Opinião

A retoma da economia em conjuntura favorável

Filomeno Manaças

Com a guerra russo-ucraniana a ocupar uma boa parte do espaço mediático e das atenções políticas, quase nos esquecemo que o mundo ainda não se desfez da pandemia da Covid-19, que, nas últimas três a quatro semanas, tem atarefado de modo particular as autoridades chinesas, obrigadas a redobrar as medidas de vigilância e de ataque à variante Omicron em Pequim, a capital.

06/05/2022  Última atualização 08H45

Apesar dos relatos de que Pequim luta de forma determinada para debelar a situação e de que eles suscitaram alguma apreensão fora de portas, no resto do mundo as boas notícias reflectidas no alívio das medidas de prevenção, mais concretamente a decisão de permitir já a circulação de pessoas sem o uso de máscaras em certos locais públicos, está a inaugurar o regresso à normalidade.

Já se pode falar, apesar de ainda com algumas reservas - logo, não totalmente -, de uma realidade pós-pandemia. Já podemos dizer que estamos a caminhar para lá. E, por assim ser, as previsões económicas para 2022 foram feitas alimentadas pelo desaparecimento da pandemia, o que, por si só, é motivo mais do que suficiente para encarar taxas de crescimento optimistas.

Para a Europa, apenas o impacto negativo da guerra russo-ucraniana vem contrariar todos os cálculos previamente feitos sobre o desempenho das economias já a partir dos primeiros meses de 2022.

Em ano de eleições, e depois de dois anos sufocada pela pandemia, o novo ambiente (de mitigação da Covid-19) é o que de melhor a economia angolana poderia almejar para assentar em bases firmes a retoma, iniciada ainda em 2021 com um crescimento de 0.7 por cento, que confirma o abandono do terreno da recessão.

Outro elemento de novidade que pode contribuir para melhorar consideravelmente as previsões económicas, é a possibilidade de a guerra russo-ucraniana poder conhecer um fim a breve trecho, coisa que, para já e de acordo com os desenvolvimentos em curso, está, por enquanto, fora de hipótese.

Crescer 0.7 por cento em meio a pandemia pode não ter sido extraordinário, mas já foi um bom indicativo do potencial de crescimento que a economia angolana possui. Vale dizer que esse crescimento superou as perspectivas do Fundo Monetário Internacional e da Fitch, que estimavam que ele ocorresse apenas na ordem dos 0.1 por cento, o Banco Mundial apontava para 0.4 por cento e o próprio Executivo, mais prudente, tinha estabelecido a meta em 0.2 por cento.

Para este ano, 2022, o BM espera que Angola cresça 3,1 por cento do seu Produto Interno Bruto (PIB), o FMI perspectiva um crescimento de 2,9 por cento, ao passo que o Governo angolano prefere fixar a fasquia em 2, 4 por cento.

No sector do petróleo e gás, as perspectivas optimistas são alimentadas por novos investimentos feitos na exploração de hidrocarbonetos e no aumento da procura por esses produtos por parte dos países da União Europeia, devido ao conjunto de sanções que, com os Estados Unidos, decretou contra a Rússia e, por conseguinte, a procura de outros mercados fornecedores. Os novos negócios no sector tendem a fortalecer a indústria petrolífera e do gás angolana.

Na economia não petrolífera, os sectores da agro-pecuária, pescas e mineração deverão continuar a marcar a tendência de crescimento que já têm tido e que tem vindo a determinar uma significativa alteração da estrutura de composição do Produto Bruto Interno (PIB) angolano. Fruto da política de aposta na diversificação da economia, esses sectores conhecem hoje uma dinâmica que está a transformá-los em peças-chave que vão permitir, a médio prazo, a Angola ter auto-suficiência alimentar e, até mesmo, poder voltar a exportar produtos que o país já comercializava no mercado internacional.

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