Nacional, conhecedora melhor do que ninguém em matéria de Segurança Pública, deve sempre intervir de forma preventiva ou repressiva em nome da ordem, segurança e tranquilidade públicas. Estes princípios em que se consubstanciam a actuação da Polícia Nacional não são negociáveis, nem devem ser condicionados simplesmente porque uma turba transforma em reféns centenas de pessoas numa determinada via.

Não se pode defender que os agentes da ordem, nos actos condenáveis que ocorreram na segunda-feira, dia 10 de Janeiro, evitaram o pior ao não intervir sob pena deste paradigma servir de perigoso precedente para casos futuros.

E se porventura amanhã dezenas ou centenas de pessoas decidirem invadir bancos, empresas públicas e privadas ou armazéns e prevalecer a ideia de que não se pode intervir para evitar o pior?

Em todas as circunstâncias, em que estejam em causa a ordem, segurança e a tranquilidade públicas, a Polícia Nacional deverá intervir sempre das duas formas possíveis, prevenindo, com diálogo, sensibilização e educação cívica, se necessário, ou reprimindo com os meios proporcionais.

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