Opinião

A qualidade do ensino e a formação de professores

Em qualquer sociedade, a formação é crucial para o crescimento económico e para a redução da pobreza, elevando sistematicamente os níveis desejados de bem-estar social. Nas sociedades globalizadas, marcadas por profundas mutações, pela revolução tecnológica e pela competitividade, mais do que o ensino, o conhecimento emerge como o elemento chave para qualquer mudança económica, social ou cultural.

22/12/2018  Última atualização 06H43

Ao que parece, a era da industrialização vem sendo suplantada pela era do conhecimento ou, no dizer de alguns autores, pela sociedade do conhecimento. Contudo, o conhecimento para a função social do professor vai mais além do conteúdo programático a ser posteriormente bem ou mal avaliado ao final de cada semestre, ano lectivo ou académico, já que as boas práticas e os bons hábitos terão também de ser apreendidos. Cabe então aos professores/formadores não só o papel de instruir, mas, também, de educar, inculcando princípios e valores de interesse social.
Um pouco por todo o lado assiste-se a uma mudança dos eixos de poder, efeito do processo de globalização e da revolução tecnológica. Governos, instituições, empresas e pessoas individuais, têm, hoje, no “saber”, no “saber-fazer” e no “saber situar-se” os três grandes indicadores para o planeamento do seu futuro e tomada de decisões. As Instituições de Ensino Superior, enquanto espaços de produção de conhecimento, assumem, neste contexto, um papel relevante.
Por meio da pesquisa para a inovação, as universidades procuram encontrar soluções para novos desafios e, nesta senda, impulsionam, a todos os níveis, o desenvolvimento sustentado. Para tal, a Universidade deixou de ter, como antes, um papel elitista na formação superior, para passar a ter um carácter crucial na formação dos recursos humanos, em prol da aspiração a um crescente desenvolvimento comunitário, com redução das assimetrias, no caso de Angola, entre litoral e interior e entre cidade e campo.
Nesta conformidade, as responsabilidades académicas implicam cada vez mais conhecimentos renovados e adequados à realidade social onde a formação for realizada, cada vez mais competências comunicacionais a serem adquiridas por uma didáctica do ensino superior, cada vez mais atitudes com sentido ético no relacionamento profissional com todos os outros membros da comunidade académica.
Para chegarmos à autonomização económica, precisamos de muito mais escolas de formação docente, que visem uma efectiva profissionalização de professores com reconhecimento político da relevância do seu papel social em prol do desenvolvimento. Sentido contrário de alguém bater às portas das instituições de formação para dar aulas, resolver assim a sua questão pessoal de empregabilidade ou de melhoramento do seu salário mensal, a maior parte das vezes, sem qualquer vocação para o magistério, passando, no dia seguinte à sua entrada na instituição, a considerar-se professor. Porém, ser professor profissionalizado é mais, muito mais, do que um mero ensinante, explicador ou facilitador de aprendizagem, com o devido respeito para todos aqueles que, com a maior das vontades e sacrifício, têm minimizado a falta de profissionais de ensino, desde que Angola se tornou um país independente.
Porém, faltam escolas de formação de professores, faltam formadores de formadores para a docência e falta regulamentação para uma adequada estratégia de funcionamento do subsistema de formação de professores para os diferentes tipos e níveis de preparação inicial e contínua, capacitação, requalificação e superação docente…, de acordo com a antiga e nova Lei de Bases do Sistema de Educação.
Lamento ter de afirmar uma vez mais, mesmo para quem esta informação seja incómoda: “Não há ensino de qualidade, nem reforma educativa, nem inovação pedagógica, sem uma adequada formação de professores”.  

* Ph. D em Ciências da Educação e Mestre em Relações Interculturais

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